sexta-feira, 27 de julho de 2012

Negócio que faz bebês

{Este texto é de cunho sexual e contém algumas palavras relacionadas à sexualidade humana. Se você não aguenta ouvir tais palavras sobre este assunto sem ficar indignado, eu sinto muito, mas eu não encontrei outro jeito de transmitir minha ideia, abrindo mão de tais palavras. O texto não tem como objetivo despertar sexualmente ninguém, nem chocar a sociedade brasileira, então leiam o texto sem pirraça, ou o abandonem antes mesmo de começá-lo. Creio que existem várias interpretações para este texto, desde uma leitura de exclusivo caráter recreativo, até uma leitura voltada para o lado psicológico, como bem falou um amigo meu.}

Olá, meu nome é Everton. As pessoas dizem que eu sou estranho. Já papai e mamãe dizem que eu não sou estranho, eu sou apenas um retardado.

Uma vez meus amigos me chamaram de bicha. Mamãe disse uma vez que bicha é o menino que gosta de brincar do negócio que faz bebês com outro menino. Foi ela que disse também, quando eu tinha 17 anos, que virgem é a pessoa que nunca brincou do negócio que faz bebês. Foi nesse dia que eu descobri que eu era virgem. Eu descobri também que eu não era bicha. Ainda bem que eu não sou bicha, pois nesse dia, o papai disse que ser bicha é errado e é uma coisa muito feia.

Eu nunca brinquei do negócio que faz bebês. Eu até que queria brincar, mas eu acho que nenhuma menina ia querer brincar disso comigo, porque a maioria delas diz que eu sou estranho. Eu perguntei para mamãe se ela queria brincar disso comigo, mas ela me olhou muito séria e disse que isso é errado e uma coisa muito feia. Não sei por que isso é algo errado. Até onde eu sei, a mamãe é menina e vive brincando disso com papai, que é menino. Vou confessar um negócio pra vocês: eu já cheguei a sentir raiva do papai, pois eu sei que ele brinca do negócio que faz bebês com mamãe de noite, quando eles fecham a porta do quarto. Eles dizem que fecham a porta do quarto porque vão namorar, mas eu sei que é mentira. Eles não vão namorar não, eles vão é brincar do negócio que faz bebês. Não sei por que eles dizem que vão namorar, sendo que eles vão brincar. Adulto é muito tonto. Parece que eles têm vergonha de dizer que brincam, pois eles acham que brincar é uma coisa só de criança. Mas todo mundo sabe que os adultos só são crianças maiores. Então, continuando, eu fiquei com raiva do papai, porque ele que não é nada da mamãe brinca com ela do negócio que faz bebês e eu que sou o filhinho querido e lindo dela não posso brincar com ela. É muito injusto isso.

Um dia eu tomei banho com meu pai e perguntei porque o pinto dele era grande e o meu era pequeno. Ele me explicou que quando o menino cresce o pinto também cresce, aí ele vira um pênis, ou um Senhor Feliz. E todo homem tem um Senhor Feliz maior, para poder brincar do negócio que faz bebês. Só que eu acho que meu pai mentiu para mim, pois uma vez eu também tomei banho com o vovô, e o Senhor Feliz dele era ainda menor que o meu. Quase que nem dava para enxergar. E ele nem parecia um Senhor Feliz, pois estava era bem tristezinho.

Uma vez eu vi um vídeo de um homem e uma mulher brincando do negócio que faz bebês. Eu estava mexendo na internet e resolvi procurar isso para ver como era. Meus amigos na escola me dizem que brincar do negócio que faz bebês é legal, que faz uma cosquinha gostosa na gente, por isso que todo mundo brinca. Mas quando eu vi o vídeo de um homem brincando com uma mulher do negócio que faz bebês, esse negócio não me pareceu gostoso, me pareceu assustador. No vídeo, o homem e a mulher ficavam sem roupa e começavam a fazer umas coisas estranhas. A mulher não tinha pinto. Em compensação, ela tinha um monte de cabelo preto no lugar onde deveria ficar o pinto dela. Acho que o pinto dela deve ter caído, ou cortaram ele para que ela pudesse ser mulher. Só espero que não tenha doído muito. O homem sim tinha pinto, e acho que era o triplo do tamanho do meu. A professora uma vez me ensinou que o dobro é duas vezes alguma coisa, e o triplo é três vezes alguma coisa. O que eu achei mais assustador no vídeo é que os dois faziam uns barulhos estranhos. Eles davam uns gemidos tontos, como se tivessem cansados de carregar peso. Eu acho que brincar do negócio que faz bebês não é uma coisa legal, pois machuca as pessoas. Deve ser por isso que eles fazem esses barulhos, é porque está doendo muito. Eu não consegui ver o vídeo até o fim, porque mamãe chegou nesta hora e desligou o computador. Ela não gostou de me ver assistindo aquilo, disse que eu era retardado e que eu tinha feito uma coisa muito feia.

Uma vez eu levantei de madrugada para ir tomar água, e quando passei na frente do quarto dos meus pais, escutei um barulho parecido com o que ouvi no vídeo. A porta estava entreaberta, acho que eles esqueceram de fechar dessa vez. E eu vi que eles estavam brincando do negócio que faz bebês. É por isso que eu sei que eles brincam sempre do negócio que faz bebês, porque eu já escutei este barulho várias vezes do meu quarto. Mas esta foi a única vez que eu vi eles, eu juro pela minha morte. Eu não gostei de ver papai machucando a mamãe daquele jeito, aí eu entrei no quarto e puxei ele, tirando ele de cima dela. Caímos os dois no chão, eu por cima de papai. Quando ele levantou, eu vi que o pinto dele não estava normalzinho para baixo igual o meu fica, mas estava inchado, inclinado para cima e com a ponta vermelha igual garganta inflamada. Aí eu comecei a chorar achando que eu tinha quebrado o pinto de papai quando caímos no chão. Papai brigou comigo dizendo que eu não passava de um retardado, e que eu tinha feito uma coisa muito feia.

Meus amigos na escola parecem conhecer bem esse negócio que papai e mamãe estavam fazendo. Eles dizem que por baixo dos cabelos pretos que a mulher tem no lugar do pinto, tem um buraquinho chamado xana. Eu ri muito daquilo, pois eu tenho uma amiga que tem uma gatinha de estimação e o nome dela é Chana, mas é com CH, igual chulé. O homem coloca o pinto dentro do buraquinho da mulher e faz um xixi branco lá dentro chamado porra. O xixi branco vai parar lá na barriga da mulher. No meio desse xixi branco tem uma sementinha que faz crescer um bebê dentro da mulher. O bebê faz a mulher ficar muito gorda, pois ele cresce muito, aí a mulher é obrigada a cagar ele. É assim que nascem os bebês. Minha professora ficou gorda no começo do ano e me disseram que era por causa de um bebê. Depois de um tempo, ela pediu licença e sumiu, eu achei que ela nunca mais ia voltar. Uma outra professora deu aula pra gente por um tempo. Aí a minha primeira professora voltou e ela estava magra de novo. Eu ouvi dizer que nesse tempo que ela não deu aula pra gente, ela tinha ido cagar o bebê. Eu não sabia que demorava tanto para cagar um bebê, embora eu ache que deve doer bastante, pois quando eu vou fazer cocô e o troço tá muito grande, já dói o meu bumbum pra caramba. Então, no primeiro dia dela dando aula pra gente de novo, eu perguntei para ela como era cagar um bebê, e ela se zangou e disse que eu não passava de um retardado, e que eu tinha falado uma coisa muito feia.

Acho muito estranho esse negócio que faz bebês. O que é que pode ter de tão legal em fazer xixi dentro de outra pessoa? Uma vez eu fiz xixi num copo e tomei. O xixi não tinha gosto bom, mas era quentinho. Eu coloquei um pouco de açúcar e melhorou um pouco, mas ainda assim o gosto era ruim. Só que o meu xixi não era branco igual eu vi no vídeo. Mesmo assim eu fiquei com medo do xixi ir parar na minha barriga e crescer um bebê lá. Quando eu contei para mamãe isso, ela riu e disse que não ia crescer bebê na minha barriga não, mas que eu era retardado e tinha feito uma coisa muito feia.

Na minha classe eu não sou o único retardado. A maioria das pessoas são retardadas também. Mamãe disse que a minha classe é uma sala especial, para pessoas especiais. Eu gosto de ser especial, pois é muito bom ser especial. Tem uma menina na minha sala que também é retardada e que se chama Maria Amélia. Eu acho ela a menina mais bonita da classe. E ela é a mais inteligente também. Até pouco tempo atrás, eu nunca tinha falado com ela. Agora nós já somos amigos. A Maria Amélia me disse que se formos amigos por mais uma semana, nós podemos ser namorados. Uma vez minha mãe disse que só os namorados podem brincar do negócio que faz bebês. Eu perguntei para a Maria Amélia se podíamos brincar do negócio que faz bebês depois que virássemos namorados. Eu não sei se eu já disse que a Maria Amélia, apesar de ser retardada como eu, é muito inteligente. Mas ela não sabia do que eu estava falando. Aí eu contei tudo o que eu sabia para ela. Ela me olhou com muita atenção, enquanto eu explicava tudo pra ela. No final ela me perguntou o que era um pinto. Aí como eu não sabia explicar, eu fiquei de pé na sala, abaixei meu short e minha cueca e mostrei o meu pra ela. Ela ficou olhando, curiosa e espantada. Acho que ela ficou espantada porque ela nunca viu um pinto na vida dela, assim como eu nunca vi como é um buraquinho de mulher sem os cabelinhos. Eu já ia pedir pra ela me mostrar a xana dela (pois só as meninas têm xana, se você não sabe), quando a professora me viu mostrando o meu pinto para a Maria Amélia e brigou comigo, dizendo que eu era um retardado e que eu tinha feito uma coisa muito feia. Não sei o que é que eu fiz de feio.

Na hora que mamãe veio me buscar, a professora contou o que tinha acontecido na sala. Minha mãe brigou comigo na frente da professora, dizendo que eu era um retardado e que eu tinha feito uma coisa muito feia. Ah, dessa vez a professora acrescentou que eu também era um caso perdido.

Eu não entendi porque a mamãe e a professora ficaram tão bravas comigo. Mas eu fui embora para casa muito feliz, pois antes de sair da classe, a Maria Amélia disse para mim que se a gente fosse amigo por mais uma semana, a gente vai virar namorados, e depois de mais um tempinho, eu ia poder ver a xana dela. Mas não a Chana com CH igual chulé, que é a gatinha dela que eu falei antes, mas sim o buraquinho xana. A Maria Amélia também disse que assim que virarmos namorados, a gente vai poder brincar do negócio que faz bebês e eu vou poder fazer xixi branco dentro dela. Eu estou ansioso para brincar disso com ela, mas eu também estou com medo, pois eu não quero fazer bebê nela. A sorte é que meus amigos me disseram uma vez que existe um jeito de brincar do negócio que faz bebês, mas sem fazer bebês. Eles disseram que eu tenho que vestir uma roupinha no meu pinto que se chama camisetinha. Eu ri muito quando eles me disseram o nome tonto desta roupinha. É um nome muito tonto. Agora eu preciso desligar o computador porque a minha mãe está gritando dizendo que eu tenho que ir dormir, pois eu sou um retardado e se eu ficar sozinho eu vou acabar fazendo coisa muito feia.




Um pinto curioso...

 ... e um chano preguiçoso, que só quer saber de dormir.

Apesar das inúmeras diferenças físicas, pinto e chano estão sempre se
aproximando um do outro

Representação artística do exato momento em que você começou a destruir a
da sua vida o espermatozóide fecunda o óvulo.

Nem Freud explica...


Nota: algumas expressões foram inspiradas em autores já consagrados. O uso constante da palavra retardado foi inspirado em Winston Groom, em seu célebre Forrest Gump. Já as expressões "senhor Feliz" e "negócio que faz bebês", foram anteriormente utilizadas por Stephen King nos livros Jogo Perigoso e O Iluminado, respectivamente.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Brasil - a maior piada do mundo

{Creio que esta é a postagem mais engraçada de todas as postagens do Pra Gente Rir. E sabe por quê? Porque o Brasil é uma grande piada.}

É, meus caros leitores, acho que me enganei...

Pra quem não se lembra, em postagem anterior, eu deixei subentendido que os senadores não cassariam o mandato de Demóstenes Torres, porém eles o fizeram. Mas algumas coisas precisam ser ditas. Uma delas, é sobre o suplente de Demóstenes, que assumiu a vaga do senado hoje pela manhã. Wilder Morais, para quem não sabe, já foi casado com a atual esposa de Carlinhos Cachoeira. Saiu o amiguinho do Carlinhos Cachoeira para entrar o cara que comia a mulher dele! E além disso, nas gravações telefônicas de Carlinhos Cachoeira, ele também cita o senhor Wilder Morais, dizendo que é o responsável pela ascensão política do mesmo.

E o que me deixa mais puto, é que o Demóstenes Torres, depois de cassado, reassume o cargo dele no Ministério Público de Goiás como procurador de Justiça! Que credibilidade tem um cidadão que acabou de ser cassado por envolvimento com a máfia, de ser procurador da Justiça?! Isso só acontece porque o nosso Brasilzão é uma merda, que permite certos privilégios a políticos vagabundos, que usam este benefício como artifício para cometer determinados crimes, sabendo que não serão julgados pela justiça comum, como qualquer outro cidadão!

O senhor Demônio Demóstenes Torres, devido a sua cassação e a Lei Ficha Limpa, fica inelegível até 2027. Supondo que ele ainda não esteja gagá em 2027 e queira se candidatar novamente para um cargo político, a lei brasileira permitirá que ele o faça! E a tal da conduta ilibada? Onde é que fica o requisito de elegibilidade que exige que o aspirador a candidatura de um cargo político tenha uma vida honesta, sem máculas em seu passado? O pior de tudo é que o brasileiro tem uma memória tão curta, que esquece com uma facilidade incrível o que acontece no mundo político (mas se lembra décadas depois os enredos de novelas globais). Pois o senhor Valdemar Costa Neto, que esteve envolvido no escândalo do mensalão e renunciou ao cargo de deputado, já está de volta na sua confortável cadeirinha lá no Congresso Nacional. E não nos esqueçamos do ex-presidentes da república José Sarney e Fernando Collor de Mello, que, ao que tudo indica, só deixarão o Congresso dentro de um caixão.

E mudando um pouquinho de assunto, já que estamos falando sobre o Brasil, vamos falar um pouco sobre os brasileiros. Um programa que estreou esta semana e que muito aguçou a minha curiosidade, foi O Melhor Brasileiro de Todos os Tempos. O programa, apresentado pelo jornalista Carlos Nascimento, só pôde ser apresentado após pelo menos 1 milhão de votos da população que, para votar, precisava inserir o CPF, pois havia o limite de um voto por pessoa.

No primeiro programa, Carlos Nascimento apresentou 60 dos 100 mais votados, que estão na fase final do programa (do 41º ao 100º). No meu entendimento, eu já esperava nomes como Juscelino Kubitschek, Getúlio Vargas, Oscar Niemeyer, Santos Dumont, Dom Pedro II, Machado de Assis, José de Alencar, enfim, figuras políticas, escritores e profissionais e renomados no Brasil e no mundo. Eu até esperava alguns absurdos na lista, tais como Pelé e Garrincha, mas o que eu vi foi além dos meus piores pesadelos. Joelma, Cláudia Leitte, Hebe Camargo, Gugu, Tiririca (o já conhecido terror de qualquer eleição), Ivete Sangalo, Luan Santana, Michel Teló, menina do Rebelde que eu nem sabia que existia, figuras religiosas e goleiros de times paulistas contrastavam com outras figuras que até são aceitáveis na lista.

Mas não são os jornalistas do SBT que devem ser criticados pela lista. A culpa é dos brasileiros, que não sabem reconhecer quem realmente tem uma importância histórica para a constituição e melhora do Brasil como nação. E o mais triste de tudo é que eu acho que a maioria das pessoas que votaram nessas pessoas que citei acima, o fizeram realmente acreditando votar no maior (ou num dos maiores) brasileiro(s) de todos os tempos.

É, mas ainda tem mais 40 nomes para vermos na lista. É esperar agora para ver Neymar, Pe Lanza, Julia[na] Paes, Silvio Santos, João Lucas e Marcelo (o pessoal vai votar nos dois como se fosse uma só pessoa), Pedro Leonardo (por ter sobrevivido ao acidente), dentre outros. Se fosse há alguns anos atrás, veríamos os integrantes dos Mamonas Assassinas na lista, Felipe Dylon e, a Halle Berry, que entraria na lista na modalidade de cotas.

Para conferir detalhes do programa do SBT, clique aqui.

 
 Lista com os candidatos (já apresentados) ao título de maior brasileiro de todos os tempos.

 Foto do candidato que era tido como o favorito ao título de maior brasileiro de
todos os tempos, mas que foi eliminado na primeira etapa, ficando na 101ª
colocação, com 2 votos.

Halle Berry, apenas mais uma atriz negra, comemorando por entrar entrar na lista
das dez mulheres mais lindas de Hollywood, graças a sua inscrição como cotista.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O Emprego - Parte I

{Este texto possui o menor número de palavras de baixo calão possível, pois eu sou um menino educadinho. Dedico este texto para minha mãezinha, que sempre quer que eu arrume um emprego. Dedico também para todas as outras pessoas que estão na busca por emprego. E por último, mas não menos importante, dedico este texto ao Julius - que possui dois empregos -, a todos os cegos, aos analfabetos e às criancinhas desnutridas da África.}

Matheus vestia-se em traje social completo: camisa social, calça social, sapatos sociais, gravata e paletó. Tudo emprestado de seu amigo Zeca, que, por sua vez, pedira emprestado para um tio. De pé no quarto, besuntando o cabelo com azeite, Matheus terminava de se arrumar. Deitado na cama, estava Zeca, vestindo bermuda, camiseta regata e chinelas. A cabeça repousava sobre os braços, que estavam erguidos. E na cabeça, seu inseparável boné fedorento. Enquanto penteava o cabelo, Matheus conversava com Zeca.

- Zeca, foi muita gentileza do seu tio ter emprestado estas roupas para eu usar. Não sei o que seria de mim se não fosse esta ajuda.

- É, o meu tio é mó gente fina! - disse Zeca. - Pena que ele foi preso. - completou. - Por estupro. - completou mais uma vez. E após uma última pausa, encerrou seu pensamento - E virou mulherzinha na prisão...

- Cara, você é um amigão mesmo! - disse Matheus, tentando quebrar o incômodo silêncio. - Quando você me disse que conhecia um cara que poderia me conseguir uma entrevista para este emprego, eu não acreditei, mas você conseguiu mesmo! - e após uma pausa: - Zeca, eu já tentei emprego em outros lugares, mas nenhum em lugar com tanto prestígio quanto este. Se eu conseguir este emprego, meu currículo vai lá pra cima! Que Deus me ajude!

- Amém, mano! - respondeu Zeca, complementando sua resposta com uma eructação.

Matheus deu uma última conferida no espelho. Estava pronto. O cabelo, penteado para o lado direito, brilhava com o excesso de azeite que fora passado no mesmo. Totalmente bem vestido, ele sentiu-se importante usando aquela indumentária social. Anunciou a Zeca que estava pronto. Levantaram-se e saíram. Matheus levava apenas uma pasta transparente consigo, contendo documentos e currículos. Ele exultava com o fato de ter aquela oportunidade de emprego. Nos últimos dois meses, apenas três chances mais claras de emprego, todas mal sucedidas após a entrevista inicial. A frase "qualquer coisa entramos em contato" era seu recorde atual. Sendo um aluno totalmente aplicado, Matheus lamentava por ainda não ter conseguido um emprego, desde que partira em busca de um. Aparentemente, sua aplicação na sala de aula não tinha relevância no momento de buscar uma vaga no mercado de trabalho.

Andando lado a lado rumo ao local da entrevista de emprego, as figuras de Matheus e Zeca provocavam um enorme contraste: além da diferença de como se vestiam, Matheus era quase um palmo mais alto que o amigo, além de ser branco. Zeca, por sua vez, além de ser negro, cultivava um ralo buço acima do lábio, que ele insistia em chamar de bigode. Já Matheus, não possuía sequer um pelo no rosto. Até mesmo o jeito de andar dos dois formava um contraste bizarro: Matheus andava de maneira elegante, fazendo jus a roupa que vestia, enquanto que Zeca andava relaxadamente, agitando repetidamente os braços. Durante o trajeto, Zeca contava suas últimas conquistas amorosas: beijei uma gata, comi uma gostosa, uma coroa ajeitadona deu mole pra mim no baile e blá blá blá. Só não sabia ele que Matheus não prestava a menor atenção em sua palestra, absorto em seus próprios pensamentos, ansioso pela entrevista que o aguardava.

Matheus não sabia onde ficava o local de sua entrevista, por isso seguia os passos de Zeca. Após quase quinze minutos de caminhada e resenha, Zeca parou de falar de suas conquistas para finalmente anunciar que tinham chegado.

Indicando o lugar onde deveriam entrar, Zeca bateu na porta com um toque rítmico. Deveria se tratar de alguma espécie de código secreto. Do outro lado, uma voz masculina gritou que podia entrar. Zeca, fazendo uma mesura, pilheriou:

- O senhor primeiro, excelência.

Sorrindo, Matheus tomou a frente e girou a maçaneta para abrir a porta que Zeca lhe indicara.

[Continua]

segunda-feira, 2 de julho de 2012

1 Ano Pra Gente Rir

Há exatamente um ano atrás, era criado o maior blog do Brasil. Isto mesmo, hoje é o aniversário de um ano de sucesso do Pra Gente Rir. Quando criado, tinha pretensões modestas, mas surpreendeu a todos, inclusive os colaboradores, devido ao sucesso estrondoso que logo fez. E para comemorar este aniversário de um ano, responderei às principais perguntas que os nossos leitores assíduos me enviam por e-mail. Está aberto o primeiro FAQ Pra Gente Rir!

Das perguntas do FAQ.

1-De onde e como surgiu o nome "Pra Gente Rir"?
Certa vez o Boretti e eu conversávamos por MSN, quando ele me enviou um arquivo de áudio, onde ele dizia a seguinte frase: “Fala alguma coisa aí Kily, pra gente rir”. Desde então, nossas frases passaram a terminar com “pra gente rir” com mais frequência, pois virou um bordão entre nós. Quando criamos o blog, o nome veio naturalmente.

2-O R morreu?
Não. Infelizmente não.

3-Quanto vocês faturam com os anúncios do google adsense no blog?
Milhões de coxinhas.

4-De onde vocês tiram ideias para as postagens?
Não posso responder por cada um dos colaboradores do blog, mas vou falar quais princípios eu utilizo para escrever meus textos (são cinco). A) Exagerismo: termo por mim criado, que expressa o uso de hipérboles, com o intuito de alcançar, dentre vários objetivos, a; B) Ironia: utilizada nas maioria das  (poucas) piadas de meus textos, e que consiste em expor uma mensagem, cuja ideia é exatamente o sentido oposto ao transmitido; C) Nonsense: enredo sem sentido, com acontecimentos absurdos e até mesmo contraditórios. Utilização de pleonasmos e de imagens desconexas, com legendas sugestivas; D) Piadas internas: incluindo acontecimentos de conhecimento exclusivo de alguns leitores do blog, assim como uso de bordões de amigos e colegas meus; E) Marlon Brando: dar um jeito de colocar o Marlon no meio da história.

5-O mundo vai acabar em 2012?
Não. Como diria um amigo meu: o mundo não pode acabar ainda! Eu ainda nem perdi a virgindade. D=

6-Quer casar comigo?
Opa. Vambora.

7-De onde tiraram inspiração pra fazer o blog?
Inspiração? Cara, da uma olhada nas nossas postagens. .-.

8-Qual o resultado da conta 10/5.(1+4)?
Vai estudar, minha filha. Isso aqui é um FAQ, não o Yahoo Respostas.

9-Vocês já pensaram em ser vlogger?
Para ser franco, eu já pensei sim. Tive uma ideia muito original. Pensei em gravar vídeos onde eu interpreto um cara estrábico, deprimido, que vive resmungando e xingando todo mundo. Eu até já tinha um nome em mente para meu vlog: Max Poxa Vida.

10-Deixa eu ser colaborador do Blog?
Hum, vamos ver... Você sabe lavar, passar e cozinhar?

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Coisas que não entendo


... sobre Libertadores, Eurocopa e Carlinhos Cachoeira.

Fugindo um pouco do intuito do blog, que é o de fazê-lo rir, esta postagem não terá a menor graça¹. Se seu objetivo é rir, não leia este post. Leia este. Esta postagem é apenas um desabafo pessoal.

Falarei de alguns temas atuais, que estão na mídia todos os dia
s. Começo falando da paixão nacional: o futebol. Como todos sabem, hoje é o dia do primeiro jogo da final da Taça Libertadores da América, principal torneio continental das Américas. E o meu Corinthians, depois de 101 anos de gozações, finalmente chegou a uma final. O Corinthians, apesar de jamais ter vencido este torneio e busque o título inédito, é um time que sempre é manchete nos jornais. E uma das frases prontas que me deixa puto é aquela que diz que o Corinthians é o Brasil na final da Libertadores. Todo mundo sabe que o Corinthians não é o Brasil na Libertadores. O Corinthians é os corinthianos na Libertadores. Torcedores rivais vão torcer contra o Corinthians, porque todo mundo quer ver o Corinthians se ferrar. Creio que o Corinthians é muito mais a Argentina na Libertadores do que o Boca Juniors, isso sim.

Esta final tem uma importância muito grande para o clube alvinegro na temporada de 2012. Provavelmente, estes dois jogos da final contra o Boca Juniors serão dois dos jogos mais importantes da história do clube. Agora, eu me pergunto: quem é que foi que fez a merda do regulamento da Libertadores? Vou lembrar os mais esquecidos que nas fases de mata-mata (oitavas, quartas e semifinais), existia a regra do gol fora com peso maior. Não explicarei a regra em detalhes aqui, pois quem tiver interesse em conhecê-la, que pesquise no oráculo. Eu até entendo o motivo de terem criado a regra do gol fora: com a valorização dos gols marcados no estádio do time mandante, os organizadores da competição visam incentivar o time visitante a buscar o gol adversário, e não apenas jogar na retranca, pelo empate. Só que na final do torneio, esta regra simplesmente desaparece. Completamente sem lógica. Eu até entenderia o sumiço desta regra, se fizessem igual fazem na Champions League, uma final em partida única, disputada em estádio definido antes mesmo da competição começar. E ainda assim não daria muito certo, pois aqui não é a Europa e o interesse por jogos de times não locais não seria igual. Mas voltando a mudança de regra na final da Libertadores, pra mim a Conmebol cagou no regulamento.

Outra competição que está acontecendo concomitantemente com a Libertadores é a Eurocopa. Se você é o tipo de pessoa que não se interessa por Eurocopa, eu respeito seu desinteresse. Agora, se o motivo pelo qual você não se interessa pela Eurocopa é pelo fato da seleção brasileira não disputar esta competição, eu lamento pela sua existência e espero que você morra. Os organizadores da Eurocopa, com inveja dos organizadores da Libertadores, também quiseram defecar no regulamento desta competição. Ainda na fase de grupos, pude notar que o confronto direto é o primeiro critério de desempate quando duas ou mais equipes terminam com mesmo número de pontos. Considere o seguinte caso hipotético do grupo X:

ESPANHA 5 x 0 PORTUGAL
ALEMANHA 3 x 3 ITÁLIA
ITÁLIA 0 x 0 ESPANHA
ALEMANHA 1 x 0 PORTUGAL
PORTUGAL 0 x 3 ITÁLIA
ESPANHA 1 x 1 ALEMANHA

O fato incontestável neste grupo é que tivemos um tríplice empate entre Espanha, Alemanha e Itália, que terminaram com 5 pontos cada. Portugal foi o saco de pancadas do grupo, e não pontuou. Apenas duas equipes passam de fase, portanto, uma das três equipes que somaram 5 pontos deverá ser eliminada. No meu entendimento, a Espanha deveria se classificar em primeiro lugar, pois teve a melhor campanha, com saldo de gols +5, e em segundo lugar deveria ficar a Itália, pois teve saldo de gols +3. A Alemanha, com +1, ficaria em terceiro lugar e seria eliminada. Mas pelo belíssimo regulamento da Eurocopa, não é assim que funciona... Pra começar, devemos ignorar todos os jogos de Portugal, pois eles não nos interessariam. Sobram os três empates entres os três times que disputam duas vagas. O critério de desempate seguinte são os gols pró. Neste caso, pelo regulamento da Eurocopa, a Alemanha se classificaria em primeiro lugar, pois fez 4 gols nos confrontos diretos; em segundo lugar, ficaria a Itália, pois fez 3 gols; e eliminada, em terceiro lugar, ficaria a Espanha, pois fez apenas 1 gol. Note que não importa se a Espanha venceu Portugal por um à zero ou por mil à zero. Isto é irrelevante como critério de desempate. Acho meio que um contrassenso uma classificação que não privilegia as melhores campanhas.

Seguindo com minha ladainha, devo criticar a Globosta por transmitir apenas os jogos decisivos. Eles não transmitem nada da competição. Aí chega nas quartas de finais e resolvem transmitir Espanha x França. Parabéns Globosta! Já a Band, que por sinal tem uma transmissão que eu gosto muito, peca ao exibir o poderoso Campeonato Brasileiro aos domingos, ao invés de passar a Eurocopa. O Campeonato Brasileiro tem edições anuais, com duração de oito meses cada. A Eurocopa tem edição quatrienal, com duração de apenas um mês. E ainda assim, a Band acha preferível transmitir em TV aberta o jogo do Brasileirão. Como diria o craque Neto: É BRINCADEIRA?!

Outra coisa que me deixa puto da vida quando tô assistindo um jogo internacional, é quando o narrador ou os comentaristas dizem “o brasileiro Pepe, o brasileiro Thiago Motta, o brasileiro Eduardo Silva”. Meu deus! Eles não estão defendendo o Brasil e não são brasileiros! Se bobear esses caras nem sabem onde fica o Brasil! Então parem de contar vantagem quando o brasileiro Pepe jogar bem ou fizer gol. Mas se realmente insistirem em falar dos “brasileiros”, então falem integralmente. E não se esqueçam de falar também que o brasileiro Marcus Túlio Tanaka (olha o Tanaka na pista) matou quebrou o braço do Didier Drogbá.

Enquanto eu escrevia este texto, a Espanha eliminou Portugal nos pênaltis. Espero que amanhã a Alemanha vença a Itália (apesar de apreciar as duas seleções), pois gostaria de ver novo jogo destas duas seleções. Espero apenas que, na eventual final, desta vez a Alemanha não traia o seu próprio estilo de jogo contra os espanhóis, indo para a retranca e cometendo suicídio. Que joguem o mesmo futebol que vêm jogando.

Charles Puiol Carles Puyol, jogador do País Basco que vem
sendo o destaque da equipe na Eurocopa até o momento.

Bom, pra não dizerem que todo brasileiro é alienado e só sabe falar de futebol, gostaria de encerrar esta merda de postagem falando do caso Carlinhos Cachoeira. O que quero falar é bem simples. Que o Sr. Carlos é um mafioso, isto não se pode questionar. Seguindo a mesma ideologia da Omertà da Máfia siciliana, os interessados estão dispostos a ameaçar e até mesmo silenciar os envolvidos na rede do crime organizado. O que eu não entendo é o seguinte: o Sr. Márcio Thomaz Bostas Bastos, advogado de defesa do Sr. Cachoeira, procura achar irregularidades na “colheita” de provas, tais como gravações, alegando que as mesmas não teriam sido autorizadas pela justiça. Em outras palavras, vendo que seu cliente é culpado, ele parte para outra estratégia: invalidar as provas. Me sinto atoleimado ao pensar que a justiça brasileira dá margem para tal atitude. Então quer dizer que se as provas foram colhidas irregularmente, isto faz com que o Sr. Cachoeira passe a ter uma conduta ilibada? O caráter criminoso de suas ações simplesmente deixaram de existir? Ou melhor, jamais existiram? Quem explica uma merda dessas?

Márcio Thomaz Bastos, advogado, ex-escritor e ex-Ministro da Justiça.
Na foto da esquerda, seu antigo cabelo, quando ainda escrevia, sob o pseudônimo
de Ferreira Gullar. Na imagem da direita, uma foto atual, enquanto acompanha o
caso de seu cliente bandido injustamente indiciado.

Em mês de Festa Junina, Carlinhos Cachoeira se gaba por ter uma das maiores
e mais bem sucedidas quadrilhas do Brasil. (Créditos da foto e do trocadilho: Kily)

Pra finalizar de vez, ouvi num jornal hoje (mas não no Jornal Hoje) que o senador Demóstenes Torres fez um pedido para não cassarem seu mandato. Aí algum outro bandido cara de lá disse que iam marcar um dia para votarem sobre a cassação ou não do mandato dele. E a maracutaia já está armada, pois marcaram a votação para uma data próxima ao recesso parlamentar, quando todos os nossos queridos políticos estão cansadinhos de tanto roubar trabalhar. E pra fechar com chave de ouro, o maior motivo da minha indignação, o voto será secreto, assim como foi no caso da Jaqueline Roriz. A história se desenrola novamente, do mesmo modo. Este voto secreto é apenas uma artimanha para que políticos com o rabo preso possam votar na moita, sem que ninguém saiba qual foi seu voto. Aí é fácil dizer que votou a favor ou contra a cassação, sendo que ninguém saberá se diz ou não a verdade. Eu quero ver é político votar contra a cassação, sem essa de voto secreto, e depois justificar-se perante a sociedade do porquê de seu voto. E ainda tem uns deputados vagabundos, como o Sr. Silvio Costa, que fica bravinho quando entrevistado pela reportagem do CQC e diz²: “Por que é que eu tenho que explicitar o meu voto aqui?”. Eu respondo para o senhor: porque quando o senhor queria estar “aqui”, vossa excelência pediu em rede nacional o voto de seus eleitores, pois seria o representante deles. E como o povo pode saber se o senhor representa os interesses e inclinações ideológicas deles, se vossa excelência vota secretamente? Vossa excelência é desprovido de honestidade e de honradez”.

Demóstenes Torres, antes de iniciar sua vida política, era empresário de celebridades
instantâneas. Na foto acima, vemos ele conversando com As Esquiletes,
popular grupo musical que ele promoveu antes de começar a roubar se eleger senador.

Termino citando literalmente a fala do Marcelo Tas, no dia em que a reportagem que acabei de aludir foi ao ar²: “POR QUE QUE EU DEVERIA REVELAR O MEU VOTO? EU VOU DIZER. SABE POR QUÊ? PORQUE VOCÊS SÃO FIGURAS PÚBLICAS! CÊS FORAM ELEITOS PELO POVO! O POVO TEM DIREITO SIM DE SABER PORQUE... O QUE QUE VOCÊS VOTARAM! PORRA! É CLARO QUE TEM DIREITO DE SABER! POR QUE QUE NÃO TEM?”.

¹ E as outras têm graça?!
² Para ver a matéria completa, clique aqui.


quinta-feira, 31 de maio de 2012

GTA Brazil


Para as pessoas que vivem nas grandes cidades e já tiveram o privilégio de jogar algum dos games da franquia GTA, poderá notar certa semelhança entre as cidades imaginárias do game e as grandes metrópoles da vida real. E para isto existe uma explicação extremamente simples: as grandes capitais brasileiras, a exemplo das americanas, foram projetadas e construídas inspiradas nas cidades do game GTA.

Quem vive nas grandes cidades sabe como o movimento é intenso. No meu caso, que saí do pequenino condado de Piraju e vim morar na capital tupiniquim, percebo com maiores detalhes as discrepâncias entre um município interiorano e uma capital. Aqui, tal como no GTA San Andreas, o tempo todo está acontecendo algo. De início, quando eu jogava GTA, achava que só estavam acontecendo coisas onde eu estava, quando de repente, para minha surpresa, pude notar motoristas barbeiros batendo e derrubando os postes de energia elétrica, policiais atirando contra supostos bandidos, atropelamentos estapafúrdios, pessoas caindo no rio e morrendo afogadas (ou com o impacto do corpo contra a água, não tenho muita certeza). Fato é que a cultura na cidade grande é semelhante a do jogo, pois sempre que estou nas regiões mais movimentadas de Brasília, vislumbro pessoas correndo como loucas para atravessar a rua quando o semáforo abre, motoristas buzinando e quase batendo seus carros uns contra os outros.

Isto sem falar dos acidentes. Ontem mesmo eu estava preso dentro de um busão, no engarrafamento típico do início da noite, quando vejo na faixa contrária uma viatura do corpo de bombeiros parada socorrendo um motociclista acidentado. Logo atrás, outra viatura socorria outro acidentado, creio eu que a segunda pessoa que acidentou-se juntamente com o indivíduo anterior. Mas o mais incrível foi que, depois do ônibus andar uns 50 metros (o que deve ter levado quase uma hora), havia outro acidente na pista contrária, ou seja, o indíce de acidentes ali é altíssimo. Detalhe: tinha acabado de começar a chover. A chuva mal começara, e com ela também vieram os acidentes. Ah, e por falar em chuva, em cidade grande, quando começa a chuviscar, a pista já fica totalmente molhada. Se chove um pouco mais forte, percebe-se os primeiros acúmulos de poça (o suficiente para encharcar tênis e meia de qualquer pedestre, ou de molhá-lo por inteiro, quando um motorista ignorante faz a água espirrar por cima dos pedestres, como uma tsunami). E se chove forte, como costuma acontecer de vez em quando, pode preparar os barcos, pois a cidade fica completamente alagada, a água ficando na altura do pulso da mão (considerando a mão levantada em linha reta acima da cabeça).

Outra coisa que eu acho interessante são os policiais daqui de Brasília. A formação social da população brasiliense é totalmente diferente. Pra começar, as pessoas são mais mal humoradas. O cobrador do ônibus nunca te dá bom dia ou um obrigado - eles não têm tempo para perder com isso. Também pudera, se eles fossem dirigir a palavra a cada pessoa que eles atendessem, não fariam outra coisa senão dizer bom dia. Aqui ninguém perde tempo com nada. Se um passageiro senta do lado do outro, eles não conversam. Aqui o pessoal tem juízo. Ninguém fica jogando conversa fora. Ninguém ta afim de levar uma facada na boca. Mas voltando aos policiais - estou divagando -, o fato da cidade ter uma outra formação social, faz com que o comportamento dos policiais difira e muito dos seus companheiros de corporação que atuam numa cidade pequena. Em Piraju, além da demanda de trabalho ser pequena para policiais, as piores coisas que lhes acontece é ter que retirar o gato de cima de uma árvore, juntamente com a ajuda do corpo de bombeiros; ou ainda, os policiais interioranos encontram e lidam com alguns vagabundos, e algumas raras vezes, um bandido de verdade. Já aqui em Brasília não: a polícia está o tempo todo com o sinal de alerta ligado. Eu mesmo quando estou voltando da faculdade e desço do ônibus, sou obrigado a cruzar com uma viatura da polícia, abordando três indivíduos, estes com as mãos na nuca, sob comando da frota policial. Eu fico imaginando como deve ser a adrenalina de ser policial em cidade grande. Por exemplo, se um bandido apontar um revolver pra minha cara ou pro meu peito, provavelmente eu vou sentir medo e nervosismo. Creio que terei a consciência de que tudo poderá acabar naquele momento, se eu fizer um movimento brusco, ou se acidentalmente o bandido pressionar o gatilho e estourar a minha cara com o impacto do projétil. Então o policial deve se sentir com uma adrenalina parecida, pois como a cidade é grande e tem muita gente, ele não conhece ninguém, e nunca sabe quem é o cidadão de bem e quem é o bandido - se bem que eles devem farejar o perigo iminente. Em todo caso, eles sabem que estão ali para matar ou morrer, assim como os bandidos. Então, partindo desse raciocínio, creio que eu já fui um bandido na mente de alguns policiais aqui de Brasília e, talvez vou até mais longe com isso: um desses policiais até fez suas preces finais, achando que eu iria tirar-lhe a vida, ou oferecer-lhe uma dose de abacaxi (o que vai contra os meus princípios).

Os bandidos também são uma atração a parte aqui em Brasília. As inúmeras gangues que existem aqui estão tentando dominar a cidade, cumprindo o maior número de missões que forem capazes, conquistando o maior número de territórios possíveis aqui em Brasília, e tentando pichar a cidade inteira. Cada gangue tem suas características que a diferenciam de todas as outras, que vão desde a tonalidade da pele (menos preta, mais preta ou ainda mais preta), as indumentárias, a cor da pele, os trejeitos e até mesmo a cor da pele. Brasília, como já dito, possui um trânsito muito carregado, pois a média de Brasília é de três veículos por habitante. E o mais impressionante é que nos horários de pico, onde todo mundo resolveu sair de carro, tem pelo menos duas pessoas em cada carro. Na boa pessoal, quem ta dirigindo todos esses carros?

Com uma frota tão grande, é compreensível porque o mercado da delinquência esteja num crescendo. Dados estatísticos apontam que a cada dia pelo menos três pessoas começam a delinquir, partindo para a formação na vida do crime. E a expectativa é que o mercado brasiliense consiga absorver todos estes profissionais do segmento criminoso. Numa proporção bem menor, formam-se os policiais, que como já dito, garantem a segurança de todos nós. Os bandidos, que também já jogaram GTA (faz parte da formação teórica deles como criminosos), sabem que para cumprir determinadas missões precisam de dinheiro para custear as armas, granadas, coletes à prova de balas e até mesmo outros acessórios. Então, como qualquer pessoa normal, eles procuram um jeito de conseguir esse dinheiro para iniciar seu negócio. O jeito que encontram é inspirado na excelente formação que tiveram em GTA: roubando um táxi e fazendo algumas corridas (ou ainda, aqui tem uma outra modalidade, que é a do transporte pirata), roubando um carro de polícia e fazendo missões como policial, matando seus iguais, ou ainda utilizando do método clássico e preferido por aqui: espancando até a morte com um taco de beisebol o primeiro idiota que aparece a sua frente na rua e torcendo pra ele ter dinheiro.

Enfim, esse assunto é muito longo e não quero me estender mais, por isso o encerro por aqui, enquanto ainda estou por cima.

Um típico policial de Brasília.

 Vem aí: GTA Brasília! Mais uma promessa de sucesso de vendas 
de um produto desenvolvido pela Rockstar Games.

Ryder sobre ele mesmo: "Shit, CJ! Shit!"

Cenas exclusivas de como será o novo jogo, divulgadas pela Rockstar com
exclusividade para o Pragenterir: gráficos mais realistas, som ambiente perfeito
e possibilidade ilimitada de movimentos dos personagens. O jogo GTA Brazil contará
com três cidades: San Pablo, Rio de Febrero e Braziléia (em destaque no vídeo).

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Lei de Murphy e o Problema do Pão


Se alguma coisa pode dar errado, dará.

Esta famosa frase, enunciada por um antepassado do Eddie, ficou famosa como sendo a Lei de Murphy. Especialistas da área do Direito dizem que a Lei de Murphy é uma das poucas leis que funcionam integralmente no Brasil, perdendo apenas para a Lei da Gravidade e para a Lei T'amento. A Lei de Murphy, ou simplesmente A Lei, preconiza que as coisas tendem a dar errado, ou seja, se tiver algum jeito de você se ferrar, não se preocupe em tentar evitar tal situação, porque isso irá acontecer inevitavelmente.

Já o segundo enunciado dA Lei, que também é interessante, diz: se para desempenhar determinada atividade, houver quatro maneiras dessa atividade dar errado e você sabiamente prever as quatro e se precaver para que nenhuma delas aconteça, surgirá uma quinta maneira inesperada e sua atividade dará errado.

Este enunciado complementa o primeiro, dizendo que não importa o nível da sua precaução, pois se for pra dar errado, dará de qualquer jeito. Baseado nisso, após muita reflexão, eu elaborei um problema que ilustra de maneira simples como a Lei de Murphy funciona. Observe abaixo o caso hipotético deste problema, aclamado pela comunidade científica:

Você está chegando em sua casa, após voltar do trabalho, da escola, da acadêmia, do Pirabar ou de qualquer outro lugar. Você está cansado e faminto e pretende comer pão, mas lembra-se que o pão acabara no café da manhã. Então você pensa: é simples, vou passar na padaria da esquina para comprar alguns pães e o problema está resolvido.

Mas você se esqueceu de algo, caro leitor... não estamos falando de qualquer problema. Estamos falando do Problema do Pão. E é aí que surge o paradoxo: você fica na dúvida se algum outro morador de sua casa já comprou os pães. Lembro ao leitor que você está faminto, e morto de cansaço. Fazendo uma citação shakespeareana: Comprar ou não comprar pão? Eis a questão.

Analisemos as duas opções e as desvantagens de cada uma (nenhuma delas possui vantagem real): se você comprar pão, quando chegar em casa, corre o risco de constatar que algum outro morador já comprou o bendito pão. Nesse caso, vocês serão obrigados a comer pão duro, velho e com bolor por alguns dias, já que foi comprado um número de pães maior do que seu clã costuma consumir. Ou ainda, podem jogar fora os pães excedentes, mas isso não elimina o desperdício do dinheiro e consequente sucesso da Lei de Murphy.

E por último, mas não melhor, nós temos uma segunda opção: não comprar os pães e ir para casa, na esperança que alguém já tenha comprado. Obviamente, neste caso, você irá constatar que ninguém comprou pão e você irá morrer de fome, pois suas energias não são suficientes para voltar até a padaria comprar os pães. Tal como aqueles jogos de corrida de carro, se você se aventurar a ir até a padaria, ficará no meio do caminho, por falta de combustível.

A conclusão do Problema do Pão, por mim proposta, já foi analisada por diversos filósofos, e uma tese foi elaborada pelo norueguês Jostein Gaarder, autor de um tal de "O Mundo de Sofia". Ele diz que não importa qual decisão o sujeito tome nesse problema, pois tomando a Lei de Murphy como verdade absoluta, independente da decisão no Problema do Pão (e em qualquer outro problema na vida) o universo dará um jeito de fazer sua decisão ser a errada. Segundo ele, o pão ter sido comprado ou não por outra pessoa não é um fato consumado e independente do restante do problema, mas sim uma consequência da decisão do indivíduo. Jostein Gaarder afirma haver uma relação de causalidade entre os eventos, sendo que, ao contrário do que estamos acostumados, o evento primeiro é o efeito e o evento último é a causa. Gaarder recebeu muitas críticas por sua teoria, por não explicar a relação de causalidade invertida que propôs. Muitos consideram que há uma lacuna em sua explicação, mas, como nenhuma teoria melhor surgiu até então, essa vem prevalecendo entre a comunidade científica.

Outro claro exemplo de algo que acontece com frequência em nosso cotidiano, que tem a mesma base do Problema do Pão, é relacionado a previsão meteorológica. Observe que quando você sai munido de três blusas de frio, duas calças (a do pijama por baixo) e guarda-chuva, faz um sol de rachar. E quando você sai de casa com uma camiseta regata, shorts, chinelas e até mesmo tendo passado protetor solar, cai um dilúvio de 40 dias e 38 noites em sua cidade, contrariando a previsão do tempo do jornal. Mais uma vez, a previsão é apenas o efeito de uma relação cuja causa é a maneira como você sai de casa.

Tais raciocínios me fizeram lembrar de um pensamento de um grande amigo murphyano meu, e é com uma paráfrase deste pensamento que encerro minha postagem.

"No jogo de Winning Eleven, quando estiver jogando contra a máquina, não importa o que você faça, não importa o tamanho de sua habilidade, não importa o nível de seu empenho e de sua concentração, você irá tomar gol de qualquer jeito. [...] Chegar ao gol adversário é fácil, fazer gol é difícil. Marcar (os jogadores adversários) é fácil, não tomar gol é impossível."

Representação simbólica de uma possível personificação da Lei de Murphy.

 Algumas pessoas vivenciam cenas cômicas por causa da Lei de Murphy...


... já outros se ferram pra valer por causa dela. Na imagem acima,
foto de Marlon Brandon Lee, ator que morreu durante uma cena no filme "O Corvo",
seu penúltimo trabalho como ator. A causa mortis foi a Lei de Murphy.