Mostrando postagens com marcador adeus ano velho olá ano novo que tudo se realize no ano que vai nascer com muito dinheiro no bolso saúde pra dar e vender. Mostrar todas as postagens
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Este Blog Está Falindo

Última postagem de 2014.
Era uma vez um cara que achava que escrevia bem e que podia ficar muito rico com isso. Mas com o tempo, ele descobriu que cometera um duplo engano. O primeiro deles, foi quando constatou que não escrevia tão bem assim. E o segundo, consequência do primeiro, é que não iria enriquecer através da pena na mão.
O cara dessa pequena história sou eu mesmo, e não vim aqui para me lamentar, mas sim para fazer um balanço do blog após o final de mais um ano de sua existência. Numa publicação futura, pretendo narrar em maiores detalhes o surgimento do blog. Mas, por enquanto, me limitarei a falar dos números do Pra Gente Rir, atualizado até a data desta publicação.
O Pra Gente Rir foi fundado por Kily no dia 2 de Julho de 2011. A fundação do blog consistiu na posse do domínio “pragenterir”. A imagem abaixo é uma relíquia que mostra um diálogo via messenger entre Kily e Boretti, na ocasião da fundação do blog.


Logo após este fato, Boretti recebeu poderes de administrador do blog, tendo os mesmos poderes que o criador, para administrar, postar e excluir postagens da página. Posteriormente, R também foi incluído como administrador do brógui.
Contando com esta publicação, até o momento foram realizadas um total de 89 publicações, sendo que 60 delas foram realizadas por Kily, 23 por Boretti e 6 por R¹. A seguir, um quadro ilustrativo apresenta o primeiro indício de que este blog está falindo. Veja:

Ano
Nº de Publicações
2011
39
2012
27
2013
14
2014
9

Repare no quadro mostrado que o número de publicações vem caindo a cada ano. E isso tem várias possíveis causas. A primeira hipótese é de que nós pseudoblogueiros não temos inspiração para escrever algo digno de ser publicado. A segunda delas, é que com o passar dos anos e com o rumo que nossas vidas tomaram, temos cada vez menos tempo para escrever. A terceira, e provavelmente a mais verdadeira de todas, é que descobrimos que não podemos ganhar a vida como blogueiros, portanto o custo x benefício de nos empenharmos na escrita mostra que não vale a pena o esforço. E é com base nessa terceira hipótese que eu lhes apresento mais uma informação que confirma o título desta postagem, de que este blog está falindo: nós tentamos angariar fundos para sustentar o blog e consequentemente pagar as pensões alimentícias de nossos respectivos filhos, através do recurso do Google Adsense. E até o momento, arrecadamos a ridícula importância de US$3,20. A seguir, uma imagem que não me deixa mentir a respeito do que estou falando.



Uma terceira evidência da iminente falência deste empreendimento é que o número de visitas ao blog teve um pico impressionante pouco tempo depois de sua criação. Pico este que desapareceu alguns meses depois, deixando os proprietários do blog na nostalgia do sucesso de antanho, agora substituído pelo desprezível número de visitantes do blog, que, suponho eu, na maioria entram nele por engano, e permanecem na página por um período inferior ao que leva para uma ejaculação precoce.


E um último número, é que este blog conta hoje com incríveis três seguidores, conforme podem ver no lado direito desta página. --->
Mas apesar do brógui estar falindo, apesar da falta de tempo, de motivação, de inspiração e de retornos financeiros, eu pretendo continuar tocando o barco, mantendo esse blog para a minha meia dúzia de fãs. Que, aliás, nem são tão fãs assim. Afinal, nem um deles morreria se esse blog encerrasse suas atividades. Sendo assim, então por que continuarei com ele? Bem, nem eu sei também. Eu acho que é porque este foi um blog feito pra gente rir.
Felis 2015.



¹ Notem ainda que a última publicação realizada por Boretti foi no dia 11/11/2012, com o texto TCC. R está em maior débito ainda com o blog, não publicando desde o dia 30/11/2011, com o texto A Morte. O blog está numa decadência tão grande que R já me confessou que nem ele mesmo entra mais em nossa página. Espero que leiam isso e criem vergonha na cara, seus dois bostas!

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Boas Festas

Última postagem de 2013.

Este texto é dedicado a minha querida amiga Youssef, representando todas as pessoas que são chatas e não apreciam muito as festas de final de ano. O texto é puramente descritivo, baseado em um caso vivenciado por mim. Não estou pedindo para que ninguém passe a pensar como eu, apenas peço um pouco mais de tolerância e respeito para com os milhares de Grinchs misantropos espalhados pela sociedade.

Eu estava na minha baia, sentado junto ao computador, redigindo mais um dos inúmeros documentos a que estava acostumado. Era apenas mais um dia rotineiro no escritório. Quando digo “rotineiro”, mas não quero que o leitor entenda esse adjetivo como algo negativo. Pelo contrário, eu o utilizo como uma das coisas mais maravilhosas que poderiam me acontecer.

Cito que eu estava em minha amada e repetitiva rotina, porque ela estava para ser abalada. Mal sabia eu que eu estava prestes a receber um enorme chute em meus testículos. Graças a Deus, não literalmente, pelo menos. A dona Goreth, minha chefe – e a mulher mais doce que eu já conheci depois de mamãe e vovó –, seria a responsável pelo chute.

Dona Goreth era uma velhinha cuja idade era uma incógnita (mas que deveria ter pelo menos uns setenta anos), magra e de aspecto frágil, que parecia que se espirrássemos em sua direção, ela sairia voando igual uma folha de árvore abandonada ao vento. Brincávamos que ela era tão leve que parecia precisar de uma âncora amarrada a uma das pernas em dias de vendaval. Difícil acreditar que uma mulher desse porte pudesse chutar meus colhões.

Enquanto eu trabalhava a dona Goreth, apesar de ser minha chefe, gentilmente bateu em minha porta pedindo licença pela interrupção, pedindo que eu a encontrasse na cozinha, onde os funcionários tomavam um cafezinho e tinham alguns momentos de descontração no dia de trabalho. Eu estava salvando o documento no computador, quando percebi que ela chamava os demais funcionários em suas baias. Marchamos todos em direção a sua sala.

Com os doze funcionários apertadamente reunidos na cozinha, a dona Goreth anunciou, com sua voz suave:

- Gente, tá chegando o Natal e nós precisamos marcar a data da nossa confraternização e fazer o sorteio do amigo secreto.

Creio que não foi apenas um chute, mas sim dois chutes, um em cada gônada: confraternização e amigo secreto!

Ouvi alguns aplausos e risinhos de felicidade, todos satisfeitos pela festinha. O povinho do escritório é bem festeiro, adora essas ocasiões. O único alienígena ali sou eu.

- Só que vocês sabem muito bem que nosso escritório possui uma peculiaridade: é no Natal que tem mais serviço, que o negócio aperta. Hoje é dia 20 de novembro, então falta pouco mais de um mês pro Natal ainda. Só que eu queria marcar nossa festinha pra no máximo daqui duas semanas. – após uma pausa, continuou, olhando para mim e mais duas colegas de trabalho – Eu queria saber de vocês três, que são os que estudam, como que tá as aulas, as provas? Já acabou, não acabou, como é que é?

- Ah, a minha acaba sexta-feira agora, só faltam mais duas provas, dona Goreth. – disse uma das funcionárias, a minha esquerda.

- Pra mim faltam quatro provas ainda, mas até semana que vem acabam todas. – respondeu a funcionária a minha direita.

Após um momento de silêncio, percebi que todos olhavam para mim, que era o único que ainda não respondera a dona Goreth. Só percebi isso quando recebi uma discreta cotovelada da funcionária da direita.

- Eu ainda tenho todas as provas e alguns trabalhos para fazer, dona Goreth, nem sei quando acabam, mas não se preocupem comigo. Podem fazer a festinha sem mim mesmo, não quero atrapalhar vocês. – disse eu, torcendo para ela morder a isca e aceitar minha ideia.

- DE JEITO NENHUM! – falou dona Goreth, em tom sério, mas maternal. – Todo mundo ter que participar, Kily, inclusive você! Faço questão da sua presença lá. Trate de ver até quando vão suas provas e me dê uma resposta amanhã, para marcarmos o dia da confraternização.

- Sim senhora. – respondi.

- Por ora, vamos fazer o sorteio do amigo secreto. – disse ela, sorrindo e pegando em sua mesa uma caixinha improvisada, que continha papeizinhos dobrados, cada um contendo o nome dos funcionários da empresa. Eram 14 papeis, sendo doze com os nossos nomes, mais um com o nome da dona Goreth e outro com o do Seu Chico, marido dela e nosso patrão.

Gelei. Não queria participar do amigo secreto. Entretanto, em nenhum momento dona Goreth disse que a participação era facultativa. Pelo visto, não teria jeito, eu teria que abdicar de minha vontade e encarar aquela confraternização como um ônus pelo excelente emprego que eu tinha dentro da empresa. As frustrações que eu não passava trabalhando, acabaria passando na confraternização. Ou “festinha”, como preferiam chamar meus coleguinhas.

- Dona Goreth, eu acho que eu não quero participar do amigo secreto. – arrisquei, depois de tomar coragem.

Todos olharam para mim. Dona Goreth olhou para mim surpresa, como se de súbito meu rosto estivesse repleto de chagas. Ela disse, naquele tom em que não cabia contra-argumento:

- Mas é claro que você quer participar! Todo mundo vai participar! – e depois, soltou o seu mais belo sorriso.

Ela distribuiu papel um a um, inclusive para mim, ignorando meu desejo, como se eu estivesse cometendo um erro de julgamento. Ao final, sobraram dois papeis.

- Esse aqui é o meu e o outro eu vou deixar na mesa do Francisco. – disse ela, já que seu simpático marido não se encontrava no momento.

Mas que droga! Mas que grande droga! Mas que drogona! Sem o amigo secreto, eu poderia faltar da festinha e inventar uma desculpa depois. Dor de cabeça, morte na família, ônibus quebrado, ou outro imprevisto. Qualquer coisa! Mas com amigo secreto, eu não teria coragem de deixar uma pessoa sem presente. Detesto amigo secreto, mas eu acho uma sacanagem que participa de amigo secreto e falta no dia da revelação ou se esquece do presente. São os maiores trolls do fim de ano.

Após um burburinho, quando o pessoal conversava e brincava na cozinha, uns sorrindo e dizendo “que bacana! Adorei ter tirado essa pessoa!”, outros fingindo tentar ver quem as demais pessoas tiraram, outros ainda dando indireta sobre o presente que gostariam de ganhar, eu sorria e tentava fingir que eu era um ser humano normal ali naquela cozinha.

Todos voltaram altivos e aparentemente mais motivados para o trabalho após aquilo. Agora só dependiam de mim para marcar o dia da festinha. Voltei para minha baia, sentei-me em minha cadeira, querendo me afundar no trabalho pelas duas horas que restavam antes de ir embora, e esquecer aquela festinha estúpida. Foi quando lembrei que eu tinha me esquecido de abrir meu papelzinho e ver quem era meu amigo ou minha amiga secreta.

Que droga, do jeito que eu sou azarado, vou tirar a pessoa que menos tenho afinidade nesse escritório. To até vendo já! Vou abrir esse papel e vai estar o nome da Bárbara aqui. Ao menos se eu tirasse a Suzana, que é a única que eu conheço bem os gostos... aí pelo menos diminuiria a minha desgraça... Acabar jamais.

Abri o papel. Vi o nome ali escrito. E sorri.

Obrigado meu Deus. Eu te amo do fundo do meu coração! Ô glória!

No papel, escrito numa caligrafia dura e feia, meu próprio nome: Kily! Eu havia tirado eu mesmo! Eu estava fora do amigo secreto! Já comecei a fazer planos. Iria ver em que dia cairia a minha última prova e diria para dona Goreth no dia seguinte para marcar a confraternização no dia dessa prova. Depois, eu inventaria a desculpa de que a prova fora remarcada de última hora e por isso eu não pude ir. Quanto ao amigo secreto, bem, para isso eu inventaria uma desculpa depois. O importante era que eu estava salvo.

Até 2014, com o Pra Gente Rir rumo a 1 milhão de visualizações!