sábado, 17 de janeiro de 2015

Windows Live Messenger


O Windows Live Messenger¹ foi um mensageiro instantâneo muito popular no Brasil até alguns anos atrás. No entanto, ele foi desbancado pelo maldito Facebook maldito, que possuía a mesma funcionalidade de bate-papo que o MSN, além de ser um site de relacionamentos com outras funções que atraem o populacho. Mas é justamente a ausência da funcionalidade de rede social do MSN que faz dele uma ferramenta mais valiosa que o Facebook.

O Windows Live Messenger era o principal software utilizado para que pessoas com uma conta vinculada ao Live pudessem enviar e receber as mensagens instantâneas. No entanto, foi o nome MSN que popularizou o uso desse programa na linguagem dos usuários, marcando essa era da internet. Que, infelizmente, ficou para trás. =(

No MSN, fiz amizades, namorei, passei o tempo papeando e jogando e dei boas risadas. Esta postagem é uma daquelas nostálgicas que o Boretti fazia antes dele acertar na Mega Sena e abandonar o blog, aquele V1D4 L0K4 safado.

Antes de começar a falar propriamente do software Windows Live Messenger, quero falar do pré-requisito para utilizar o programa. Era necessário ter uma conta vinculada ao Windows Live, pacote de programas do qual o Messenger fazia parte. Em geral, as pessoas criavam conta no Hotmail, com um e-mail com domínio @hotmail.com, @msn.com ou @live.com. Mas principalmente no domínio @hotmail.com, verdadeiras pérolas apareciam no username dos usuários. Eis alguns exemplos de e-mails: bia_lindinha_fofinha@hotmail.com, ju_h_tinha_15@hotmail.com, bruno_sk8@hotmail.com, everton.crazy-life@hotmail.com, gigi_mina_fmz@hotmail.com, renato_27cm@hotmail.com. Até hoje sofro preconceito por minha preferência por continuar com meu e-mail @hotmail.com, dos tempos de MSN, pois, segundo um amigo meu, tal e-mail não transmite seriedade – sobretudo no universo acadêmico em que frequento atualmente. Obviamente, esse preconceituoso amigo só podia ser um adepto do bostoso Gmail...

Layout principal do Windows Live Messenger, onde o usuário visualizava todos os seus contatos, com destaque para os que estão online

A primeira coisa legal do Windows Live Messenger é que ele te anunciava quando um usuário entrava no programa. Isso era bacana, principalmente quando quem estava entrando era a pessoa com quem você queria falar. Contudo, tal função permitia abuso por parte de usuários. Um desses abusos era de usuários que bloqueavam e desbloqueavam seguidamente um determinado usuário, para que a mensagem “Fulano acabou de entrar” aparecesse seguidas vezes para esta "vítima", deixando bem claro que a pessoa queria se fazer notada. Se a pessoa, no entanto, quisesse encher o saco de não só um, mas de toda a sua lista de contatos, era só mudar seguidamente o status para invisível, disponível, invisível, disponível, quantas vezes quisesse, até travar o computador de geral que estava online. Domingão à tarde, quando estava rolando futebol na TV, direto alguém mudava seu nome para “GOL!!!” só para poder narrar para todo mundo que seu time do coração acabava de marcar um tento no jogo futebolístico. Tal prática só foi coibida quando entrou em vigor o Código de Ética da Internet.

Em geral, o abuso da notificação de entrada no Windows Live Messenger denotava uma carência do sujeito que usava tal ferramenta, como nosso amiguinho aí de cima.

Outra opção do MSN era a “ativar o que estou ouvindo”. Neste caso, todo mundo via qual era a música em execução no Windows Media Player do usuário. Algumas pessoas que utilizavam essa opção, inclusive, esqueciam que estavam invisíveis no status (para não serem incomodados), e acabavam se entregando, quando a faixa de sua música mudava, e, consequentemente, seu subnick do MSN. O Boretti mesmo era um desses engraçadinhos, que vivia com o status invisível, mas eu só percebia que ele estava curtindo um sertanejo universitário, principalmente canções do seu então ídolo da época, Luan Santana.

Um usuário utilizando o recurso “ativar o que estou ouvindo” do Windows Live Messenger

A foto de perfil de cada usuário também era um destaque do MSN. Alguns mudavam a foto da conta mais do que eu mudo de ceroulas. Outros, como eu, mudavam raramente. No meu caso, a foto que usei por mais tempo foi uma das fotos padrão do próprio MSN: um tabuleiro de xadrez. Já o Boretti, como bem me lembro, usava a imagem padrão do MSN de uma palmeira.

Minha saudosa imagem de perfil do MSN

O usuário também podia alterar o cenário do Windows Live Messenger. Basicamente, cada usuário podia personalizar sua conta para que a tela principal e as janelas de conversações ficassem do seu agrado. O programa já vinha com cenários instalados, mas o usuário poderia acrescentar outros, conforme seu gosto. O meu, é claro, era o mais escuro possível.

Tela de personalização do cenário do Windows Live Messenger

Outro aspecto que o usuário podia personalizar era sua fonte cujas mensagens apareceriam para os demais usuários. No meu caso, eu utilizava a fonte Comic Sans MS, negrito, rosa choque: Pra Gente Rir.

Os emoticons incrementavam as conversas. Todo mundo que conversa pela grande rede sabe que uma frase às vezes é insuficiente para expressar a intenção do interlocutor. Por exemplo, um “uhum” pode ser uma concordância normal, confusa, irônica ou até mesmo irritada. Os emoticons serviam para mostrar para as pessoas como estava o estado de espírito de seus interlocutores. Além dos emoticons padronizados do Windows Live Messenger, era possível acrescentar outros emoticons a sua lista, deixando-a personalizada. Eu, por exemplo, gostava muito do emoticon ¬¬” do Tuzki.

Lista de emoticons padronizados, que já vinham instalados no Windows Live Messenger

E o emoticon do Tuzki: ¬¬”

O problema era que o pessoal abusava um pouco. Algumas pessoas exageravam na quantidade de emoticons, igual uma amiga minha, que tinha um emoticon só para a letra D, que era uma letra na fonte do logotipo da Disney, só que toda brilhante, como se estivesse cheia de purpurina. Então, quando essa minha amiga me dizia a seguinte frase “o dia de hoje deverá ser divertido demais, cheio de felicidade!”, meu PC bugava, dava pau e quase explodia, de tanta informação desnecessária na tela. Mas amigos são assim, temos que aceitá-los como são, mesmo com seus defeitos. Mesmo que sejam lá de Guaianases.

Essa imagem lembrou muito das minhas conversas com minha amiga de Guaianases, viciada em emoticons

E era isso o que acontecia quando todo mundo avacalhava com seu Nick ou subnick do MSN, virava uma poluição visual enorme na tela principal

Quando alguém era deixado “no vácuo” no MSN, esperando muito tempo pela resposta, podia utilizar o recurso “chamar a atenção”. Esse recurso tinha um som característico e fazia com que a janela de conversação do usuário tremesse, quase dando pau no PC. Como o recurso de chamar a atenção enchia o saco de todo mundo, ele era limitado. Após chamar a atenção uma vez, o usuário deveria esperar um tempo para poder utilizar novamente o recurso com o mesmo amigo.

Windows Live Messenger avisando usuário de que ele já chamou a atenção do usuário recentemente. Na imagem de baixo, o ícone que fazia dar pau no PC alheio.

E não era só o “chamar a atenção” que tinha um som próprio. O MSN também permitia o envio de áudios pré-definidos e também o envio de áudios gravados instantaneamente igual o Uatizapi. Foi num desses envios que o Boretti me envio o clássico “deu pau aqui no pc que droga”. E também foi em outro áudio que surgiu o nome desse blog, através do qual vos falo.

O MSN também tinha o recurso de chamada de áudio e de chamada de vídeo. O que me foi muito útil também, quando eu namorava à distância. Hoje em dia, também me seria muito útil, pois me permitiria conversar por vídeo com minha mãe. Você pode estar pensando: “ah, mas o Skype e o Facebook também possuem essas mesmas funcionalidades e também são gratuitas”. E eu respondo pra você: dane-se! O MSN era o melhor de todos os mensageiros instantâneos e eu o guardo com muito carinho em minha memória e em meu coração. Não dá para comparar com o (cachorro) Spyke ou o Livro-cara.

E a última função do MSN que quero descrever aqui, é a de game. O MSN permitia você disputar vários games com os amigos, aumentando os laços de amizade com os mesmos, enquanto conversava, ria, zoava e até mesmo xingava o adversário por sua sorte dos infernos. Joguei muito damas e campo minado com o Boretti e boliche com minha amiguinha de Guaianases.

Mas para que todas as funcionalidades do MSN estivessem em vigor, o usuário tinha que acessar sua conta pelo Windows Live Messenger. Caso o PC desse pau e ele tivesse que acessar via internet, como pelo eBuddy, aí a única funcionalidade que permanecia era a de bate-papo. Nem mesmo os emoticons ficavam mais disponíveis.

Bem, essa foi uma breve revisão dos principais elementos contidos no nosso querido Windows Live Messenger, que tanto nos cativou e depois simplesmente nos deixou, partindo nossos corações. O final da história todo mundo já sabe: O Windows Live Messenger foi absorvido pelo Skype e o serviço deixou de ser oferecido. Quem viveu essa época, viveu; quem não viveu, perdeu, e não sabe o que era internet de verdade. E nem falamos de outros aspectos, como o fato do Windows Live Messenger avisar o usuário quando sempre que ele recebia novo e-mail, nem da também traumática migração do Hotmail para o Outlook (da qual até hoje não me recuperei).

E eis que o Skype absorveu o Windows Live Messenger

Assim como o Outlook absorveu o Windows Live Hotmail

Sinceramente, espero que um dia percebam que cometeram um erro desativando o Windows Live Messenger, e que ele volte com tudo. Se ele voltar, do mesmo jeitinho lindo que era antes, eu prometo que excluo minha conta do Facebook. E aproveito o final dessa postagem, para renovar meus protestos de afeto e estima pelo Facebook: te odeio, sitezinho detestável!

Confira abaixo o MSN de alguns famosos:


 MSN do Chris

MSN do Seu Madruga

MSN do Goku

MSN do Silvio Santos

¹ Como o Windows Live Messenger foi comumente chamado por seus usuários como MSN, utilizarei este último termo de modo intercambiável com o do programa, para facilitar a leitura do texto. Vale ressaltar que os dois itens não são a mesma coisa, na prática.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Fotografia

Gostaria de agradecer à minha irmã pela ajuda nesta postagem. Valeu sua fedida!


Houve uma época em que tirar uma foto significava não apenas registrar um momento, mas uma vida, uma existência. A imagem abaixo ilustra o caráter da fotografia, quando esta ainda engatinhava, em seus primórdios.


Fotografia de Dom Pedro II.

De fato, antes da invenção da fotografia, as pessoas só conseguiam registrar sua imagem através de retratos, confeccionados por pintores especializados nesta tarefa. A imagem abaixo é um exemplo disso.


Darwin não viveu no período em que as fotografias já existiam, portanto, só temos representações suas em forma de pinturas. Sendo assim, não é possível afirmar com certeza se essa é uma cópia fiel da real aparência do naturalista inglês.

Os famosos retratos de família consistiam muitas vezes no ÚNICO registro que um clã possuía durante toda sua existência. Esta foto era uma relíquia, na qual mantinham um registro de todos os membros, mesmo após a morte de qualquer um deles.


Um antigo retrato de família.

Com o passar dos anos, a função social da fotografia sofreu diversas modificações. O acesso a técnica profissionalizou-se, mas ao mesmo tempo as câmeras passaram a ser acessíveis a diferentes públicos, que também puderam brincar de fotógrafos e registrar momentos no dia-a-dia.


Uma bela fotografia feita por um fotógrafo amador, mas já é quase semi-profissional.

Já faz algum tempo que a câmera fotográfica vem sendo utilizada pelo povo em geral, principalmente para registrar momentos especiais, como casamentos, nascimentos e festas de aniversários.


Típica foto de um passeio ao zoológico.

No entanto, atualmente, tirar foto se tornou algo corriqueiro, passou a fazer parte do cotidiano das pessoas. No Facebook, por exemplo, é hábito dos usuários publicarem uma foto recém tirada de si mesmos, sem nenhum motivo específico. Existe até quem cace likes na internet. E para isso, vale tudo: ressaltar as curvas da cintura, mostrar as pernas, salientar os seios. Um exemplo de perfil de uma usuária do Facebook com esse objetivo é o da Fatinha.

A arte de fotografar a si mesmo, que existe desde os tempos do finado Orkut, agora ganhou um nome: selfie. Essa é uma prática que sempre existiu, mas que só agora resolveram usar uma palavra inglesa para se referir a essa “modinha”¹.


Selfie nos tempos do Orkut. Não mudou muita coisa daqueles tempos pra cá.

A minha primeira crítica é para as pessoas que tiram excesso de fotos, como a Fatinha. Pra mim, isso significa uma de duas coisas: ou a pessoa tem a auto-estima muito comprometida, e só consegue se afirmar através do número de curtidas e de elogios que recebe no Facebook², ou ela tem excesso de narcisismo, considerando-se a última bolacha do pacote. Pois só isso justifica uma pessoa se fotografar diante do espelho o tempo todo, sem nenhum motivo para tal.

A minha segunda crítica é em relação à nova prática do selfie: as fotos coletivas. Não tenho nada contra as pessoas se fotografarem e registrarem seus momentos. Mas já vi casos em que as pessoas estão tão preocupadas em registrar um momento que estão vivendo – pois, afinal de contas, precisam ostentar (outra palavra modinha) o quão interessante está sendo tal experiência –, que se esquecem do mais importante: de vivenciar intensamente aquele momento.

Por fim, quero fazer a minha terceira e última crítica – eu não podia deixar passar essa oportunidade –, que é em relação ao pau de selfie. Confesso que até uma semana atrás, eu nem sabia o que vinha a ser a piroca de selfie. Fui lá, joguei no Google, para descobrir do que se tratava. Pelo que entendi, o pau de selfie consiste numa bengala que tem um suporte para fixar o aparelho que irá fotografar a galera. Aí quando eu vi, fiquei com cara do poker face, olhando para a tela do computador, pensando como o ser humano consegue a cada dia superar os seus próprios limites de estupidez... Como é que um ser humano é capaz de comprar um porrete só pra melhorar o enquadramento de suas fotos dentro da piscina, na churrascada, ou em qualquer outro lugar? Que sociedade consumista maldita é essa? Que tipo de lavagem cerebral é feita nas pessoas, a ponto de uma empresa inventar um produto desses e, pior, DAS PESSOAS ACREDITAREM QUE PRECISAM REALMENTE DELE³? Sem comentários. Encerro por aqui.


Vi essa foto na timeline de uma amiga do Facebook. Foi compartilhado pelo Psicologia da Depressão. Dou os devidos créditos de onde encontrei a imagem.



Um legítimo pau de selfie fake


¹ Utilizei o termo modinha entre aspas, pois considero que a modinha atual não é tirar fotos de si mesmo, mas sim referir-se a elas com o nome de selfie, uma vez que as mesmas, como dito acima, já existiam anteriormente, nos tempos do Orkut.

² Sempre me limito a falar do Facebook, mas o mesmo vale para Instagram e afins.

³ Para não dizer que sou ruim, compartilho um link de uma opinião favorável a vassoura de selfie aqui. Mas continuo discordando disso e achando uma grande bobagem.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Este Blog Está Falindo

Última postagem de 2014.
Era uma vez um cara que achava que escrevia bem e que podia ficar muito rico com isso. Mas com o tempo, ele descobriu que cometera um duplo engano. O primeiro deles, foi quando constatou que não escrevia tão bem assim. E o segundo, consequência do primeiro, é que não iria enriquecer através da pena na mão.
O cara dessa pequena história sou eu mesmo, e não vim aqui para me lamentar, mas sim para fazer um balanço do blog após o final de mais um ano de sua existência. Numa publicação futura, pretendo narrar em maiores detalhes o surgimento do blog. Mas, por enquanto, me limitarei a falar dos números do Pra Gente Rir, atualizado até a data desta publicação.
O Pra Gente Rir foi fundado por Kily no dia 2 de Julho de 2011. A fundação do blog consistiu na posse do domínio “pragenterir”. A imagem abaixo é uma relíquia que mostra um diálogo via messenger entre Kily e Boretti, na ocasião da fundação do blog.


Logo após este fato, Boretti recebeu poderes de administrador do blog, tendo os mesmos poderes que o criador, para administrar, postar e excluir postagens da página. Posteriormente, R também foi incluído como administrador do brógui.
Contando com esta publicação, até o momento foram realizadas um total de 89 publicações, sendo que 60 delas foram realizadas por Kily, 23 por Boretti e 6 por R¹. A seguir, um quadro ilustrativo apresenta o primeiro indício de que este blog está falindo. Veja:

Ano
Nº de Publicações
2011
39
2012
27
2013
14
2014
9

Repare no quadro mostrado que o número de publicações vem caindo a cada ano. E isso tem várias possíveis causas. A primeira hipótese é de que nós pseudoblogueiros não temos inspiração para escrever algo digno de ser publicado. A segunda delas, é que com o passar dos anos e com o rumo que nossas vidas tomaram, temos cada vez menos tempo para escrever. A terceira, e provavelmente a mais verdadeira de todas, é que descobrimos que não podemos ganhar a vida como blogueiros, portanto o custo x benefício de nos empenharmos na escrita mostra que não vale a pena o esforço. E é com base nessa terceira hipótese que eu lhes apresento mais uma informação que confirma o título desta postagem, de que este blog está falindo: nós tentamos angariar fundos para sustentar o blog e consequentemente pagar as pensões alimentícias de nossos respectivos filhos, através do recurso do Google Adsense. E até o momento, arrecadamos a ridícula importância de US$3,20. A seguir, uma imagem que não me deixa mentir a respeito do que estou falando.



Uma terceira evidência da iminente falência deste empreendimento é que o número de visitas ao blog teve um pico impressionante pouco tempo depois de sua criação. Pico este que desapareceu alguns meses depois, deixando os proprietários do blog na nostalgia do sucesso de antanho, agora substituído pelo desprezível número de visitantes do blog, que, suponho eu, na maioria entram nele por engano, e permanecem na página por um período inferior ao que leva para uma ejaculação precoce.


E um último número, é que este blog conta hoje com incríveis três seguidores, conforme podem ver no lado direito desta página. --->
Mas apesar do brógui estar falindo, apesar da falta de tempo, de motivação, de inspiração e de retornos financeiros, eu pretendo continuar tocando o barco, mantendo esse blog para a minha meia dúzia de fãs. Que, aliás, nem são tão fãs assim. Afinal, nem um deles morreria se esse blog encerrasse suas atividades. Sendo assim, então por que continuarei com ele? Bem, nem eu sei também. Eu acho que é porque este foi um blog feito pra gente rir.
Felis 2015.



¹ Notem ainda que a última publicação realizada por Boretti foi no dia 11/11/2012, com o texto TCC. R está em maior débito ainda com o blog, não publicando desde o dia 30/11/2011, com o texto A Morte. O blog está numa decadência tão grande que R já me confessou que nem ele mesmo entra mais em nossa página. Espero que leiam isso e criem vergonha na cara, seus dois bostas!

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Chaves

Faz alguns meses que decidi escrever um texto sobre o seriado Chaves no meu blog. Mas, devido à correria do dia-a-dia, ao cansaço e até mesmo à preguiça, acabei procrastinando, e por fim desistindo. Hoje, recebi a triste notícia da morte de Roberto Gómez Bolaños, o Chespirito, Pequeno Shakespeare, apelido dado a ele por conhecidos, devido a sua genialidade.

Ele partiu hoje, depois de uma vida extremamente produtiva, deixando sua marca por onde passou. A eternidade física é uma ilusão, mas acredito que Bolaños alcançou a imortalidade em seus personagens, pois sua obra continuará viva em minha lembrança e em meu coração.

Em homenagem a esse brilhante mexicano, que conquistou muita gente com a sua obra e com seus personagens, decidi que devia ressuscitar essa publicação. Se eu puder ter só um pouquinho daquele talento para fazer esta homenagem, já me sentirei realizado.

Obrigado, Chespirito!





CHAVES

Sou um fã da obra de Roberto Gómez Bolaños. Mesmo sabendo todas as falas de antemão e já conhecendo as piadas manjadas dos episódios, ainda sou capaz de me deliciar assistindo Chaves, Chapolin, Dr. Chapatin, Chaveco, Don Caveira e Pancada Bonaparte. Tenho uma sensação de paz quando estou vendo um episódio do Chespirito.

Na internet, a série Chaves é alvo de inúmeras discussões. Discussões estas que envolvem acontecimentos ao longo dos episódios, como erros de gravações que foram ao ar, incongruências entre informações dos personagens, traduções brasileiras e muitas outras curiosidades. São inúmeros os fóruns de discussão sobre esses temas. E a seguir, tentarei trazer a minha contribuição sobre alguns fatos (que considero) curiosos relacionados à série. Afinal, acho que são esses debates levantados que geram todo o imaginário que permeia Chaves e faz dela uma série que vem atravessando gerações e fazendo parte da infância de milhões de pessoas.

Então, passemos as curiosidades.



1 – O filme do Pelé

Quem não se lembra do episódio Vamos ao Cinema, em que toda a turma da vila vai pegar um filminho? Fora o microfone que acidentalmente aparece nas cenas do cinema, eu quero destacar outro fato desse episódio. Se eu perguntar para várias pessoas o que tem de mais marcante no episódio, provavelmente ouvirei delas que é o Chaves resmungando diversas vezes a frase “seria melhor ter ido ver o filme do Pelé”. Fiquei me questionando, qual seria esse filme do Pelé que O Menino do Oito se referia nesse episódio. Não cheguei a uma resposta, mas descobri algumas coisas interessantes.

A primeira delas, é que no episódio original, o qual assisti para escrever este post, o Chaves não faz nenhuma alusão ao Rei do Futebol, o que seria bem estranho mesmo, já que a série é mexicana. O filme que ele cita é outro. Na versão original, o Chaves refere-se ao filme El Chanfle. Pra quem não sabe, El Chanfle é um filme estrelado pelo mesmo elenco que compõe o seriado Chaves. Como se sabe, Chespirito tinha esse hábito mesmo de entrelaçar suas obras, umas nas outras. Quem não se lembra do Seu Madruga lendo o gibizinho do Chapolin Colorado? Portanto, o filme citado na versão original, nada mais é do que o próprio filme escrito e estrelado Bolaños.

A segunda descoberta interessante diz respeito ao próprio Pelé. Pra quem não sabe, o Edson já atacou de ator também, produzindo algumas pérolas no cinema nacional e internacional. Dentre elas, Edson participou de um filme brasileiro, Pedro Mico, mas por algum motivo, teve sua voz dublada pelo Milton Gonçalves. Será que ele é tão ruim ator assim?

Outra pérola do Edson é no filme Os Trombadinhas, em que ele fez uma cena que quase lhe rendeu o Óscar de Melhor Ex-Jogador de Futebol em Longa-Metragem. A cena a qual eu me refiro pode ser visualizada clicando aqui.

Bom, mas estou me desviando do objetivo desse texto para curiosidades sobre o Pelé. Voltemos ao tema principal do texto. Conjecturas à parte, não se sabe o que se passava na cabeça da galera do estúdio de dublagem da série no Brasil, quando decidiu citar o filme do Pelé no episódio do cinema. Provavelmente, jamais saberemos qual era o filme do Pelé que o Chaves preferia ter ido ver. O que sabemos, é que se todos os filmes do Pelé são um lixo, misericórdia do filme que eles estavam assistindo naquele cinema...



2 – A esquina

Já repararam na quantidade de pontos comerciais que ficam na esquina da Vila? A barbearia onde o Seu Madruga trabalhou ficava na esquina. O tão sonhado sanduíche de presunto que o Chaves queria comprar ficava na esquina. E o restaurante que a Dona Florinda assumiu ficava onde? Adivinhe? Se você respondeu “na esquina”, você acertou!

Além disso, a esquina também já abrigou um terreno baldio, que foi mostrado no episódio em que as crianças iam lá jogar futebol (não o nosso, mas o americano). Não se sabe se o terreno baldio fica na mesma esquina ou em outra, mas é provável que fique em outra.

Essa quantidade de pontos comerciais na esquina me levou a pensar no quão ruim é aquele ponto comercial. E em como o poder público investe pouco no comerciante. Devem ter feito uma mandinga das bravas naquele lugar, quem sabe a Bruxa do 71 não lançou um feitiço no antigo proprietário do imóvel, por não corresponder ao seu amor platônico? Estava bom de chamar um padre pra exorcizar aquele lugar, quem sabe até com o mesmo padre que ouviu a confissão do Chaves quando ele foi embora da vila por acharem que ele era um ladrão.



3 – Que Bonita Sua Roupa

No episódio Uma Aula de Canto, foi cantada uma das músicas mais famosas do Chaves, Que Bonita Sua Roupa. Sobre esta música, é interessante, em primeiro lugar, identificar que na versão mexicana, o título da música é Que Bonita Vecindad. Vecindad é uma palavra espanhola que pode ser traduzida como vizinhança. Mas a vizinhança em português virou “sua roupa”. Mais uma salva de palmas para os tradutores do seriado.

A coreografia da música é tão simples, que não precisa ser nenhum Michael Jackson para replicá-la, nem a ajuda do coreógrafo Fly. Entretanto, um possível erro na dança do pessoal da Vila é discutido até hoje. Tal erro é discutido, para saber de quem seria a culpa, e o que de fato teria acontecido no momento da gravação. Clique aqui para assistir ao clipe e acompanhar a discussão a seguir.

Com 1:30, Seu Madruga ri olhando em direção aos bastidores, movimento uma das mãos e dando um passo, como se deixando de dançar. A seguir, ele volta a coreografia. Entretanto, alguns segundos antes, pode-se perceber que os pulos do Mestre Linguiça estão dessincronizados em relação aos pulos dos demais personagens. Os defensores de Don Ramón o eximem de culpa nisso, atribuindo-a a Ruben Aguirre, o Professores Jirafales. Apesar do possível erro na coreografia, o episódio foi ao ar desse jeito, para curiosidade geral. E a maior curiosidade de todas consiste no fato de haver pessoas discutindo esse tema até hoje.



4 – Números estranhos

Mesmo Chaves tendo mais de mil episódios, incluindo esquetes, em todos os episódios em que Seu Madruga participa, sua dívida de aluguel com o Seu Barriga continua a mesma: 14 meses de aluguel. Seu Madruga jamais ficou devendo 13 ou 15 meses. Lembrem-se ainda que, num episódio, o Seu Madruga paga pelo menos um mês de aluguel. Mas ele continua devendo quartorze.

E por falar em quatorze, esse é o número da casa da Dona Florinda. O número da casa da Dona Clotilde é 71 e a da casa do Seu Madruga é 72. Qual é a lógica da numeração das casas na Vila? E será que podemos dizer que na Vila tem pelo menos 72 casas? Além das três casas em maior evidência, sabe-se ainda que tem a número 8, onde mora o Chaves, a 24, que fica subindo as escadas ao lado do barril do Chaves, onde já moraram Glória e Paty, mas também Jaiminho e Chiquinha, nas últimas temporadas. Só que, no Festival da Boa Vizinhança, os expectadores do espetáculo dirigido por Seu Madruga não chega a 20 gatos pingados (incluindo o Seu Barriga e o Mestre Linguiça, que nem ali moram).



5 – Seu Madruga

O Seu Madruga já deixou bem claro que não suporta ser acordado às 11 da madrugada. Aliás, porque Don Ramón em português ficou Seu Madruga?

Voltando a ideia inicial, todo mundo fala que o Seu Madruga é vagabundo, que não é muito dado ao trabalho, que é caloteiro, não paga o aluguel. Contudo, ele trabalhou num extenso hall de profissões que daria inveja em muita gente. Já vi o Seu Madruga trabalhando de marceneiro, barbeiro, pedreiro, jardineiro, boxeador, fotógrafo, professor de violão, vendedor de balões, vendedor de churros, terapeuta (conselheiro sentimental do Jirafales) além de já ter sido eventualmente diretor de Festival da Boa Vizinhança e de ter dado uma aula para a turminha que deixou a metodologia pedagógica do Professor Jirafales no chinelo.

Além de todos esses trabalhos, o Seu Madruga é um exemplo de homem, que disse algumas das frases que marcaram minha infância. Posso dizer que ele foi o primeiro filósofo que entrei em contato na minha vida. Encerro esta sessão com algumas de suas célebres frases:

A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena.

As pessoas boas devem amar seus inimigos.

Não existe trabalho ruim. O ruim é ter que trabalhar.



6 – A menina da escola

Num dos episódios que se passam na escola, um acontecimento muito estranho ainda me deixa com muitas dúvidas (link). Vou me limitar a descrever as falas da versão brasileira, embora haja diferença para a versão mexicana. O Professor Jirafales pergunta para a classe se alguém pode dizer o nome de tribos brasileiras. Uma menina, até então figurante, responde “os tamoios”. Todos olham espantados para ela. Logo em seguida, ela acrescenta: “posso ir ao banheiro?”. E o Professor Jirafales responde: “sim, Iara, sim”. E eis que a menina, após dizer essas seis palavras, levanta-se e sai da sala. E nunca mais aparece na série, em nenhum outro episódio.

Mais estranho ainda é o burburinho que fica na sala após a saída dela, principalmente a fala da Pópis, que diz, com sua voz fanha: “ih, menina, você viu? Eu nunca vi um negócio desses, que temperamental, hein? Você viu só? E se fosse eu o professor ia dar uma tremenda bronca”. Completamente sem sentido. A única coisa que consegui apurar sobre esta cena, é que a atriz que interpretou Iara foi Angélica María.



Concluindo...

Eu tenho muita coisa pra falar ainda, como as referência épicas na versão brasileira a Pedro de Lara, Maitê Proença e muitas outras. Mas isso vai ficar, quem sabe, para outra oportunidade. Essas curiosidades foram inspiradas em minha própria experiência com a série. Algumas coisas foram inspiradas no vídeo do Danilo Gentili sobre o Chaves, embora outras, que são parecidas, foram mera coincidência. É com um sentimento de tristeza, mas também de profundo carinho por tudo o que Chespirito produziu e chegou até mim, que encerro esta postagem.