terça-feira, 2 de julho de 2013

2 Anos Pra Gente Rir

Um relato autobiográfico de Marlon, um dos muitos funcionários e colaboradores do blog Pra Gente Rir:

Eu tenho uma enorme admiração por inúmeros renomados escritores. Algumas pessoas se idealizam na figura de artistas, outros na figura de jogadores de futebol ou até mesmo na de heróis dos quadrinhos e do cinema. Já eu me idealizo na figura de escritores. Inclusive, se eu fosse uma mulher, eu não seria nem maria-chuteira, nem maria-fumaça, mas sim uma maria-caneta, uma mulher que só sai e dá para escritores em troca de uns excertos de textos autografados no bumbum.  Aliás, eu idealizo a própria figura do escritor, imaginando-o como um ser dotado de uma inteligência superior e uma capacidade ímpar de interpretar o mundo à sua volta. Pode muito bem ser verdade isso, mas como eu próprio sou escritor – embora não famoso –, acho que tudo isso não passa de besteiras de minha mente.

Eu comecei a escrever antes mesmo de aprender a ler. Isso mesmo, eu desenhava as letras de modo aleatório numa folha, e ia de tempo em tempo perguntando para minha mãe se eu tinha formado alguma palavra. Após uma extensa combinação de letras sem sentido, eu finalmente formei a minha primeira palavra, por pura sorte. Mamãe disse que eu tinha escrito a palavra BOSTA. Curioso, mas não muito diferente de tudo o que eu vim a escrever depois disso.

Quando pequeno, por volta de meus 7, 8 anos, já alfabetizado, eu andava com um caderno para onde quer que eu fosse. Se eu ia brincar com os meus bonequinhos, meu caderno ia junto; se eu ia jogar bola com os meus primos, o caderno ia também; e se eu ia assistir desenho animado, era a mesma coisa. Eu costumava anotar inúmeras coisas no caderninho, desde os resultados dos jogos com os amigos até o título dos episódios dos desenhos que eu assistia. Eu era tão apegado ao meu caderninho, que quando eu aprontava alguma coisa em casa, o castigo que mamãe me dava era de ficar um mês sem mexer no meu caderno. Ah, e como esse tempo demorava a passar!

É por isso que eu tenho uma teoria que todo escritor no fundo não passa de um sujeito estranho tentando dar vazão à confusão que ele carrega dentro de si através da pena. Sempre que eu não tinha nada para fazer – o que acontecia o tempo todo, já que eu era filho único e por isso muito sozinho –, eu pegava meu caderninho. Então eu comecei a escrever minhas historinhas. De início, eram apenas rascunhos para minhas produções de texto da escola primária, mas logo fugiu dessa responsabilidade escolar, passando a ser apenas um hobbie. Aventurei-me até na criação de histórias em quadrinhos, o que foi uma missão frustrante, porque eu sempre desenhei mal pra caramba.

Continuei a escrever. Se me perguntarem o que me motivava a escrever, posso apontar duas possibilidades. A primeira é que o próprio ato de escrever era relaxante e terapêutico, pois através dele eu externava a minha imaginação fértil, o que acabava por me motivar. Mas isto dá a ideia de um mecanismo retroalimentador, onde a escrita torna-se um fim em si mesmo. Então ofereço uma segunda hipótese, que é a de que minha motivação vinha do sucesso que a história fazia entre amigos e colegas.

Os professores sempre elogiaram minha escrita, no entanto tais elogios não foram tão importantes para minha continuidade no mundo da escrita quanto os elogios de amigos e colegas. Só que minha escrita sempre enfrentou um grande problema: o caráter “micro” de minhas histórias. Por caráter micro, eu quero dizer que minhas histórias sempre penderam para o gênero humorístico, entretanto elas falavam de acontecimentos muito próximos a mim e as pessoas que leriam os textos, o que de certa forma gerava um sentimento de pertença em meus seguidores. Em contrapartida, minhas histórias perdiam o poder de ampla divulgação, já que muitas pessoas ficariam sem entender as piadas internas contidas em meus textos.

Popular entre os amigos e admirado pelos mais próximos, eu provavelmente era tido como um extraterrestre pelas pessoas mais distantes. Como já disse, eu era estranho, como a maioria dos escritores também devem ser. Eu sou aquele cara cujo estômago ronca nas horas mais constrangedoras, sou o cara que peida no trabalho quando todo mundo sai da sala e de repente percebe que alguém está voltando para a sala, ficando na torcida para que o flato não tenha cheiro. Sou o cara que fica na dúvida de como deve cumprimentar a moça que subitamente se aproximou de seu círculo de amigos e está beijando um por um, e por fim opta por beijá-la no rosto também, mas acaba acidentalmente beijando a orelha da moça desconhecida. Sou o cara que vai preencher um formulário de vaga de emprego qualquer e, na dúvida de como preencher, espia o formulário dos demais candidatos na tentativa de obter uma luz para seu impasse.

Estou dizendo tudo isso porque se você lê esse blog e não me conhece pessoalmente, quero que saiba de uma vez que eu não sou nenhum fenômeno, tampouco sou um cara normal, mas sim um cara bem anormal, que foi sempre o magrelo e o baixinho da classe, que usava óculos de fundo de garrafa e tinha a cara repleta de espinhas – sendo apelidado de Chokito pelos sensíveis colegas de classe –, que era (e ainda é) super inseguro, que jamais usava o mictório na escola, somente o banheiro normal com a porta trancada e ainda assim olhando para a divisória lateral enquanto urinava para ver se ninguém ia espiar, que só deu o seu primeiro beijo aos 17 anos de idade, e que espera conseguir perder a virgindade daqui outros dezessete.

Enfim, o fato é que eu perdi a maioria das minhas primeiras produções literárias com o passar dos anos. Como eu escrevia em cadernos, muitas foram para o lixo e provavelmente nem existem mais. O blog Pra Gente Rir serviu de certa forma para que eu não inutilizasse mais os meus textos, bem como para que eu pudesse, daqui 30 anos, quem sabe, rever todas as merdas que eu escrevi no passado. A verdade é que eu sou um desocupado, que não tenho nada para fazer. E já bem dizia o meu saudoso avô: “Não tem nada pra fazer? Enfia o dedo no cu e cheira”. Certa vez eu segui o conselho do meu querido avô, mas como também diz o outro ditado que ele adorava recitar, a mente vazia é oficina do diabo, e escrever e publicar meus textos na internet foi o jeito que eu achei de demitir o diabo da minha mente e parar de ver pornografia na grande rede.

Caros leitores, essa é a história do surgimento do Pra Gente Rir, contada da minha perspectiva. Talvez não seja a história mais romântica, mais bonita, mais épica de todas, mas é a minha história. Como já disse, não quero que você me idealize, achando que eu sou um deus. Não. Eu sou apenas mais um idiota.



P.S. essa história é baseada em fatos reais. Eu só não vou dizer o quanto da história que eu acabei de contar é mesmo real. Que isso fique para a sua imaginação.

sábado, 8 de junho de 2013

x,99


{Este texto não foi muito perspicaz quanto o é a pessoa a quem eu o dedico. Mas mesmo sabendo que não produzi um texto a altura desta pessoa, gostaria de dedicá-lo ao meu amigo andarilho. Muita força, meu querido!}

Aqui perto de onde eu trabalho, tem uma loja que se chama Tem Di Tudo. Se a loja realmente tem de tudo não vem ao caso. Certo dia, uma amiga que trabalha comigo (a Gioconda) me convidou para ir com ela até a Tem Di Tudo para comprar um doce que ela adora. E eu aceitei o convite.

Ao entrar na Tem Di Tudo, não pude deixar de notar que todos os preços curiosamente terminaram com noventa e nove, para meu emputecimento. O doce em questão custava noventa e nove centavos. No entanto, como nem Gioconda, nem eu tínhamos uma moeda de 50, outra de 25, mais duas de 10 e quatro de 4 centavos, fomos obrigados a pagar um real e ficar sem troco algum. Isso mesmo, pois na Tem Di Tudo nem a boa e velha balinha de um centavo não dão.

Sou totalmente contra a balinha como troco, mas também sou contra a filosofia comercial noventaenovesista. Como eu disse, Gioconda adora este doce, é viciada nele, portanto costuma comprá-lo na Tem Di Tudo pelo menos três vezes por semana.

Foi aí que meus conhecimentos matemáticos começaram a entrar em ação. Se Gioconda comprasse um desses doces a cada três dias, após noventa e nove compras ele perderia de ter comprado um centésimo doce, já que este dinheiro teria ficado de graça para a loja nos roubos de um centavo. Mas e se ao invés de comprar um doce por vez, Gioconda passasse a comprar três doces por compra, estocando o restante e voltando a comprar quando estes acabassem? Façamos o calculo: três doces a noventa e nove centavos dá um total de R$2,97. Comprando um doce por vez, minha amiga perderia 3 centavos. Mas comprando três doces ao mesmo tempo, considerando as regras de arredondamento matemático, em que 7 arredonda para 5, minha amiga receberá um troco de 5 centavos. Deste modo, ela não só deixará de ser lesada em três centavos, como passará a se beneficiar em dois centavos a cada compra de três itens de noventa e nove centavos.

Continuando esse raciocínio, Gioconda, após 60 compras desse doce de noventa e nove centavos, teria gasto R$59,40, mas com o roubo dos “uns” centavos, ela teria gasto na realidade sessenta reais. Agora, se ao invés disso, ela comprasse os sessenta doces em vinte compras de três doces cada, veja o cálculo: cada compra de três doces equivale a R$2,97, mas como a loja não dispõe de três moedas de um centavo, ela é obrigada a dar cinco centavos de troco. Então o valor efetivamente pago é de R$2,95, que multiplicado por mais vinte compras iguais equivale a 59 reais. Perceba que, enquanto nas compras individuais o prejuízo é de 60 centavos, nas compras em trio o lucro é de 40 centavos, totalizando uma diferença de 1 real. Então o que seria essa diferença de um real? Simples. Seria um real a mais que oportunizaria a Gioconda comprar mais um doce.

Toda essa discussão pode parecer extremamente boba, uma vez que, seguindo os princípios matemáticos, para a loja, a quantidade de vezes em que ela deixa o cliente no prejuízo e a quantidade de vezes que ela assume o prejuízo se equivalem. No entanto, o cliente tem o poder de deixar o prejuízo SEMPRE do lado da loja. Como? Basta fazer o cálculo do troco, para ver se eles voltarão o troco a mais ou não.

Só de pirraça por ter me irritado com a loja em que todos os preços terminam com noventa e nove (mas que no fim das contas é cobrado o valor arredondado para cima), resolvi fazer este cálculo. Dei essa sugestão para Gioconda e espero que ela siga. Vamos todos fazer isso e quebrar as milhares de Tem Di Tudo espalhadas pelo Brasil!



Minha gratidão a Gioconda da vida real, que me propiciou esta reflexão na verdadeira Tem Di Tudo, inspirando-me a escrever este textículo. Agradeço também a minha outra amiga, carinhosamente chamada de "Filha da Ciência", por ter sugerido o título para esta produção.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Plágio


Este texto foi produzido especialmente para o Blog Pra Gente Rir durante a aula de Análise do Comportamento, aos nove dias do mês de maio de dois mil e treze. Obrigado a todos por calarem a boca e permitirem eu me inspirar nesta magnífica aula.

O plágio é uma coisa muito feia e que Jesus não aprova. Para tentar combater isso pelo menos num certo nível, criaram as ABNTs, obrigando fazer umas citações doidas aí. Mas quando eu falo de plágio, não me refiro ao plágio acadêmico especificamente. Tampouco me refiro a pirataria, que é uma temática para outro momento.

Por ora, quero falar do plágio de livros. Então, eis as categorias dos tipos de plágio:

1 – Plágio Engana Trouxa:
Nesta modalidade, apenas os retardados caem. O Sr. Allan Percy escreveu um livro cujo título no Brasil foi “Nietzsche para Estressados”. No entanto, observe na foto abaixo que a palavra “Nietzsche” aparece maior do que qualquer outra. Por quê? É simples. É para que alguns idiotas achem que estão comprando um livro do famigerado filósofo alemão, quando na verdade estão lendo um idiota que descontextualiza totalmente a obra do pensador, cometendo uma tremenda heresia, numa obra ridícula. Para não dizer que é marcação minha, o mesmo autor lançou um segundo livro, que no Brasil assumiu o título “Kafka para Sobrecarregados”, onde o mesmo princípio anterior foi seguido.

Livro Nit para estresado.

Livro Cafica para sobrecargas.




2 – Plágio Filho da Mãe:
Este é um tipo de plágio comumente irritante. William P. Young ficou famoso no mundo todo após o sucesso de seu livro “A Cabana”. Longe de querer discutir os méritos do livro, quero falar sobre o que aconteceu depois disso. Na sequência, tivemos a publicação do livro “Encontre Deus na Cabana”. No entanto, não foi William P. Young quem escreveu este livro, mas sim um desconhecido, um tal de Randal Rauser. Note nas figuras abaixo como a cor da capa do livro verdadeiro e a do plágio são parecidas. Rauser tomou uma carona no sucesso de Young para ganhar um dinheirinho nessa brincadeira.
Na mesma linha de raciocínio, um dos melhores exemplos é o do mundialmente famoso “O Código Da Vinci”, de Dan Brown, que até foi adaptado para o cinema no filme estrelado por Tom Hanks, Audrey Tauttou, Jean Reno e Sir Ian McKellen. Difícil saber se o sucesso do livro levou a adaptação para o cinema, ou se o filme ajudou a divulgar o livro. O que se sabe é que há pelo menos quatro livros de espertalhões que também tentaram pegar uma rabeira no carro do sucesso de Brown. São eles: “Quebrando o Código Da Vinci”, de Darrell L. Bock, “Revelando o Código Da Vinci”, de Martin Lunn, “Desmascarando o Código Da Vinci”, de James L. Garlow e Peter Jones e “Decifrando o Código Da Vinci”, de Simon Cox. Títulos originalíssimos por sinal, adeptos da corrente gerundista da literatura. Sem comentários esse tipo de oportunismo literário.


O Tugúrio.


Encontre Alá na Choupana.

3 – Autoplágio:
O autoplágio é uma categoria muito peculiar de plágio, onde o sujeito tem a capacidade de plagiar a si mesmo. E esta é a categoria que mais exemplos eu posso dar, devido a fartura de autoplagiadores, que deveriam ser processados por si mesmos e perderem a causa, por tamanha insensatez. O autoplágio é praticado por autores que julgam ter encontrado a fórmula para o sucesso, aí eles, como são pouco criativos e sem personalidade, copiam sua própria ideia e produzem uma obra nova, mas que de novidades tem muito pouco. Então, sem mais delongas, eis alguns exemplos que podemos encontrar nessa longa lista: Gary Chapman, autor cristão e conselheiro sentimental escreveu “As Cinco Linguagens do Amor”, que na minha opinião é um bom livro. Mas o erro dele foi publicar “As Cinco Linguagens do Amor dos Solteiros”, “As Cinco Linguagens do Amor de Deus”, “As Cinco Linguagens do Amor das Crianças”, “As Cinco Linguagens do Perdão”, e por aí vai. Aliás, no campo cristão, lamento dizer, mas há muito disso. Outro exemplo é o de Stormie Omartian, que ficou famosa com o livro “O Poder da Esposa que Ora”. Posteriormente, ela autoplagiou-se e publicou “O Poder da Mulher que Ora”, “O Poder da Criança que Ora”, etc. Recentemente, para sair um pouco do campo cristão, temos a odiada Erika Leonard James, que escreveu o romance pornoerótico “Cinquenta Tons de Cinza”. E tcharam! Ela encontrou a fórmula do sucesso! Posteriormente veio “Cinquenta Tons Mais Escuros” e “Cinquenta Tons de Liberdade”, que basicamente é a conclusão da trilogia da safadeza.

A autora de "Cinquenta Tons de Cinza".



4 – Plágio mediúnico:
O plágio mediúnico é a mais rara de todas as categorias. Sidney Sheldon, um dos romancistas mais populares do mundo, como todos sabem, faleceu em 2007. No entanto, o cara é tão foda que ele já escreveu três livros depois de ter morrido: “A Senhora do Jogo”, “Depois da Escuridão” e “Anjo da Escuridão”. Entretanto, a pessoa mais atenta que observar a capa do livro, saberá que não foi Sidney Sheldon quem escreveu o livro. Nem teria como, não é mesmo? Sidney Sheldon já voltou ao pó! Quem escreveu o livro foi uma pessoa de sexo desconhecido, cujo nome éTilly Bagshawe. Meu primeiro pensamento quando descobri que Sheldon lançou livros depois de morto foi: “meu Deus, o Sr. ou Sra. Bagshawe é médium e está em contato com a alma do Sheldon, que vem ditando seus livros para que escreva e que seus milhões de fãs continuem o apreciando na além-vida!”. Porém, o que acontece é que essa pessoa desprezível (Bagshawe) conseguiu autorização da família para escrever livros e assinar como sendo de Sheldon, fazendo seu pé-de-meia para um futuro casamento.

 
Sidney Sheldon ainda vivo (eu acho).



 
A suposta Tilly Bagshawe, que por sinal é bem "catável", e pra melhorar é cristã (vide pingente em seu pescoço).


 E pra encerrar, o filme "O Sorriso de Mona Lisa", que posteriormente foi plagiado por Leonardo da Vinci, que pintou
um quadro, bautizando-o de "Mona Lisa", inspirado no filme.








quarta-feira, 1 de maio de 2013

Tiro de Guerra


A pequena história a seguir se passa no Planeta que só tem três dias.

O jovem garoto está sentado na repartição pública, aguardando atendimento. A mulher que ali trabalhava lhe dera as costas assim que o vira adentrar pela porta principal, saindo mastigando no fundo da repartição. Ele estava nervoso. Como naquele ano completaria a maioridade, ele devia se apresentar à Junta Militar para o alistamento. Estava ansioso, com muito medo. Colegas um ou dois anos mais velhos lhe contaram como era o procedimento. Depois de levar toda a documentação, tinha que agendar um exame físico, que era coletivo. Segundo relatos, todos se postavam em fila indiana, totalmente nus, para exame médico. Sentiu calafrios ao lembrar da piadinha da caneta, em que o instrutor postado numa mesa à frente da sala derrubava a caneta, para que o indefeso jovem a pegasse.

E se eu tiver que ficar pelado lá na frente de um monte de gente? Eu n ao consigo ficar sem camiseta nem perto da minha família! E se derrubarem a caneta justo na minha vez? E se o pessoal ficar reparando e zombando do tamanho minúsculo do meu...

- Paulo Farias!

Paulo levou um susto ao ouvir seu nome ser chamado pela mulher atrás do balcão, sempre com sua cara azeda. O grito que ela dera dava a impressão que a sala estava lotada e que ela precisava anunciar quem era chamado. No entanto, só havia ele aguardando atendimento. Ela solicitou que ele o acompanhasse.

Depois das perguntas de praxe e da coleta de inúmeras assinaturas e impressões digitais de Paulo, este decidiu fazer a pergunta que tanto lhe incomodava.

- Eu preciso vir aqui mais algum dia depois de hoje?

- Eu vou te passar uma data para o seu exame físico e para o juramento à bandeira. – disse a mulher, como se falasse para o monitor do computador.

- E é obrigatória a presença nesses dias? – indagou Paulo, logo arrependendo-se da pergunta.

A mulher atrás da mesa olhou para ele com olhos esbugalhados, como se subitamente percebesse que ele era leproso.

- É obrigatório sim. – disse ela.

- Mas se eu não for? – disse Paulo, decidindo-se por assumir uma postura mais desafiadora.

- Você não entendeu, querido, a presença nesses dias não é opcional, é obrigatória.

- Ta, mas e se eu não for?

- Amorzinho, que parte do obrigatório você não entendeu? – disse a mulher, já sem paciência com Paulo.

- Eu entendi essa parte, moça. Mas o que eu estou dizendo é: o que acontece se eu não for? – disse Paulo, enfatizando as quatro últimas palavras.

E eis que a mulher deu uma estrondosa gargalhada, para surpresa de Paulo.

- O que foi? – indagou ele, atônito.

- Querido, a presença é obrigatória. Não tem essa de “se eu não for”. – explicou a mulher.

- Moça, acho que não estamos falando a mesma língua. Eu já entendi o lance do “obrigatório”, mas o que eu estou dizendo é o seguinte: e se eu, utilizando o meu livre arbítrio, decidir que no dia marcado para o exame físico e o juramento à bandeira, que eu não vou sair de casa e que não vou em lugar algum?

- Mas você vai de qualquer jeito. – disse a mulher, em tom indiferente.

Paulo sentiu um leve avanço na conversa. Sua dúvida estava prestes a ser sanada. Decidiu jogar nova pergunta.

- Ah, então quer dizer que mesmo que eu decida não ir, alguém aqui da Junta Militar vai lá em casa e vai me obrigar a vir, isto é, vai me trazer na força?

- Não Paulo, não é isso. Mas você vai.

FIM.



P.S. esta história parece não ter um fim plausível. É que este diálogo realmente não termina. Quando R e eu conversávamos sobre este diálogo hipotético, há alguns anos atrás, a graça da situação é justamente a ausência de resposta a pergunta do personagem. Ele insiste na pergunta, mas a pessoa insiste em responder por evasivas, ad infinitum.

quarta-feira, 27 de março de 2013

As Incríveis Aventuras no Planeta Que Só Tem Três Dias


Olá fieis seguidores do Pra Gente Rir! Cá estou após dar um chá de sumiço em muita gente. Devido a correria do dia a dia, não tive tempo de escrever mais nada - nem vontade. No entanto, o acúmulo de ideias fez com que eu tirasse uma meia horinha para tentar produzir algo. Não posso dizer que é meu melhor texto (tenho muitos outros que prefiro em detrimento deste), mas é uma tentativa de retomar uma escrita em estilo nonsense. O humor ainda não é o ideal, pois existem algumas lacunas, longos espaçamentos entre uma piada e outra. Ainda assim, estou satisfeito de voltar a escrever algo no estilo de "Negócio que faz Bebês", "Abacaxis", "O Ascensorista" e "Prieto". A inspiração deste texto veio da série brasileira "Os Aspones". Coincidências no estilo humorístico não é por acaso. Espero que (alguém) gostem.

 

 
PILOTO

 
Era uma vez, num lugar longínquo, no extremo Sul do Universo, na Galáxia de Tão, Tão Distante, um planeta pequenino no tamanho, mas grandioso no calor desumano. Sua dinâmica de funcionamento é muito parecida com a de nosso amado planeta, salvo por algumas diferenças, que irei enumerando conforme necessário. A mais importante delas, no entanto, é que este planeta só possuía três dias: domingo, segunda e sexta.

Então, passemos algumas informações sobre o planeta. Como já mencionado, o planeta possui calor desumano. Isso mesmo, ele é habitado por seres desumanos - seres muito parecido conosco, diferenciando-se por serem mais amáveis, respeitosos e altruístas. A população total, segundo o último Censo realizado pelo SINEP, é de 1 milhão de habitantes. Apesar do reduzido número, devido as proporções do planeta, ele está relativamente cheio. E com sua população mal distribuída. Cerca de 100 mil pessoas vivem na zona rural, com espaço de sobra. Já na cidade grande, vivem apertadamente as outras 900 mil pessoas.

O planeta possui apenas um único país, sendo que este é governado pelo Rei Atoidy - vida longa ao Nosso Amado Rei. No entanto, exceto pelo fato da coroa ser passada de pai para filho, a estrutura política de funcionamento do planeta que só tem três dias é bem semelhante a do Brasil, ou seja, temos as repartições públicas. E é numa delas que iremos verificar a primeira história desta narrativa épica.

A repartição pública em questão é a do Secretaria Internacional e Nacional de Estatística Populacional (SINEP), que apesar de ter o nome meio confuso, é fácil de entender qual sua função no planeta: a de empregar inúmeras pessoas que não irão fazer merda nenhuma. Como o Rei Atoidy - vida longa ao Nosso Amado Rei -, costuma reduzir gastos para enriquecer às custas do corte de pessoal e exploração dos funcionários, a repartição é minúscula, e está alocada junto ao Ministério dos Porcos e das Embaixadas Internacionais (que por sua vez, fica ao lado do Ministério das Estalactites, Estalagmites e da Comunicação). Vejamos agora, sem mais delongas, como é um dia de trabalho no SINEP.

Dois homens estão sentados junto às suas respectivas escrivaninhas, tendo à sua frente um computador e muitos papéis empilhados. Ambos os homens, de aproximadamente 115 anos (aproximadamente 50 anos na Terra), vestem camisas pólo, com os botões abertos e a parte superior dos peitos flácidos e cabeludos à mostra. Um deles, o de cabelo grisalho, está com fone de ouvido, escutando uma música enquanto "trabalha". O outro, de cabelo preto, mas com uma enorme calvície na parte superior da cabeça, está com ar de enfado. Descansa a cabeça com o queixo apoiado numa das mãos, enquanto com a outra olha as últimas notícias ridículas no site do YAIOO. A porta se abre abruptamente, para espanto do calvo, que salta na cadeira como se levasse um choque, voltando a uma posição ereta, ao mesmo tempo em que pega um bloco de papéis e o bate sobre a mesa, fingindo estar no meio da execução de uma importante tarefa. Quando percebe que é apenas o Seu Zé, o funcionário da limpeza, reclama:

- Caramba cara, você me deu o maior susto! Eu pensei que fosse o baixinho! - diz o calvo, referindo-se ao chefe da repartição. O homem grisalho continua tranquilo, pois não percebera que Seu Zé entrara, devido a música que escutava no fone de ouvido.

- Descurpa Gerardo. Ah, e o chefinho nem vem hoje. - diz Seu Zé. - Esqueceu que ele tem folga toda última sexta-feira do mês?

 - É verdade, você tem razão, Al! Eu nem tinha dado por mim que hoje era sexta! - Geraldo levanta-se e bate no ombro do colega com fone de ouvido. Finalmente, ele tira o fone de ouvido, dando pela presença de Geraldo e Seu Zé próximo a ele.

 - O que foi? - indaga o homem de cabelo grisalho.

 - Você nem me disse que hoje era sexta-feira, Moacir! - reclamou Geraldo, em tom de brincadeira.

 - E é? Nossa, eu tinha me esquecido completamente...

 - Como essa semana passou rápido, né pessoar? - disse Seu Zé, com a vassoura encostada nas pernas, enquanto enxugava o suór com um lenço surrado que tirara do bolso do macacão. - Parece que foi onti memo que a semana tava começano...

 - É verdade... Não é mole não, pessoal... - disse Moacir, com aquele ar típico do trabalhador sofredor, resignado com as dificuldades da vida.

 - Hey, hoje é sexta-feira, sabem o que isso significa? - disse Geraldo. Nem esperou pela resposta dos colegas. - Significa que hoje é dia de enforcar o trabalho mais cedo!

 - Ah muleque! - disse Moacir, mostrando um sorriso cheio de dentes amarelados, assim como seu bigode de fumante.

 - Deus abençoe o Rei Atoidy - vida longa ao Nosso Amado Rei! - exclamou o tiozinho da limpeza.

 Mas para quebrar a harmonia que pairava sobre o SINEP, eis que alguém bate à porta da repartição, para angústia dos três funcionários, especialmente de Geraldo e Moacir, responsáveis pelo atendimento.

 - Meu Pai amado! O quem será uma hora dessas? - diz Moacir, começando a acumular marcas de suór na região das axilas.

Sem responder, Geraldo toma a iniciativa e vai até a porta, abrindo-a. Surpreende-se ao se deparar com a mais linda mulher que já vira na vida. Elegantemente vestida, demonstrando uma grande força de espírito e uma autonomia invejáveis, ela anunciou-se antes que Geraldo proferisse palavra:

 - Olá, bom dia. Meu nome é Rebeca e eu sou a nova funcionária do setor.

 "É claro, a nova funcionária!", lembrou-se Geraldo. O chefinho tinha falado sobre ela, mas ele se esquecera completamente. Retomando a sobriedade, ele pediu para que Rebeca entrasse. Foram até a extremidade da sala, acompanhados de Seu Zé e Moacir. Os quatro sentaram-se ao redor da mesa, para uma pequena e solene reunião na repartição.

 - Esqueci de me apresentar, Rebeca. Meu nome é Geraldo.

 - Caraca! Toda repartição pública tem um Geraldo, é incrível! Na antiga repartição que eu trabalhava, tinha um Geraldo! O Seu Geraldo Moacir. O cara tem os dois nomes de velho mais comuns do mundo! - disse Rebeca, destituindo-se de seu ar sério e agindo escandalosamente.

 - Meu nome é Moacir. - disse Moacir, após pigarrear, em tom de vergonha ante aquela bola fora que Rebeca acabara de dar.

 - Ih, vocês só podem estar de brincadeira comigo! Agora só falta você me dizer que seu nome é Zé. - diz Rebeca, olhando para o homem da limpeza.

 - Seu Zé ao seu dispor, senhorita. - diz ele, com um largo sorriso, sem entender o constrangimento da situação.

 - Onde você trabalhava antes, Rebeca? - pergunta Moacir, que com o rabo do olho observa o largo decote de Rebeca.

 - Eu trabalhava na ANAX, Agência Nacional Anti Xenofobia, mas ela fechou semana passada.

 - Não diga! Sério? Mas é uma pena, vai fazer tanta falta... - comenta Moacir, tentando parecer simpático.

 - É mesmo. - diz Rebeca, abaixando a cabeça, em tom singelo de tristeza.

Geraldo, imbuído de sua liderança, rompe o silêncio e a tristeza que começara a se abater sobre o grupo iniciando o seu discurso.

 - Bom Rebeca, também sinto muito pela extinção da ANAX, mas creio que você será muito feliz aqui. A SINEP é um lugar muito sério e extremamente importante para o bom funcionamento de nosso país-planeta. Não sei se você teve o privilégio de ver, mas recentemente o Rei Atoidy - vida longa ao Nosso Amado Rei - fez um discurso e rasgou elogios a nossa repartição, citando a suma importância que ela tem dentro deste Ministério. Seu trabalho será muito cansativo, algumas vezes beirando à exaustão. Mas no final, creio que você se sentirá recompensada por ver os frutos deste belo trabalho que fazemos por aqui.

 - E o que fazemos por aqui? - perguntou Rebeca, curiosa.

 Sentindo o rosto afoguear-se de rubor ante aquela pergunta inesperada, Geraldo teve sangue frio para contornar a situação adversa.

- Já já chegaremos lá, meu bem. Como eu dizia, você trabalhará aqui todas as semanas, no verão ou no inverno, faça frio ou faça calor, com sol ou com chuva, do início da manhã até o final da tarde, de segunda à sexta...

 - Ei, ei, peraí! - interrompe abruptamente Rebeca.

 - O que foi pepeca?, digo Rebeca. - diz Moacir, quase babando na mesa, ainda com o olhar fixo nos seios de Rebeca e imaginando o que gostaria de fazer com eles.

 - É que eu não posso trabalhar nas sextas-feiras.

 - E por que não? - indaga Geraldo, levemente irritado com aquela petulância.

 - É porque eu sou adventista.

 - Adventista?

 - Isto. Eu faço parte da Congregação da Igreja Adventista do Terceiro Dia. E dentro de nossa doutrina, eu não posso trabalhar nas sextas-feiras.

 - Mas o terceiro dia não é domingo? - pergunta Seu Zé, ignorante como só ele.

- Popularmente sim, Seu Zé. Mas na verdade, a semana começa no domingo, sendo que a sexta-feira é o terceiro dia. - explicou Rebeca.

 - Ah ta, é que eu sempre se confundo. - diz Seu Zé, cometendo um solecismo. - Nunca intindi esse negóço. Pruquê é qui colocaro sexta-feira? Só pra confudir a cabeça da genti memo.

 - É por causa daquela música do Zezeca Amargo e Lucio Ânus, "Hoje é Sexta-feira". - explicou Moacir, que estava ouvindo aquela música há minutos atrás, quando estava na sala apenas com Geraldo.

 - Enfim, continuando... - interrompe Geraldo, irritado com as constantes interrupções - Rebeca, meu bem. Você tem que entender que isso aqui é coisa séria. Aqui não é casa da mãe Joana não. Aqui você tem que trabalhar. E se você não vier nas sextas-feiras, a tendência é só o serviço se acumular.

- Mas eu sou amparada por lei! A lei assegura que é direito meu guardar a sexta-feira conforme minha religião preconiza. E eu tenho que ser remunerada por isso! - afirma Rebeca, em tom incisivo.

 - Rebeca, mas é que todo esse trabalho...

 - Afinal qual é o trabalho que vocês fazem aqui? Até agora você não me disse qual é, Seu Geraldo.

 - É mesmo Geraldo, você ainda não nos disse qual é o trabalho que fazemos aqui! - diz Moacir, fazendo coro a Rebeca.

 - É memo Gerardo! - reforçou Seu Zé.

 Geraldo suava em bicas. Os três olhavam para ele. Um olhar fulminante, que esperava por uma resposta. E ele, por ser o mais experiente do setor, ficara responsável por responder aquela difícil pergunta. "Que droga, bem que o chefinho podia estar aqui hoje!", pensou Geraldo. E finalmente, entregou os pontos, dizendo:

 - Pelo amor do Rei Atoidy - vida longa ao Nosso Rei! Quem sou eu para questionar a lei? Ok Rebeca, você terá a sexta-feira livre!

 E eis que os três - Rebeca, Moacir e Seu Zé - comemoraram em uníssono, aplaudindo, abraçando-se e cumprimentando-se, ante aquela vitória conquistada por Rebeca, graças à união do trio.

 Sentindo enorme desconforto por ver que os três estavam mancomunados contra ele num motim. Assim que a festinha terminou, Geraldo disse:

 - Rebeca, creio que você veio hoje só para confirmar os pontos mais importantes, mas não ficará para o trabalho, certo?

 - Exatamente, Seu Geraldo. Como hoje é sexta, não posso ficar.

 - Então te vejo segunda-feira que vem?

 - Fora a essa, na próxima. - disse Rebeca com um movimento de mão, para surpresa de Geraldo. - É que segunda-feira que vem é feriado. É dia do servidor público.

 E eis que os três voltaram a comemorar, deram as mãos e começaram a dançar uma ciranda, enquanto Geraldo se retirava da sala, dirigindo-se ao banheiro para vomitar seu café da manhã.

 [CONTINUA?]


sábado, 9 de fevereiro de 2013

Papo de Velho e Carnaval


Esses dias, eu estava andando no centro da cidade de Piraju, quando dois transeuntes de avançada idade se cruzaram na rua e começaram a conversar. Transcrevo abaixo a parte da conversa que sem querer acabei ouvindo, antes, durante e depois de cruzar com os dois. A conversa segue no dialeto original:

- Fala Seu Zé! – cumprimentou o primeiro.

- Fala Seu Jão! – respondeu o segundo.

- E aí, tudo certo?

- Ah, tâmo lutano.

- Tem que lutar né, não pó pará!

Este diálogo, meu caro leitor, não é tão importante assim. Para ser mais claro, ele é o que há de menos importante neste post. Mas é que tive que levar uma das mãos à boca enquanto caminhava, para não começar a rir. Se você estivesse em meu lugar, também teria feito o mesmo. Dois idosos. Cabelos brancos. Adeptos do bigode. Usando camisas sociais com apenas dois ou três botões fechados. Aposentados. E o mais engraçado foi o trecho que escutei a seguir:

- E a chuva?

- Ah, ta terrível essa chuva, hein? – diz o Seu Jão, em tom de pesar. – Eu nunca vi nada parecido.

- Pois nem eu, rapai. To com quase 80 anos, 78 anos nas costa e nunca vi chuva braba igual essas que deu nos úrtimos dia. Chuva forte que dá até medo na gente. – comentou o Seu Zé, fazendo cara de espanto.

O restante do diálogo não importa. O que importa é isso. Já ouvi muito na TV, no rádio, na rua e em tudo quanto é lugar as pessoas dizendo: chuva igual essa nunca caiu igual; ou ainda, calorão mormaço igual jamais vi.

Será realmente que jamais fez tamanho calor? O velho todo santo ano em janeiro diz que nunca viu chuva igual! E no ano seguinte, é a mesma coisa: foi a pior chuva que ele já viu! Acho que com cada vez maior freqüência as pessoas estão ficando com Mal de Alzheimer.

O clima nunca está bom. É seca no Nordeste, é chuva no Rio de Janeiro, é ciclone extratropical no Rio Grande do Sul, é enchente em São Paulo. Tem alguma coisa errada aí, e eu acho que não é com o tempo. Todo mundo ta cansado de saber que vai ter “Feliz Ano Novo” no dia primeiro, mas que lá pelo dia dez já vai começar a choradeira lá no Rio porque a enchente ta levando o barraco e o que encontra pela frente.

Bom, e por falar em Rio de Janeiro, quero falar um pouco do Carnaval. Pra mim, se existe uma data que é mais desagradável que o Natal, esta data é a do Carnaval. Eu odeio o Carnaval. E eu odeio quem ama o Carnaval. Se você ama o Carnaval, eu te odeio. Se o Carnaval ama você, eu te odeio. E se o Carnaval odeia você, eu também te odeio.

Pra quem não sabe, o Carnaval foi uma festa inventada pelo deus todo poderoso dos romanos (e o décimo quarto deus mais forte de todos os deuses do universo), o deus Baco. Baco era um cara que gostava de música ruim, de bebida alcoólica, de glutonaria, de gente pelada, de sexo e de cheirar gatinhos. Um dia, ele teve a brilhante idéia de juntar tudo isso num só lugar, numa festa de arromba, que ele chamou de Bacanal. Posteriormente, após Baco ser morto pelos deuses pagãos bonzinhos, os deuses declararam que aquela festa era um crime contra um espírito e uma exaltação da carne. Daí em diante, passaram a chamar a festa de Carnaval.

O Carnaval basicamente é uma desculpa para as pessoas ficarem bêbadas, peladas e praticarem orgias em público, dentro da lei. E no caso do Brasil, é uma desculpa para o ano começar apenas depois de fevereiro, quando termina a festa. E um dos problemas do Carnaval é que no mês de novembro, mulheres fazem filas nos hospitais públicos para dar a luz a mais um “filho de carnaval”. Mulheres que fizeram sexo até o cara ejacular cinco segundos depois da penetração não querer mais, agora são castigadas com um filho. Isto sem falar de outros problemas menores, tais como doenças sexualmente transmissíveis.
Se você nasceu em novembro, existe uma grande possibilidade de você ter sido fabricado no meio da rua, no meio de uma micareta, ou num beco sem saída, com seus pais chapados. E é por isso que eu rio da sua cara se você nasceu em novembro!

Outra coisa ruim do Carnaval é que o meu blog não recebeu quase nenhuma visita neste mês, tudo por conta destes fanfarrões que nem na internet entram nos dias de orgia, a não ser para atualizar o status do facebook com a frase “tô chapado”.

Encerro este texto ridículo, um dos piores que este blog já viu dizendo que se você comemora Carnaval, eu espero que você morra, e que todo mundo que curte Carnaval morra, e que quase todo o Brasil morra. Pois aí quem sabe não teremos um lugar melhor para se viver. É isso.

Baco segundo o Wikipédia, fazendo alguma coisa que não consegui desvendar.


Ilustração de uma Bacanal, o antigo Carnaval.


 
E uma micareta, um ambiente gostoso de se estar, recomendado para formar uma nova toda a família.


O resultado da orgia de Carnaval. E agora, quem será o pai?


Idiotas comemorando Carnaval em Piraju.


Quando penso em Carnaval, um nome me vem a mente: Leci Brandão. E uma palavra explica Leci Brandão: musa.




P.S. o texto não saiu muito bom porque eu escrevi ele correndo, pois estou com pressa de sair e pular Carnaval.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Estado


{Agradeço ao R, pois ele sem querer acabou me inspirando a escrever este texto. Nada do que escrevi aqui é revolucionário ou inédito, mas sim baseado no conhecimento que adquiri com diferentes pessoas, principalmente ao longo do ano passado}

Era uma vez uma entidade abstrata e onipotente chamada Estado. De vez em sempre, o Estado adorava sacanear as pessoas, aprontando uma de suas brincadeiras irônicas. Esqueci de dizer que além de abstrato e onipotente, o Estado também é irônico.

Um exemplo de como o Estado adora ironias e contradições, é exemplificado a seguir. Se eu, cidadão brasileiro, atropelar vários pedestres e ciclistas, bater em outros carros e fizer várias barbeiragens após ingerir álcool, provavelmente serei autuado em fragrante e preso, indiciado por homicídio doloso. Porém, se o mesmo evento acontecer com Thor Batista, filho do bilionário Eike Batista, o que acontece é que ele é conduzido gentilmente até a delegacia, solto pouco tempo depois após pagar uma fiança que, para o padrão de vida dele, sequer faz cócegas em seus bolsos. E de quebra, pra fechar com chave de ouro, se o motorista fosse o Thor Batista, nesse caso o coitado do ciclista seria preso por tentativa de homicídio ao playboy, e isso apenas porque teve a infelicidade de ter nascido preto e pobre.

Ah, isto me faz lembrar que é importante frisar que tem três categorias que são as que mais se ferram no Brasil, conhecidas por 3Ps: pretos, pobres e prostitutas. O Estado adora ferrar apenas os já naturalmente ferrados pela vida, mas ajuda os verdadeiros ruins da história toda a darem-se bem. O Estado criou algo chamado bem e mal. O bem é representado pelos ricos, pelos brancos e membros de uma família “estruturada”, que ganharam dinheiro e construíram seus patrimônios de maneira digna¹ e honesta¹, sem explorar sequer uma alma viva (até porque os 3Ps não têm alma), sem cometer nenhuma injustiça ou atitude condenável. Pelo menos, nenhuma atitude condenável à luz da Constituição. Constituição. Tá aí o instrumento utilizado pelo Estado para brincar com as pessoas, empoderando uma minoria que já detém o poder e lascando de vez os já lascados.

Só que o Estado, com essas brincadeirinhas que ele julga bobas, muitas vezes acaba pegando pesado demais. Vamos dar um exemplo sobre isso, utilizando a Constituição como base. Uma negrinha pobre, de uma favela, tem um filho com um drogado. Esse filho, obviamente também negro, nasce num lar pobre e desestruturado. E o Estado brinca de faz de conta com aquela família, pois no seu livro predileto, a Constituição, ele diz que é direito de toda pessoa a educação, a saúde, a alimentação, a moradia, o emprego, a dignidade e a muitas outras coisas importantíssimas para todos. Mas lembre-se que é apenas um faz-de-conta. Porém, outra parte deste livro, é baseado em fatos reais. E é a parte que diz que roubar, traficar, assaltar, é crime.

Em outras palavras, como muito bem disse o R numa conversa que tive com ele dias atrás, o Estado não faz nada para cumprir a parte que lhe compete, neste conto da carochinha que ele mesmo criou, aí quando o garoto da nossa história tenta dar um jeito de se virar e sobreviver – dar um jeito com base nas poucas opções que lhe foram dadas – o Estado resolve dizer que parte da fantasia era realidade, e o pune severamente. E nós, pobres e tolos brasileiros, acreditamos. Acreditamos que a favela é uma fábrica do mal. Que o negro é o perigoso. Que ele é só culpado, jamais vítima.

O Estado às vezes é muito cruel em sua arte, permitindo Carlinhos Cachoeira, um dos grandes corruptos do momento, curtir lua de mel, livre e solto, mesmo após inúmeras acusações contra ele. Permite ainda que José Genoíno – aquele tiozinho vagabundo do PT e do mensalão – assuma uma cadeira no Congresso Nacional, mesmo com a Lei Ficha Limpa. Mas não dá segunda chance para o ex-presidiário. Aliás, não dá nem uma primeira chance, na vida pregressa a contravenção que levou o indivíduo, quase sempre preto e pobre, a ser preso.

Por fim, mais uma brincadeira que o Estado faz conosco, e talvez uma fundamental para que todas as outras funcionem, é brincar de cabra-cega. Ou melhor, povo-cego. Todo mundo fica cego, ninguém percebe o que está acontecendo, como essa máquina chamada Estado funciona. E os poucos que percebem, são praticamente impotentes frente a uma multidão que apóia (cegamente) o Estado.

E a quem culpar? A presidência? Aos deputados e senadores? Ao aparelho jurídico? Ao povo? Talvez, após ter lido este texto, alguém pense “culpemos o próprio Estado”. Advirto que o Estado, como eu bem disse no início do texto, é uma entidade abstrata e não é passível de ser punido. Só espero que eu esteja errado em uma coisa: quando eu disse que o Estado é onipotente.



Carlinhos Cachoeira pagando por seus pecados.



José Genoíno mandando seu recado para o povo.



Quimby, o prefeito de Springfield é um exemplo de bom governo e honestidade.



Já o Prefeito, que é prefeito de Townsville, está sempre ao lado de sua secretária de grandes seios,
a Senhorita Belo. Escândalos sexuais são comuns no mundo político.


E é por esse e por outros motivos que eu sou comunista.



¹ Caso a ironia não tenha ficado clara neste trecho, eu ratifico aqui que fui irônico.