quarta-feira, 27 de março de 2013

As Incríveis Aventuras no Planeta Que Só Tem Três Dias


Olá fieis seguidores do Pra Gente Rir! Cá estou após dar um chá de sumiço em muita gente. Devido a correria do dia a dia, não tive tempo de escrever mais nada - nem vontade. No entanto, o acúmulo de ideias fez com que eu tirasse uma meia horinha para tentar produzir algo. Não posso dizer que é meu melhor texto (tenho muitos outros que prefiro em detrimento deste), mas é uma tentativa de retomar uma escrita em estilo nonsense. O humor ainda não é o ideal, pois existem algumas lacunas, longos espaçamentos entre uma piada e outra. Ainda assim, estou satisfeito de voltar a escrever algo no estilo de "Negócio que faz Bebês", "Abacaxis", "O Ascensorista" e "Prieto". A inspiração deste texto veio da série brasileira "Os Aspones". Coincidências no estilo humorístico não é por acaso. Espero que (alguém) gostem.

 

 
PILOTO

 
Era uma vez, num lugar longínquo, no extremo Sul do Universo, na Galáxia de Tão, Tão Distante, um planeta pequenino no tamanho, mas grandioso no calor desumano. Sua dinâmica de funcionamento é muito parecida com a de nosso amado planeta, salvo por algumas diferenças, que irei enumerando conforme necessário. A mais importante delas, no entanto, é que este planeta só possuía três dias: domingo, segunda e sexta.

Então, passemos algumas informações sobre o planeta. Como já mencionado, o planeta possui calor desumano. Isso mesmo, ele é habitado por seres desumanos - seres muito parecido conosco, diferenciando-se por serem mais amáveis, respeitosos e altruístas. A população total, segundo o último Censo realizado pelo SINEP, é de 1 milhão de habitantes. Apesar do reduzido número, devido as proporções do planeta, ele está relativamente cheio. E com sua população mal distribuída. Cerca de 100 mil pessoas vivem na zona rural, com espaço de sobra. Já na cidade grande, vivem apertadamente as outras 900 mil pessoas.

O planeta possui apenas um único país, sendo que este é governado pelo Rei Atoidy - vida longa ao Nosso Amado Rei. No entanto, exceto pelo fato da coroa ser passada de pai para filho, a estrutura política de funcionamento do planeta que só tem três dias é bem semelhante a do Brasil, ou seja, temos as repartições públicas. E é numa delas que iremos verificar a primeira história desta narrativa épica.

A repartição pública em questão é a do Secretaria Internacional e Nacional de Estatística Populacional (SINEP), que apesar de ter o nome meio confuso, é fácil de entender qual sua função no planeta: a de empregar inúmeras pessoas que não irão fazer merda nenhuma. Como o Rei Atoidy - vida longa ao Nosso Amado Rei -, costuma reduzir gastos para enriquecer às custas do corte de pessoal e exploração dos funcionários, a repartição é minúscula, e está alocada junto ao Ministério dos Porcos e das Embaixadas Internacionais (que por sua vez, fica ao lado do Ministério das Estalactites, Estalagmites e da Comunicação). Vejamos agora, sem mais delongas, como é um dia de trabalho no SINEP.

Dois homens estão sentados junto às suas respectivas escrivaninhas, tendo à sua frente um computador e muitos papéis empilhados. Ambos os homens, de aproximadamente 115 anos (aproximadamente 50 anos na Terra), vestem camisas pólo, com os botões abertos e a parte superior dos peitos flácidos e cabeludos à mostra. Um deles, o de cabelo grisalho, está com fone de ouvido, escutando uma música enquanto "trabalha". O outro, de cabelo preto, mas com uma enorme calvície na parte superior da cabeça, está com ar de enfado. Descansa a cabeça com o queixo apoiado numa das mãos, enquanto com a outra olha as últimas notícias ridículas no site do YAIOO. A porta se abre abruptamente, para espanto do calvo, que salta na cadeira como se levasse um choque, voltando a uma posição ereta, ao mesmo tempo em que pega um bloco de papéis e o bate sobre a mesa, fingindo estar no meio da execução de uma importante tarefa. Quando percebe que é apenas o Seu Zé, o funcionário da limpeza, reclama:

- Caramba cara, você me deu o maior susto! Eu pensei que fosse o baixinho! - diz o calvo, referindo-se ao chefe da repartição. O homem grisalho continua tranquilo, pois não percebera que Seu Zé entrara, devido a música que escutava no fone de ouvido.

- Descurpa Gerardo. Ah, e o chefinho nem vem hoje. - diz Seu Zé. - Esqueceu que ele tem folga toda última sexta-feira do mês?

 - É verdade, você tem razão, Al! Eu nem tinha dado por mim que hoje era sexta! - Geraldo levanta-se e bate no ombro do colega com fone de ouvido. Finalmente, ele tira o fone de ouvido, dando pela presença de Geraldo e Seu Zé próximo a ele.

 - O que foi? - indaga o homem de cabelo grisalho.

 - Você nem me disse que hoje era sexta-feira, Moacir! - reclamou Geraldo, em tom de brincadeira.

 - E é? Nossa, eu tinha me esquecido completamente...

 - Como essa semana passou rápido, né pessoar? - disse Seu Zé, com a vassoura encostada nas pernas, enquanto enxugava o suór com um lenço surrado que tirara do bolso do macacão. - Parece que foi onti memo que a semana tava começano...

 - É verdade... Não é mole não, pessoal... - disse Moacir, com aquele ar típico do trabalhador sofredor, resignado com as dificuldades da vida.

 - Hey, hoje é sexta-feira, sabem o que isso significa? - disse Geraldo. Nem esperou pela resposta dos colegas. - Significa que hoje é dia de enforcar o trabalho mais cedo!

 - Ah muleque! - disse Moacir, mostrando um sorriso cheio de dentes amarelados, assim como seu bigode de fumante.

 - Deus abençoe o Rei Atoidy - vida longa ao Nosso Amado Rei! - exclamou o tiozinho da limpeza.

 Mas para quebrar a harmonia que pairava sobre o SINEP, eis que alguém bate à porta da repartição, para angústia dos três funcionários, especialmente de Geraldo e Moacir, responsáveis pelo atendimento.

 - Meu Pai amado! O quem será uma hora dessas? - diz Moacir, começando a acumular marcas de suór na região das axilas.

Sem responder, Geraldo toma a iniciativa e vai até a porta, abrindo-a. Surpreende-se ao se deparar com a mais linda mulher que já vira na vida. Elegantemente vestida, demonstrando uma grande força de espírito e uma autonomia invejáveis, ela anunciou-se antes que Geraldo proferisse palavra:

 - Olá, bom dia. Meu nome é Rebeca e eu sou a nova funcionária do setor.

 "É claro, a nova funcionária!", lembrou-se Geraldo. O chefinho tinha falado sobre ela, mas ele se esquecera completamente. Retomando a sobriedade, ele pediu para que Rebeca entrasse. Foram até a extremidade da sala, acompanhados de Seu Zé e Moacir. Os quatro sentaram-se ao redor da mesa, para uma pequena e solene reunião na repartição.

 - Esqueci de me apresentar, Rebeca. Meu nome é Geraldo.

 - Caraca! Toda repartição pública tem um Geraldo, é incrível! Na antiga repartição que eu trabalhava, tinha um Geraldo! O Seu Geraldo Moacir. O cara tem os dois nomes de velho mais comuns do mundo! - disse Rebeca, destituindo-se de seu ar sério e agindo escandalosamente.

 - Meu nome é Moacir. - disse Moacir, após pigarrear, em tom de vergonha ante aquela bola fora que Rebeca acabara de dar.

 - Ih, vocês só podem estar de brincadeira comigo! Agora só falta você me dizer que seu nome é Zé. - diz Rebeca, olhando para o homem da limpeza.

 - Seu Zé ao seu dispor, senhorita. - diz ele, com um largo sorriso, sem entender o constrangimento da situação.

 - Onde você trabalhava antes, Rebeca? - pergunta Moacir, que com o rabo do olho observa o largo decote de Rebeca.

 - Eu trabalhava na ANAX, Agência Nacional Anti Xenofobia, mas ela fechou semana passada.

 - Não diga! Sério? Mas é uma pena, vai fazer tanta falta... - comenta Moacir, tentando parecer simpático.

 - É mesmo. - diz Rebeca, abaixando a cabeça, em tom singelo de tristeza.

Geraldo, imbuído de sua liderança, rompe o silêncio e a tristeza que começara a se abater sobre o grupo iniciando o seu discurso.

 - Bom Rebeca, também sinto muito pela extinção da ANAX, mas creio que você será muito feliz aqui. A SINEP é um lugar muito sério e extremamente importante para o bom funcionamento de nosso país-planeta. Não sei se você teve o privilégio de ver, mas recentemente o Rei Atoidy - vida longa ao Nosso Amado Rei - fez um discurso e rasgou elogios a nossa repartição, citando a suma importância que ela tem dentro deste Ministério. Seu trabalho será muito cansativo, algumas vezes beirando à exaustão. Mas no final, creio que você se sentirá recompensada por ver os frutos deste belo trabalho que fazemos por aqui.

 - E o que fazemos por aqui? - perguntou Rebeca, curiosa.

 Sentindo o rosto afoguear-se de rubor ante aquela pergunta inesperada, Geraldo teve sangue frio para contornar a situação adversa.

- Já já chegaremos lá, meu bem. Como eu dizia, você trabalhará aqui todas as semanas, no verão ou no inverno, faça frio ou faça calor, com sol ou com chuva, do início da manhã até o final da tarde, de segunda à sexta...

 - Ei, ei, peraí! - interrompe abruptamente Rebeca.

 - O que foi pepeca?, digo Rebeca. - diz Moacir, quase babando na mesa, ainda com o olhar fixo nos seios de Rebeca e imaginando o que gostaria de fazer com eles.

 - É que eu não posso trabalhar nas sextas-feiras.

 - E por que não? - indaga Geraldo, levemente irritado com aquela petulância.

 - É porque eu sou adventista.

 - Adventista?

 - Isto. Eu faço parte da Congregação da Igreja Adventista do Terceiro Dia. E dentro de nossa doutrina, eu não posso trabalhar nas sextas-feiras.

 - Mas o terceiro dia não é domingo? - pergunta Seu Zé, ignorante como só ele.

- Popularmente sim, Seu Zé. Mas na verdade, a semana começa no domingo, sendo que a sexta-feira é o terceiro dia. - explicou Rebeca.

 - Ah ta, é que eu sempre se confundo. - diz Seu Zé, cometendo um solecismo. - Nunca intindi esse negóço. Pruquê é qui colocaro sexta-feira? Só pra confudir a cabeça da genti memo.

 - É por causa daquela música do Zezeca Amargo e Lucio Ânus, "Hoje é Sexta-feira". - explicou Moacir, que estava ouvindo aquela música há minutos atrás, quando estava na sala apenas com Geraldo.

 - Enfim, continuando... - interrompe Geraldo, irritado com as constantes interrupções - Rebeca, meu bem. Você tem que entender que isso aqui é coisa séria. Aqui não é casa da mãe Joana não. Aqui você tem que trabalhar. E se você não vier nas sextas-feiras, a tendência é só o serviço se acumular.

- Mas eu sou amparada por lei! A lei assegura que é direito meu guardar a sexta-feira conforme minha religião preconiza. E eu tenho que ser remunerada por isso! - afirma Rebeca, em tom incisivo.

 - Rebeca, mas é que todo esse trabalho...

 - Afinal qual é o trabalho que vocês fazem aqui? Até agora você não me disse qual é, Seu Geraldo.

 - É mesmo Geraldo, você ainda não nos disse qual é o trabalho que fazemos aqui! - diz Moacir, fazendo coro a Rebeca.

 - É memo Gerardo! - reforçou Seu Zé.

 Geraldo suava em bicas. Os três olhavam para ele. Um olhar fulminante, que esperava por uma resposta. E ele, por ser o mais experiente do setor, ficara responsável por responder aquela difícil pergunta. "Que droga, bem que o chefinho podia estar aqui hoje!", pensou Geraldo. E finalmente, entregou os pontos, dizendo:

 - Pelo amor do Rei Atoidy - vida longa ao Nosso Rei! Quem sou eu para questionar a lei? Ok Rebeca, você terá a sexta-feira livre!

 E eis que os três - Rebeca, Moacir e Seu Zé - comemoraram em uníssono, aplaudindo, abraçando-se e cumprimentando-se, ante aquela vitória conquistada por Rebeca, graças à união do trio.

 Sentindo enorme desconforto por ver que os três estavam mancomunados contra ele num motim. Assim que a festinha terminou, Geraldo disse:

 - Rebeca, creio que você veio hoje só para confirmar os pontos mais importantes, mas não ficará para o trabalho, certo?

 - Exatamente, Seu Geraldo. Como hoje é sexta, não posso ficar.

 - Então te vejo segunda-feira que vem?

 - Fora a essa, na próxima. - disse Rebeca com um movimento de mão, para surpresa de Geraldo. - É que segunda-feira que vem é feriado. É dia do servidor público.

 E eis que os três voltaram a comemorar, deram as mãos e começaram a dançar uma ciranda, enquanto Geraldo se retirava da sala, dirigindo-se ao banheiro para vomitar seu café da manhã.

 [CONTINUA?]


sábado, 9 de fevereiro de 2013

Papo de Velho e Carnaval


Esses dias, eu estava andando no centro da cidade de Piraju, quando dois transeuntes de avançada idade se cruzaram na rua e começaram a conversar. Transcrevo abaixo a parte da conversa que sem querer acabei ouvindo, antes, durante e depois de cruzar com os dois. A conversa segue no dialeto original:

- Fala Seu Zé! – cumprimentou o primeiro.

- Fala Seu Jão! – respondeu o segundo.

- E aí, tudo certo?

- Ah, tâmo lutano.

- Tem que lutar né, não pó pará!

Este diálogo, meu caro leitor, não é tão importante assim. Para ser mais claro, ele é o que há de menos importante neste post. Mas é que tive que levar uma das mãos à boca enquanto caminhava, para não começar a rir. Se você estivesse em meu lugar, também teria feito o mesmo. Dois idosos. Cabelos brancos. Adeptos do bigode. Usando camisas sociais com apenas dois ou três botões fechados. Aposentados. E o mais engraçado foi o trecho que escutei a seguir:

- E a chuva?

- Ah, ta terrível essa chuva, hein? – diz o Seu Jão, em tom de pesar. – Eu nunca vi nada parecido.

- Pois nem eu, rapai. To com quase 80 anos, 78 anos nas costa e nunca vi chuva braba igual essas que deu nos úrtimos dia. Chuva forte que dá até medo na gente. – comentou o Seu Zé, fazendo cara de espanto.

O restante do diálogo não importa. O que importa é isso. Já ouvi muito na TV, no rádio, na rua e em tudo quanto é lugar as pessoas dizendo: chuva igual essa nunca caiu igual; ou ainda, calorão mormaço igual jamais vi.

Será realmente que jamais fez tamanho calor? O velho todo santo ano em janeiro diz que nunca viu chuva igual! E no ano seguinte, é a mesma coisa: foi a pior chuva que ele já viu! Acho que com cada vez maior freqüência as pessoas estão ficando com Mal de Alzheimer.

O clima nunca está bom. É seca no Nordeste, é chuva no Rio de Janeiro, é ciclone extratropical no Rio Grande do Sul, é enchente em São Paulo. Tem alguma coisa errada aí, e eu acho que não é com o tempo. Todo mundo ta cansado de saber que vai ter “Feliz Ano Novo” no dia primeiro, mas que lá pelo dia dez já vai começar a choradeira lá no Rio porque a enchente ta levando o barraco e o que encontra pela frente.

Bom, e por falar em Rio de Janeiro, quero falar um pouco do Carnaval. Pra mim, se existe uma data que é mais desagradável que o Natal, esta data é a do Carnaval. Eu odeio o Carnaval. E eu odeio quem ama o Carnaval. Se você ama o Carnaval, eu te odeio. Se o Carnaval ama você, eu te odeio. E se o Carnaval odeia você, eu também te odeio.

Pra quem não sabe, o Carnaval foi uma festa inventada pelo deus todo poderoso dos romanos (e o décimo quarto deus mais forte de todos os deuses do universo), o deus Baco. Baco era um cara que gostava de música ruim, de bebida alcoólica, de glutonaria, de gente pelada, de sexo e de cheirar gatinhos. Um dia, ele teve a brilhante idéia de juntar tudo isso num só lugar, numa festa de arromba, que ele chamou de Bacanal. Posteriormente, após Baco ser morto pelos deuses pagãos bonzinhos, os deuses declararam que aquela festa era um crime contra um espírito e uma exaltação da carne. Daí em diante, passaram a chamar a festa de Carnaval.

O Carnaval basicamente é uma desculpa para as pessoas ficarem bêbadas, peladas e praticarem orgias em público, dentro da lei. E no caso do Brasil, é uma desculpa para o ano começar apenas depois de fevereiro, quando termina a festa. E um dos problemas do Carnaval é que no mês de novembro, mulheres fazem filas nos hospitais públicos para dar a luz a mais um “filho de carnaval”. Mulheres que fizeram sexo até o cara ejacular cinco segundos depois da penetração não querer mais, agora são castigadas com um filho. Isto sem falar de outros problemas menores, tais como doenças sexualmente transmissíveis.
Se você nasceu em novembro, existe uma grande possibilidade de você ter sido fabricado no meio da rua, no meio de uma micareta, ou num beco sem saída, com seus pais chapados. E é por isso que eu rio da sua cara se você nasceu em novembro!

Outra coisa ruim do Carnaval é que o meu blog não recebeu quase nenhuma visita neste mês, tudo por conta destes fanfarrões que nem na internet entram nos dias de orgia, a não ser para atualizar o status do facebook com a frase “tô chapado”.

Encerro este texto ridículo, um dos piores que este blog já viu dizendo que se você comemora Carnaval, eu espero que você morra, e que todo mundo que curte Carnaval morra, e que quase todo o Brasil morra. Pois aí quem sabe não teremos um lugar melhor para se viver. É isso.

Baco segundo o Wikipédia, fazendo alguma coisa que não consegui desvendar.


Ilustração de uma Bacanal, o antigo Carnaval.


 
E uma micareta, um ambiente gostoso de se estar, recomendado para formar uma nova toda a família.


O resultado da orgia de Carnaval. E agora, quem será o pai?


Idiotas comemorando Carnaval em Piraju.


Quando penso em Carnaval, um nome me vem a mente: Leci Brandão. E uma palavra explica Leci Brandão: musa.




P.S. o texto não saiu muito bom porque eu escrevi ele correndo, pois estou com pressa de sair e pular Carnaval.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Estado


{Agradeço ao R, pois ele sem querer acabou me inspirando a escrever este texto. Nada do que escrevi aqui é revolucionário ou inédito, mas sim baseado no conhecimento que adquiri com diferentes pessoas, principalmente ao longo do ano passado}

Era uma vez uma entidade abstrata e onipotente chamada Estado. De vez em sempre, o Estado adorava sacanear as pessoas, aprontando uma de suas brincadeiras irônicas. Esqueci de dizer que além de abstrato e onipotente, o Estado também é irônico.

Um exemplo de como o Estado adora ironias e contradições, é exemplificado a seguir. Se eu, cidadão brasileiro, atropelar vários pedestres e ciclistas, bater em outros carros e fizer várias barbeiragens após ingerir álcool, provavelmente serei autuado em fragrante e preso, indiciado por homicídio doloso. Porém, se o mesmo evento acontecer com Thor Batista, filho do bilionário Eike Batista, o que acontece é que ele é conduzido gentilmente até a delegacia, solto pouco tempo depois após pagar uma fiança que, para o padrão de vida dele, sequer faz cócegas em seus bolsos. E de quebra, pra fechar com chave de ouro, se o motorista fosse o Thor Batista, nesse caso o coitado do ciclista seria preso por tentativa de homicídio ao playboy, e isso apenas porque teve a infelicidade de ter nascido preto e pobre.

Ah, isto me faz lembrar que é importante frisar que tem três categorias que são as que mais se ferram no Brasil, conhecidas por 3Ps: pretos, pobres e prostitutas. O Estado adora ferrar apenas os já naturalmente ferrados pela vida, mas ajuda os verdadeiros ruins da história toda a darem-se bem. O Estado criou algo chamado bem e mal. O bem é representado pelos ricos, pelos brancos e membros de uma família “estruturada”, que ganharam dinheiro e construíram seus patrimônios de maneira digna¹ e honesta¹, sem explorar sequer uma alma viva (até porque os 3Ps não têm alma), sem cometer nenhuma injustiça ou atitude condenável. Pelo menos, nenhuma atitude condenável à luz da Constituição. Constituição. Tá aí o instrumento utilizado pelo Estado para brincar com as pessoas, empoderando uma minoria que já detém o poder e lascando de vez os já lascados.

Só que o Estado, com essas brincadeirinhas que ele julga bobas, muitas vezes acaba pegando pesado demais. Vamos dar um exemplo sobre isso, utilizando a Constituição como base. Uma negrinha pobre, de uma favela, tem um filho com um drogado. Esse filho, obviamente também negro, nasce num lar pobre e desestruturado. E o Estado brinca de faz de conta com aquela família, pois no seu livro predileto, a Constituição, ele diz que é direito de toda pessoa a educação, a saúde, a alimentação, a moradia, o emprego, a dignidade e a muitas outras coisas importantíssimas para todos. Mas lembre-se que é apenas um faz-de-conta. Porém, outra parte deste livro, é baseado em fatos reais. E é a parte que diz que roubar, traficar, assaltar, é crime.

Em outras palavras, como muito bem disse o R numa conversa que tive com ele dias atrás, o Estado não faz nada para cumprir a parte que lhe compete, neste conto da carochinha que ele mesmo criou, aí quando o garoto da nossa história tenta dar um jeito de se virar e sobreviver – dar um jeito com base nas poucas opções que lhe foram dadas – o Estado resolve dizer que parte da fantasia era realidade, e o pune severamente. E nós, pobres e tolos brasileiros, acreditamos. Acreditamos que a favela é uma fábrica do mal. Que o negro é o perigoso. Que ele é só culpado, jamais vítima.

O Estado às vezes é muito cruel em sua arte, permitindo Carlinhos Cachoeira, um dos grandes corruptos do momento, curtir lua de mel, livre e solto, mesmo após inúmeras acusações contra ele. Permite ainda que José Genoíno – aquele tiozinho vagabundo do PT e do mensalão – assuma uma cadeira no Congresso Nacional, mesmo com a Lei Ficha Limpa. Mas não dá segunda chance para o ex-presidiário. Aliás, não dá nem uma primeira chance, na vida pregressa a contravenção que levou o indivíduo, quase sempre preto e pobre, a ser preso.

Por fim, mais uma brincadeira que o Estado faz conosco, e talvez uma fundamental para que todas as outras funcionem, é brincar de cabra-cega. Ou melhor, povo-cego. Todo mundo fica cego, ninguém percebe o que está acontecendo, como essa máquina chamada Estado funciona. E os poucos que percebem, são praticamente impotentes frente a uma multidão que apóia (cegamente) o Estado.

E a quem culpar? A presidência? Aos deputados e senadores? Ao aparelho jurídico? Ao povo? Talvez, após ter lido este texto, alguém pense “culpemos o próprio Estado”. Advirto que o Estado, como eu bem disse no início do texto, é uma entidade abstrata e não é passível de ser punido. Só espero que eu esteja errado em uma coisa: quando eu disse que o Estado é onipotente.



Carlinhos Cachoeira pagando por seus pecados.



José Genoíno mandando seu recado para o povo.



Quimby, o prefeito de Springfield é um exemplo de bom governo e honestidade.



Já o Prefeito, que é prefeito de Townsville, está sempre ao lado de sua secretária de grandes seios,
a Senhorita Belo. Escândalos sexuais são comuns no mundo político.


E é por esse e por outros motivos que eu sou comunista.



¹ Caso a ironia não tenha ficado clara neste trecho, eu ratifico aqui que fui irônico.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Tião


Última postagem de 2012

Confira agora mais uma história com o selo de qualidade Pra Gente Rir.

Atenção: a história a seguir é baseada numa pessoa, lugares e acontecimentos reais. Qualquer ligação dessa narrativa com alguém que você conheça pode não ser mera coincidência. Por uma questão antiética, os nomes reais foram mantidos. Se você se sentir ofendido com quaisquer citações do texto, por favor, entre em contato com nossos advogados.

O colaborador Boretti publicou ano passado uma postagem referente ao Cão do Tião. Por isso, estive pensando nos últimos dias: ora, se o ilustríssimo Cão do Tião conseguiu ser assunto no blog, então por que não oferecer também uma oportunidade para que o proprietário do Cão do Tião (no caso, o Tião) também tivesse uma aparição?

Foi pensando nisso que resolvi contar um pouco da história de Sebastião Bento dos Santos Filho, vulgo Tião para os mais íntimos, ou até mesmo para os não íntimos. Tudo começou muito antes do nascimento do próprio Tião II, ou Tião Filho, pois antes dele, tivemos o Tião I, ou Tião Pai, como preferir. O pai de Tião, o Tião, foi um lavrador, um humilde plantador de café, que sonhava uma vida melhor para sua família. Tal vida melhor nunca veio. Se casou com uma caboclinha xucra igual ele, a qual deu-lhe uma penca de filhos, e cujo primogênito, onde depositou suas maiores esperanças, Tião o bautizou Tião, assim como ele. Alegou ele, que Tião Filho conseguiria realizar os sonhos que Tião Pai almejara e não conseguira.

Para infelicidade de Tião Pai, duas desgraças de abateram sobre sua prole. A primeira delas foi que a fome que devastou a região de Piraju, onde viviam, dizimou grande parte da população, matando inclusive os 11 filhos de Tião. O único que sobreviveu foi justamente o primogênito, onde Tião depositara suas fichas, Tião.

A segunda desgraça é que Tião mostrou-se completamente atoleimado, dono de um QI que seria ridículo até mesmo para um anfíbio. Tião não era totalmente incapaz, pois foi alfabetizado (de maneira medíocre, mas foi), aprendendo a ler, escrever, contar e fazer cálculos ordinários. Além disso, Tião tinha uma péssima coordenação motora, o que não lhe permitia ter nenhum outro dom, como por exemplo desenhar. Imagine, caro leitor, a festa que os pais de Tião fizeram quando ele concluiu a quarta série, aos 17 anos de idade! A mãe, completamente iletrada, mas cozinheira prendada, matou um porco e preparou um banquete para o orgulhoso Tião.

O pai, apesar de feliz com esta conquista do filho, entristecia-se a cada dia mais, ao ver que seus projetos para o filho não se realizariam. Porém, nesta nova onda que era o de sonhar que todo menino virasse jogador de futebol, Tião ganhou do pai uma bola, para que mostrasse sua habilidade para o mundo e fizesse fortuna. Tião, porém, mostrou-se também um fracasso nas artes futebolistas. Não ganharia um vintém com seu parco talento.

Tião era pobre, preto, burro e ruim de bola. Restava-lhe apenas uma opção para conseguir um lugar ao sol: ser bonito. Mas Tião, no tempo que estudou, foi eleito pelos coleguinhas como o ser humano mais feio que qualquer um deles já tinha visto. Nem essa graça Tião recebera dos céus, o que lhe permitiria conquistar uma velha cheia da grana, no Baile da Terceira Idade do Centro de Lazer do Trabalhador Dr. Luiz Ferreira de Oliveira, de Piraju.

O mais ávido leitor se pergunta: mas se Tião não era bonito, sem qualquer talento e pobre, como é que ele conquistou o topo, chegando a fama? E como surgiu a história do Cão do Tião. Sinto dizer que esta, meu caro leitor, é uma história para outra postagem.


Confira agora uma rápida entrevista que Tião concedeu a um dos correspondentes do Pra Gente Rir no último sábado:

Pra Gente Rir: Grande Tião, conta pra gente como estão os últimos projetos, essa correria, maratona de shows e tudo mais, diz pra gente como é que tá!

Tião: Caluda!

Pra Gente Rir: Gostaria de pedir que você mandasse uma mensagem de Natal para todos os fiéis seguidores do blog Pra Gente Rir.

Tião: Desejo que todos (incluindo leitores e colaboradores do blog) tenham um péssimo Natal, assim como o meu, cheio de consumismo, glutonaria, bebedeira e muita depressão.

Pra Gente Rir: Obrigado pela disponibilidade Tião! Um Feliz Natal e um próspero Ano Novo para você também!

Tião: Te dou um murro no meio da boca...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer VS Morte

Agora há pouco, faleceu o famigerado Oscar Niemeyer, um dos decanos da humanidade. Pra quem me conhece a mais tempo e já leu meus textos de 6, 7 anos atrás, sabe muito bem que em "Os Andarilhos", minha aclamada coleção de textos sobre os irmãos Chapolin Colorado e Fernandinho Beira-Mar, eu cito inúmeras vezes Dercy Gonçalves e Niemeyer. Na época, ambos estavam próximos de completar os 100 aninhos de vida. Minha brincadeira, obviamente, consistia em brincar com a suposta imortalidade de ambos. Hoje, porém, Niemeyer morreu. E a única certeza do mundo parte junto com nosso - em nossas mentes - imortal arquiteto.

Estive aqui pensando, após saber da morte de Niemeyer, em sua importância para a história do Brasil. E uma das coisas que pensei foi: o que teria maior impacto na população brasileira: a morte de Niemeyer, ou a morte de Luan Santana, Gusttavo Lima, Michel Teló? Bom, creio que entre as crianças de 5, 10 anos, e até os adolescentes de 15 anos, provavelmente a morte de nossos grandes cantores e compositores nacionais, que exaltam a cultura brasileira, gerariam maior comoção nacional. Porém, desta faixa etária pra cima, eu tenho lá minhas dúvidas. Eu francamente quero acreditar que o povo brasileiro irá reconhecer que um gênio como Oscar Niemeyer foi muito mais relevante para o país e para o mundo do que estes pseudocantores. Agora, se pessoas com minha idade ou mais, insistirem em achar os supracitatdos cantores mais importantes que Niemeyer, sinto dizer que o Brasil não merece o filho arquiteto que teve.

Outra coisa que estive pensando foi na luta de Niemeyer contra a morte. Se eu pudesse fazer uma analogia dela com uma luta de boxe, Niemeyer teria se esquivado muito bem dos ataques da Morte. Teria até batido nela bastante, deixando-a atordoada e confusa. Mas nos últimos rounds, cansado da briga, Niemeyer abriu a defesa e também começou a levar uns golpes. Niemeyer e a Morte teriam trocado muitas porradas, ambos desfalecidos quase no fim, quando finalmente a Morte conseguiu a vitória. Não por nocaute, é claro. Por desistência de Niemeyer da luta, poucos segundos antes de acabar o último round (o mundo vai acabar nos próximos dias, não se esqueçam).

Agora, se a analogia fosse com esconde-esconde, Niemeyer teria encontrado um esconderijo muito bom. Só depois de anos procurando, foi que a Morte descobriu onde o danadinho do Niemeyer estava escondido. Se a analogia fosse de uma corrida, Niemeyer teria sido um ótimo maratonista, abrindo larga vantagem em relação a sua adversária Morte nos 21 km iniciais, sendo que a diferença diminuiu gradativamente apenas na segunda metade da corrida. Só nos metros finais que a Morte alcançou Niemeyer, superando-o.

Provavelmente, independentemente da analogia que usemos, a Morte deve estar bem cansada agora, depois que Niemeyer deu-lhe uma boa lição. Quem sabe, daqui alguns anos, depois de descansar um pouco, a Morte não resolve contar outra história, depois de "A Menina que Roubava Livros"? Aguardemos ela contar a sua mais alucinante caçada já empreendida, caçada esta que durou quase 105 anos.

Felizmente, Niemeyer foi homenageado em vida, o que me deixa feliz, pois fico extremamente frustrado quando uma personalidade recebe as devidas homenagens apenas depois de morrer, quando já não mais as pode ver.




 A Morte segundo Markus Zusak

 E a Morte na maratona, correndo atrás de Niemeyer.

 Niemeyer jovem, nos bastidores do filme "O Poderoso Chefão", onde interpretou Don Vito Corleone. Marlon Brando foi seu dublê.

 Único lugar da BOSTA do Rio de Janeiro que quero conhecer: Museu de Arte Contemporânea.

 A obra que projetou o nome de Niemeyer mundialmente: o Peixe Amarelo, localizado em Piraju, São Paulo.

Eu envergonhando o Niemeyer, ao tirar foto no Museu Oscar Niemeyer (vulgo Museu do Olho), em Curitiba.

domingo, 11 de novembro de 2012

TCC


O TCC (terceiro comando da capital trabalho de conclusão de curso) deve ser feito pelos alunos que estão prestes a se formar em faculdade, cursos técnicos e outros agregados.

A primeira coisa a se fazer num TCC é decidir qual será o tema, isso pode parecer algo simples, mais vira um verdadeira tortura, pois seu orientador nunca dá uma ideia legal, só fica esperando que os alunos achem algo por conta própria.


Seu professor ajudando na escolha do tema do TCC


O mais chato desse trabalho é que devem ser seguidas as normas ABNT, e essas normas são uma merda, sinceramente quem criou essas normas estava com muita vontade de ferrar a vida de todo mundo.

Sua reação ao ver as normas ABNT


Após finalizar o trabalho, onde você acha que tudo chegou ao fim, você mais um vez entra em desespero, pois tudo não chegou ao fim, ainda tem a apresentação do trabalho para uma banca avaliadora. 

Banca avaliadora do TCC


Essa banca só tem cara chato que começam a ver defeito em tudo no seu trabalho, e fazem um monte de perguntas que você não faz a minima ideia de como responder elas.


Você apresentando seu TCC


Depois de fazer tudo, e ser aprovado no TCC, é hora de correr pro abraço e comemorar, você passou por uma das coisas mais chatas da vida.

Você comemorando após passar no TCC.


sábado, 3 de novembro de 2012

Enem 2012

Todo ano é a mesma coisa! As pessoas avisam, previnem, alertam... Mas os candidatos não escutam! É por isso que, confesso, sinto prazer em ver as pessoas dando de cara com os portões fechados.

Isso mesmo, sou tomado por uma sensação de verdadeiro prazer, por ver seres humanos como eu sofrendo. Segundo o Wikipédia, este sentimento, que alguns poderiam chamar de sadismo, na verdade se chama Schadenfreude. Esta palavra, de origem alemã, ainda segundo o Wikipédia, serve para designar o sentimento de alegria ou prazer pelo sofrimento ou infelicidade dos outros. Antes que me considerem um psicopata, alerto que só tenho tais sentimentos em provas como o Enem... E quando vejo toureiros tomando uma surra do touro, ou quando vejo caras empinando a mota (e fico torcendo para eles caírem).

Dito isto, vejamos agora as fotos dos miseráveis seres humanos que perderam a prova por "Um minuto! Um segundo!" (todas as fotos foram roubadas no site do G1): 

Primeira idiota que se ferrou.

Essa aí errou o local da prova, se ferrou, e tirou uma foto para o G1.

Corre, idiota!
Mesmo correndo, ele não conseguiu chegar a tempo. Perdeu a prova por um minuto! Um segundo!

Nesta escola, aproximadamente 150 pessoas se ferraram juntas, e tudo por causa de um minuto! Um segundo!


Algumas pessoas que perdem o horário, fazem cara de bunda em frente ao portão...

... Enquanto outras fazem cara de desespero, como se fosse o início do Apocalipse. 

Pior que chegar atrasado para a prova, é chegar lá e ter toda a imprensa te fotografando, para se
tornar uma das vergonhas nacionais, tendo sua cara estampada pro país inteiro ver e ser zoada
na segunda-feira no trabalho ou na escola, pelos amigos.

E pra fechar, um candidato que tenta comover o coração dos fiscais de prédio para entrar, depois de chegar
atrasado. Repare que ele gesticula que se atrasou por apenas um minuto! Um segundo!


Para entender a piada do "Um minuto! Um segundo", veja o vídeo de uma atrasada do Enem 2010, clicando aqui. Repare também o "hadouken" e no "Eta. Meu Deus. Ave Maria. Eu não quero nem ver a mulher chorando."

É isto pessoal. Por enquanto é só. Hoje foi apenas o primeiro dia, mas já representa bem o que virá amanhã. Ano que vem tem mais gente perdendo a prova por um minuto! Um segundo!