quinta-feira, 31 de maio de 2012

GTA Brazil


Para as pessoas que vivem nas grandes cidades e já tiveram o privilégio de jogar algum dos games da franquia GTA, poderá notar certa semelhança entre as cidades imaginárias do game e as grandes metrópoles da vida real. E para isto existe uma explicação extremamente simples: as grandes capitais brasileiras, a exemplo das americanas, foram projetadas e construídas inspiradas nas cidades do game GTA.

Quem vive nas grandes cidades sabe como o movimento é intenso. No meu caso, que saí do pequenino condado de Piraju e vim morar na capital tupiniquim, percebo com maiores detalhes as discrepâncias entre um município interiorano e uma capital. Aqui, tal como no GTA San Andreas, o tempo todo está acontecendo algo. De início, quando eu jogava GTA, achava que só estavam acontecendo coisas onde eu estava, quando de repente, para minha surpresa, pude notar motoristas barbeiros batendo e derrubando os postes de energia elétrica, policiais atirando contra supostos bandidos, atropelamentos estapafúrdios, pessoas caindo no rio e morrendo afogadas (ou com o impacto do corpo contra a água, não tenho muita certeza). Fato é que a cultura na cidade grande é semelhante a do jogo, pois sempre que estou nas regiões mais movimentadas de Brasília, vislumbro pessoas correndo como loucas para atravessar a rua quando o semáforo abre, motoristas buzinando e quase batendo seus carros uns contra os outros.

Isto sem falar dos acidentes. Ontem mesmo eu estava preso dentro de um busão, no engarrafamento típico do início da noite, quando vejo na faixa contrária uma viatura do corpo de bombeiros parada socorrendo um motociclista acidentado. Logo atrás, outra viatura socorria outro acidentado, creio eu que a segunda pessoa que acidentou-se juntamente com o indivíduo anterior. Mas o mais incrível foi que, depois do ônibus andar uns 50 metros (o que deve ter levado quase uma hora), havia outro acidente na pista contrária, ou seja, o indíce de acidentes ali é altíssimo. Detalhe: tinha acabado de começar a chover. A chuva mal começara, e com ela também vieram os acidentes. Ah, e por falar em chuva, em cidade grande, quando começa a chuviscar, a pista já fica totalmente molhada. Se chove um pouco mais forte, percebe-se os primeiros acúmulos de poça (o suficiente para encharcar tênis e meia de qualquer pedestre, ou de molhá-lo por inteiro, quando um motorista ignorante faz a água espirrar por cima dos pedestres, como uma tsunami). E se chove forte, como costuma acontecer de vez em quando, pode preparar os barcos, pois a cidade fica completamente alagada, a água ficando na altura do pulso da mão (considerando a mão levantada em linha reta acima da cabeça).

Outra coisa que eu acho interessante são os policiais daqui de Brasília. A formação social da população brasiliense é totalmente diferente. Pra começar, as pessoas são mais mal humoradas. O cobrador do ônibus nunca te dá bom dia ou um obrigado - eles não têm tempo para perder com isso. Também pudera, se eles fossem dirigir a palavra a cada pessoa que eles atendessem, não fariam outra coisa senão dizer bom dia. Aqui ninguém perde tempo com nada. Se um passageiro senta do lado do outro, eles não conversam. Aqui o pessoal tem juízo. Ninguém fica jogando conversa fora. Ninguém ta afim de levar uma facada na boca. Mas voltando aos policiais - estou divagando -, o fato da cidade ter uma outra formação social, faz com que o comportamento dos policiais difira e muito dos seus companheiros de corporação que atuam numa cidade pequena. Em Piraju, além da demanda de trabalho ser pequena para policiais, as piores coisas que lhes acontece é ter que retirar o gato de cima de uma árvore, juntamente com a ajuda do corpo de bombeiros; ou ainda, os policiais interioranos encontram e lidam com alguns vagabundos, e algumas raras vezes, um bandido de verdade. Já aqui em Brasília não: a polícia está o tempo todo com o sinal de alerta ligado. Eu mesmo quando estou voltando da faculdade e desço do ônibus, sou obrigado a cruzar com uma viatura da polícia, abordando três indivíduos, estes com as mãos na nuca, sob comando da frota policial. Eu fico imaginando como deve ser a adrenalina de ser policial em cidade grande. Por exemplo, se um bandido apontar um revolver pra minha cara ou pro meu peito, provavelmente eu vou sentir medo e nervosismo. Creio que terei a consciência de que tudo poderá acabar naquele momento, se eu fizer um movimento brusco, ou se acidentalmente o bandido pressionar o gatilho e estourar a minha cara com o impacto do projétil. Então o policial deve se sentir com uma adrenalina parecida, pois como a cidade é grande e tem muita gente, ele não conhece ninguém, e nunca sabe quem é o cidadão de bem e quem é o bandido - se bem que eles devem farejar o perigo iminente. Em todo caso, eles sabem que estão ali para matar ou morrer, assim como os bandidos. Então, partindo desse raciocínio, creio que eu já fui um bandido na mente de alguns policiais aqui de Brasília e, talvez vou até mais longe com isso: um desses policiais até fez suas preces finais, achando que eu iria tirar-lhe a vida, ou oferecer-lhe uma dose de abacaxi (o que vai contra os meus princípios).

Os bandidos também são uma atração a parte aqui em Brasília. As inúmeras gangues que existem aqui estão tentando dominar a cidade, cumprindo o maior número de missões que forem capazes, conquistando o maior número de territórios possíveis aqui em Brasília, e tentando pichar a cidade inteira. Cada gangue tem suas características que a diferenciam de todas as outras, que vão desde a tonalidade da pele (menos preta, mais preta ou ainda mais preta), as indumentárias, a cor da pele, os trejeitos e até mesmo a cor da pele. Brasília, como já dito, possui um trânsito muito carregado, pois a média de Brasília é de três veículos por habitante. E o mais impressionante é que nos horários de pico, onde todo mundo resolveu sair de carro, tem pelo menos duas pessoas em cada carro. Na boa pessoal, quem ta dirigindo todos esses carros?

Com uma frota tão grande, é compreensível porque o mercado da delinquência esteja num crescendo. Dados estatísticos apontam que a cada dia pelo menos três pessoas começam a delinquir, partindo para a formação na vida do crime. E a expectativa é que o mercado brasiliense consiga absorver todos estes profissionais do segmento criminoso. Numa proporção bem menor, formam-se os policiais, que como já dito, garantem a segurança de todos nós. Os bandidos, que também já jogaram GTA (faz parte da formação teórica deles como criminosos), sabem que para cumprir determinadas missões precisam de dinheiro para custear as armas, granadas, coletes à prova de balas e até mesmo outros acessórios. Então, como qualquer pessoa normal, eles procuram um jeito de conseguir esse dinheiro para iniciar seu negócio. O jeito que encontram é inspirado na excelente formação que tiveram em GTA: roubando um táxi e fazendo algumas corridas (ou ainda, aqui tem uma outra modalidade, que é a do transporte pirata), roubando um carro de polícia e fazendo missões como policial, matando seus iguais, ou ainda utilizando do método clássico e preferido por aqui: espancando até a morte com um taco de beisebol o primeiro idiota que aparece a sua frente na rua e torcendo pra ele ter dinheiro.

Enfim, esse assunto é muito longo e não quero me estender mais, por isso o encerro por aqui, enquanto ainda estou por cima.

Um típico policial de Brasília.

 Vem aí: GTA Brasília! Mais uma promessa de sucesso de vendas 
de um produto desenvolvido pela Rockstar Games.

Ryder sobre ele mesmo: "Shit, CJ! Shit!"

Cenas exclusivas de como será o novo jogo, divulgadas pela Rockstar com
exclusividade para o Pragenterir: gráficos mais realistas, som ambiente perfeito
e possibilidade ilimitada de movimentos dos personagens. O jogo GTA Brazil contará
com três cidades: San Pablo, Rio de Febrero e Braziléia (em destaque no vídeo).

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Lei de Murphy e o Problema do Pão


Se alguma coisa pode dar errado, dará.

Esta famosa frase, enunciada por um antepassado do Eddie, ficou famosa como sendo a Lei de Murphy. Especialistas da área do Direito dizem que a Lei de Murphy é uma das poucas leis que funcionam integralmente no Brasil, perdendo apenas para a Lei da Gravidade e para a Lei T'amento. A Lei de Murphy, ou simplesmente A Lei, preconiza que as coisas tendem a dar errado, ou seja, se tiver algum jeito de você se ferrar, não se preocupe em tentar evitar tal situação, porque isso irá acontecer inevitavelmente.

Já o segundo enunciado dA Lei, que também é interessante, diz: se para desempenhar determinada atividade, houver quatro maneiras dessa atividade dar errado e você sabiamente prever as quatro e se precaver para que nenhuma delas aconteça, surgirá uma quinta maneira inesperada e sua atividade dará errado.

Este enunciado complementa o primeiro, dizendo que não importa o nível da sua precaução, pois se for pra dar errado, dará de qualquer jeito. Baseado nisso, após muita reflexão, eu elaborei um problema que ilustra de maneira simples como a Lei de Murphy funciona. Observe abaixo o caso hipotético deste problema, aclamado pela comunidade científica:

Você está chegando em sua casa, após voltar do trabalho, da escola, da acadêmia, do Pirabar ou de qualquer outro lugar. Você está cansado e faminto e pretende comer pão, mas lembra-se que o pão acabara no café da manhã. Então você pensa: é simples, vou passar na padaria da esquina para comprar alguns pães e o problema está resolvido.

Mas você se esqueceu de algo, caro leitor... não estamos falando de qualquer problema. Estamos falando do Problema do Pão. E é aí que surge o paradoxo: você fica na dúvida se algum outro morador de sua casa já comprou os pães. Lembro ao leitor que você está faminto, e morto de cansaço. Fazendo uma citação shakespeareana: Comprar ou não comprar pão? Eis a questão.

Analisemos as duas opções e as desvantagens de cada uma (nenhuma delas possui vantagem real): se você comprar pão, quando chegar em casa, corre o risco de constatar que algum outro morador já comprou o bendito pão. Nesse caso, vocês serão obrigados a comer pão duro, velho e com bolor por alguns dias, já que foi comprado um número de pães maior do que seu clã costuma consumir. Ou ainda, podem jogar fora os pães excedentes, mas isso não elimina o desperdício do dinheiro e consequente sucesso da Lei de Murphy.

E por último, mas não melhor, nós temos uma segunda opção: não comprar os pães e ir para casa, na esperança que alguém já tenha comprado. Obviamente, neste caso, você irá constatar que ninguém comprou pão e você irá morrer de fome, pois suas energias não são suficientes para voltar até a padaria comprar os pães. Tal como aqueles jogos de corrida de carro, se você se aventurar a ir até a padaria, ficará no meio do caminho, por falta de combustível.

A conclusão do Problema do Pão, por mim proposta, já foi analisada por diversos filósofos, e uma tese foi elaborada pelo norueguês Jostein Gaarder, autor de um tal de "O Mundo de Sofia". Ele diz que não importa qual decisão o sujeito tome nesse problema, pois tomando a Lei de Murphy como verdade absoluta, independente da decisão no Problema do Pão (e em qualquer outro problema na vida) o universo dará um jeito de fazer sua decisão ser a errada. Segundo ele, o pão ter sido comprado ou não por outra pessoa não é um fato consumado e independente do restante do problema, mas sim uma consequência da decisão do indivíduo. Jostein Gaarder afirma haver uma relação de causalidade entre os eventos, sendo que, ao contrário do que estamos acostumados, o evento primeiro é o efeito e o evento último é a causa. Gaarder recebeu muitas críticas por sua teoria, por não explicar a relação de causalidade invertida que propôs. Muitos consideram que há uma lacuna em sua explicação, mas, como nenhuma teoria melhor surgiu até então, essa vem prevalecendo entre a comunidade científica.

Outro claro exemplo de algo que acontece com frequência em nosso cotidiano, que tem a mesma base do Problema do Pão, é relacionado a previsão meteorológica. Observe que quando você sai munido de três blusas de frio, duas calças (a do pijama por baixo) e guarda-chuva, faz um sol de rachar. E quando você sai de casa com uma camiseta regata, shorts, chinelas e até mesmo tendo passado protetor solar, cai um dilúvio de 40 dias e 38 noites em sua cidade, contrariando a previsão do tempo do jornal. Mais uma vez, a previsão é apenas o efeito de uma relação cuja causa é a maneira como você sai de casa.

Tais raciocínios me fizeram lembrar de um pensamento de um grande amigo murphyano meu, e é com uma paráfrase deste pensamento que encerro minha postagem.

"No jogo de Winning Eleven, quando estiver jogando contra a máquina, não importa o que você faça, não importa o tamanho de sua habilidade, não importa o nível de seu empenho e de sua concentração, você irá tomar gol de qualquer jeito. [...] Chegar ao gol adversário é fácil, fazer gol é difícil. Marcar (os jogadores adversários) é fácil, não tomar gol é impossível."

Representação simbólica de uma possível personificação da Lei de Murphy.

 Algumas pessoas vivenciam cenas cômicas por causa da Lei de Murphy...


... já outros se ferram pra valer por causa dela. Na imagem acima,
foto de Marlon Brandon Lee, ator que morreu durante uma cena no filme "O Corvo",
seu penúltimo trabalho como ator. A causa mortis foi a Lei de Murphy.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Enrico Pollini

Enrico Pollini (1957 - 2012) foi um recordista do Guinness Book, conhecido como o maior dorminhoco do mundo. Nasceu na Itália e, quando criança, sempre teve dificuldades de aprendizagem na escola, devido ao excessivo sono que o acometia durante a aula. "Eu não podia evitar, de repente sentia a voz do professor ficando cada vez mais distante, até que desaparecia", contou Enrico, numa entrevista exclusiva concedida ao Pra Gente Rir.

O sono em excesso provocou-lhe muitas situações embaraçosas, como ele mesmo contou. Quando tinha 17 anos, uma garota levou-o até sua casa, quando os pais não estavam. "Provalvemente ela queria fazer aquilo", disse Enrico, com certa dúvida. "Ela me jogou na cama e começou a tirar a camiseta, para minha surpresa. Observei ela levar as mãos para as costas, na tentativa de desprender o gancho do sutiã. Assim que ela o desprendeu, ela começou a trazer as mãos para frente, com um risinho malicioso". Nesta parte de nossa conversa com Enrico, ele parou de falar. Perguntamos o que aconteceu em seguida, curiosos com o desfecho da história. Aparentando certo desconforto, ele nos contou que não viu mais nada, pois dormiu a seguir.

Obviamente, a moça ficou com o orgulho ferido. Ela atribuiu o sono dele a um desinteresse sexual pelo corpo dela. Isso a deixou pessoalmente sentida, pois ambos nunca mais se falaram. Enrico jamais pensou que seu sono excessivo fosse um problema neurológico. Mesmo tendo perdido alguns empregos e oportunidades de ouro (como narraremos a seguir), Enrico não chegou a procurar ajuda médica. Órfão desde cedo, além de seu problema narcoléptico, Enrico apresenta outra característica interessante: ele raramente demonstra sentimentos. O psiquiatra dele afirma: "Ele é bom por natureza, mas me surpreende o fato de nunca demonstrar emoções. Ao falar de seus pais, certa vez, numa sessão, ele disse: 'Meu papa está morto. E minha mama também. Estão todos mortos'. O que me chocou foi que ele disse isso sem a menor emoção. Ele não se sente mal de ser completamente sozinho no mundo."

Perguntamos a Enrico sobre outros relacionamentos que ele teve após o embaraço pelo qual passou aos 17 anos, na tentativa de descobrir algum trauma do fato. "Eu já perdi meu coração muitas vezes na vida", disse-nos Enrico, arqueando as sobrancelhas, num patética tentativa de parecer charmoso. Aos 30 anos Enrico mudou-se para os Estados Unidos, depois de ser expulso da Itália (por um motivo que não vem ao caso no momento. Há 11 anos atrás, quando Enrico tinha 44 anos, surgiu a grande oportunidade de ouro de sua vida, quando ele estava hospedado num hotel (Enrico é andarilho, não tem residência fixa). Enrico e mais cinco pessoas (algumas acompanhadas de suas famílias) ganham uma chave nas máquinas caça-níqueis do hotel. O poderoso magnata americano, Donald Sinclair, dono do hotel, conta que eles foram sorteados para participar de uma corrida, com início no cassino em Las Vegas, até uma estação de trem em Silver City, Novo México (que fica nos Estados Unidos). Na estação de trem, um prêmio de dois milhões de dólares. A um sinal do excêntrico Donald Sinclair, as seis equipes partem em busca do prêmio.

A equipe de Enrico Pollini, composta por ele próprio e mais ninguém partem. Donald Sinclair e outros magnatas apostam, pelo simples prazer da aposta, em quem será o vencedor da corrida do ouro. Contra todas as probabilidades, Enrico consegue chegar antes que todo mundo ao final da corrida, mas, quando insere a chave no armário onde está contido o dinheiro, o seu inseparável companheiro - o sono - o derruba. "Oh, você deve ter ficado arrasado com o fracasso?", perguntamos a Enrico. Ele sorriu dizendo, com voz totalmente desprovida de emoção: "Sim, eu fiquei completamente arrasado com isso". Sua expressão contradizia o que ele acabava de dizer.

Passados seis meses deste evento, Donald Sinclair, o dono do hotel, tratou de localizar Enrico. Ele tivera uma ideia de colocá-lo no Guinness Book, como o maior dorminhoco do mundo. Seu objetivo, é claro, não era promover Enrico. Seu objetivo era superar o tédio da vida de bilionário, juntamente com seus amigos, apostando para ver quem acertaria quanto tempo Enrico dormiria sem parar. O atual recorde era de 48 horas dormindo ininterruptamente (sem uso de qualquer medicamento que estimulasse o sono), conquistado por Lloyd Gruver, um reformado militar norte-americano que sofrera de narcolepsia durante toda a sua vida. O recorde perdurara por mais de 40 anos, imbatível, até que Enrico o desbancou de longe, dormindo ininterruptamente por sete dias e 19 horas. Como detentor do novo recorde, Enrico passou a ganhar um dinheiro mensal para sua subsistência.

Com a mesada que recebia, Enrico poderia realizar o grande sonho de sua vida, que nos contou qual era, sem o menor pudor. "Meu sonho era o de entrar totalmente nu numa banheira cheia de pepto-bismol (apenas com chapéu de marinheiro, obviamente), juntamente com uma prostituta. Meu maior fetiche era o de cortar as unhas dos pés de uma meretriz, ao que ela retribuiria depilando minhas nádegas". Infelizmente para Enrico, ele não conseguiu, por dinheiro algum neste mundo, achar prostituta que concordasse executar esse dispendioso trabalho para ele. Mesmo assim, ainda era seu sonho entrar na banheira cheia de pepto-bismol, ainda que só. Certo dia ele o fez, mas mais uma fez, ele dormiu na banheira. Quando seu corpo foi encontrado pela empregada, no dia seguinte, ela imediatamente chamou um médico. Assim que o médico procurou os sinais vitais de Enrico, constatou que além dele estar morrido, ele havia falecido.

O velório fui uma cerimônia simplória, pois Enrico, sempre só, não tinha nenhum conhecido. De família católica, um padre foi celebrar as exéquias. Além deste, mais três pessoas estavam presentes: um representante do Guinness Book e os dois coveiros (Robert e Diones), ansiosos por despachar rapidamente aquele infeliz para o mundo dos mortos. Eles tinham um churrasco para depois do expediente, e queriam sair dali o quanto antes. Quando o padre proferia mecanicamente suas palavras, pouco antes de lacrar o caixão, a surpresa: Enrico levantou-se abruptamente, para surpresa dos ali presentes (e óbito de Robert, que não aguentou o susto). Enrico dormira tão profundamente desta vez, que até mesmo seus sinais vitais desapareceram completamente.

Atualmente Enrico Pollini é garoto propaganda de uma linha de colchões de Donald Sinclair, e tem ganhado muito dinheiro com sua popularidade, que alcançou nível nacional nos Estados Unidos, devido ao seu grande carisma, que contagia a todos. Devido ao sucesso de suas propagandas, Enrico nos contou que até tem em mente um novo projeto para breve, que consiste numa série de TV sobre um cidadão britânico, que fala muito pouco e se mete em diversas confusões, juntamente com seu ursinho de pelúcia.

Enrico Pollini.

Major Lloyd Gruver, antigo detentor do recorde mundial de maior
tempo dormindo sem parar, logo após acordar de sua hibernação.


Enrico Pollini perdendo dois milhões de dólares dormindo.

O famoso pepto-bismol.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Abacaxis

Wagner¹ estava na parada de ônibus, sozinho, quando um mendigo se aproximou, com as mãos espalmadas:
- Você tem algum dinheiro para me dar? Alguma ajudazinha qualquer?
Wagner levou as mãos até o bolso de trás de sua calça jeans recém-comprada, encontrando uma solitária moeda de um real. Entregou-a ao mendigo. Sentiu pena do sujeito, totalmente esfarrapado, com uma camisa branca surrada e uma calça jeans rasgada, além de um cheiro putrefato, nauseabundo.
- Obrigado jovem, que Deus lhe pague em dobro. – disse o indivíduo, se afastando.
Wagner murmurou uma resposta ininteligível. Ateu convicto, ele surpreendia-se com o fato de sujeitos como aquele invocarem o nome de um deus que permitia que chegassem àquela deplorável situação.
- Que horas são, jovem?
Olhando para o lado, Wagner percebeu que o sujeito voltara, dessa vez para perguntar o horário (como se algum mendigo tivesse compromisso e não pudesse perder a hora). Ele fez o movimento de olhar para o pulso, quando se lembrou de que seu relógio fora roubado no assalto que sofrera na véspera. Não pôde deixar de associar o assalto que seu ônibus sofrera na antevéspera. Estava tendo uma semana de cão. E era apenas quarta-feira e já vivenciara dois assaltos. Tirou o celular do bolso, um celular ordinário, comprado por um preço baixo. Em sua atual situação não compensava comprar celular moderno. O último que comprara também fora roubado, no assalto de duas semanas atrás. O que o deixou mais irritado neste caso, foi o fato de sequer ter terminado de pagar o aparelho. Agora tinha que terminar de pagar por um objeto que o amigo do alheio subtraíra. O visor do celular anunciava 18 horas e 2 minutos.
Comunicou ao mendigo o horário, que agradeceu e afastou-se. Ele próprio estava ansioso pelo horário. Tivera um dia cheio e não via a hora de chegar em casa e tomar um relaxante banho. Comeria um bom prato de comida para saciar sua fome e em seguida curtiria sua já tradicional sessão de pornografia. Antegozava o prazer de seu aconchegante lar, quando mais uma vez o mendigo retornou a dirigir-lhe a palavra, porém desta vez num tom de voz totalmente diferente.
Assustado, Wagner vislumbrou a lâmina da faca que sabe-se lá de onde saiu. Desta vez, num tom agressivo, o mendigo, com uma das mãos espalmadas em posição de receber, tal como antes, exigia que Wagner passasse o celular. A faca cortava ameaçadoramente o ar, como advertência contra qualquer gracejo que ele tentasse fazer. Seria inútil enfrentar o mendigo. De súbito, o mesmo que parecia tão frágil, passou a demonstrar uma lucidez surpreendente.
- Passa o celulá! – foi a ordem do mendigo.
- Bicho, eu não acredito que você ta fazendo isso! Eu te dei dinheiro e você ta me assaltando?! – disse Wagner, sinceramente surpreso com a reviravolta da situação.
- Anda logo playboyzinho! Passa o celulá! – vociferou o mendigo, não se importando com o que sua vítima disse.
Sentindo a raiva aflorando, Wagner, impotente, entregou o celular para o mendigo. “Que disparate, ainda ser chamado de playboyzinho! Eu que me mato o dia inteiro para ganhar um salário medíocre, sou chamado de playboyzinho? Aí já é demais!”, pensou Wagner.
- Agora passa a grana! – exigiu o mendigo.
E agora, o que fazer? Wagner fez um raio-x mental de tudo o que possuía nos bolsos da calça: seu cartão da Fácil², totalmente zerado, sem créditos, duas notas de dois reais, um batom, as chaves de casa e mais nada. Na bolsa, apenas material escolar e marmita. Se entregasse aqueles quatro reais para o sujeito, não teria como voltar para a casa. Resolveu recorrer a sua longa experiência em assaltos para negociar com o sujeito:
- Bicho, eu to sem grana nenhuma no bolso. A única coisa que eu tenho aqui é meu cartão da Fácil, que é com ele que eu vou pegar meu ônibus pra ir pra casa. – o mendigo titubeou, ante o discurso de Wagner. Após uma pausa, Wagner acrescentou, tentando dissuadir o indivíduo – Velho, você já pegou meu celular, agora me deixa ir numa boa.
Levemente comovido com o pedido de Wagner, o mendigo resolveu deixar ele ir. No fim das contas, ele já saíra no lucro mesmo.
- Some daqui, seu vagabundo! – gritou o mendigo, agitando a faca e forçando Wagner a se afastar.
Essa é boa, eu passei de playboyzinho para vagabundo. Eu não to valendo mais nada mesmo, pensou Wagner.
Totalmente humilhado, Wagner se afastou. Geralmente, o indivíduo quando cometia um assalto costumava evadir-se imediatamente do local do crime. Neste caso, foi Wagner quem teve que sair do local do crime, e ainda por cima sendo chamado de vagabundo. Por outro lado, ainda contou com a sorte, pois dizer que só tinha o cartão da Fácil foi uma manobra arriscada.
O jeito agora é procurar outra parada de ônibus, pensou Wagner. Felizmente, já na outra quadra ele localizou uma parada de ônibus. E esta, diferente da anterior, não estava deserta. Um garoto de aproximadamente dez anos estava sentado no banco da parada, aguardando um ônibus. Em pé, um senhor gordinho estava com um carrinho de sorvete. Assim estava ótimo. Três pessoas inibiriam a ação de outro vagabundo. Chegando à parada, abordou o sorveteiro, comprando um picolé de morango. Tão logo recebeu o dinheiro de Wagner, o indivíduo entregou o troco, agradeceu pela compra e se afastou. Para ele, duas pessoas não era tão atraente assim, do ponto de vista comercial.
Saboreando seu sorvete, Wagner aguardava o ônibus. Foi quando um comando gelou-lhe a espinha, mais do que qualquer sorvete do mundo faria:
- PASSA A GRANA!
Incrédulo, Wagner olhou para trás, para confirmar o óbvio. Aquele menino que mal saíra das fraldas o estava assaltando. Decidiu se impor diante do garoto, que tinha um canivete na mão direita.
- Velho, eu só tenho o dinheiro do ônibus pra ir de volta pra casa e eu não vou te dar não! – disse Wagner.
Sem hesitar, o menino retrucou:
- Então passa o sorvete!
Wagner arregalou os olhos. A semana estava sendo uma merda mesmo. Os bandidos não estavam perdoando nem um sorvete mais.
- Anda logo que ta derretendo, mer’mão! – gritou o guri.
- Toma bicho, fica de boa! – disse Wagner, entregando o picolé para ele.
O menino deu uma selvagem mordida no picolé, deixando escorrer o líquido cor de rosa pela face. Ele exultava, com o sucesso de seu empreendimento. Provavelmente o cocôzinho está se sentindo mais homem por ter realizado um assalto, pensou Wagner.
Dando outra mordida no sorvete, o menino se afastou. Menos mal, pensou Wagner. Pelo menos, desta vez ele não seria obrigado a mudar de parada. Viu o menino chegando à esquina, onde o sorveteiro estava parado.
Ai, corre seu idiota, senão você vai ser assaltado também! Corre, corre! Tarde demais!, pensou Wagner, já antevendo o desfecho da cena.
O que se passou a seguir não está descrito nem nas mais criativas antologias. A cena que se seguiu foi bizarra. O menino, todo feliz, estendeu a mão com o picolé na direção do sorveteiro, que deu uma mordida. Em seguida, o sorveteiro abraçou o garoto, fazendo um cafuné em sua cabeça. Wagner, mestre em leitura labial, conseguiu decifrar o que o sorveteiro disse para o menino: “parabéns Ricardinho! Esse é o meu garoto!”.
[...]
Já dentro do ônibus, Wagner repassava todos os fatos da última hora, os dois assaltos consecutivos. Voltava também para os assaltos anteriores. Era muito azar ser assaltado tantas vezes seguidas. Levantou-se do banco do ônibus, puxou a cordinha e dirigiu-se ao fundo do veículo. Na próxima parada de ônibus ele desceria.
Depois de saltar do ônibus, Wagner olhou para a quadra seguinte, onde ficava sua casa. Eram aproximadamente 150 metros de distância. Porém o sol já havia se posto, o que tornava a distância perigosamente grande. Nestes 150 metros, bem sabia Wagner, tudo podia acontecer. Começou sua caminhada rumo a casa. Na direção oposta vinha um sujeito, aparentemente se tratava apenas de um vagabundo, mas talvez fosse um traficante, ou ainda um assassino sanguinário, ou um estuprador que gostava de ver suas vítimas sofrendo, para no momento do orgasmo matá-las com uma facada na jugular.
Wagner calculava mentalmente a distância que faltava para sua casa, que estava entre ele e o homem que vinha na outra direção. Porém, pelos seus cálculos, ele não conseguiria em casa antes de cruzar com o homem. Correr seria uma opção, mas uma tola opção. Ele bem sabia que correr naquele horário poderia despertar a atenção dos traficantes, que se sentindo acuados, dariam tiros para todos os lados. As chances de ele ser alvejado pelos tiros seriam enormes.
Momentos tensos, a cada segundo que se passava, Wagner ficava mais próximo do elemento, que caminhava em sua direção, olhando no fundo de seus olhos. Vivendo intensa angústia, Wagner começou a delirar.
Ai meu deus, ai meu deus, o que será de mim? Se eu tivesse algum dinheiro no bolso, mas eu gastei tudo na passagem de ônibus. Na hora que ele for me assaltar, ele vai ficar puto por eu não ter dinheiro e vai querer me comer! Será que ele é do tipo sádico? Será que ele vai me poupar depois de ter me deflorado? Mas porque eu iria querer ser poupado, depois da desonra ter me atingido?! Isso deve ser mil vezes pior do que fazer exame de próstata. O melhor que ele pode fazer depois de me estuprar é me matar mesmo. Será que minha querida mãezinha vai encontrar meu corpozinho pra poder me enterrar com o mínimo de dignidade? Será que eu vou aparecer no Balanço Geral? Ai meu deus, ai meu deus!
Instante apocalíptico na vida de Wagner, quando cerca de cinco passos antes de cruzar com o homem que vem na direção contrária, percebe que este leva as mãos até a braguilha, onde mexe no zíper, ao mesmo tempo em que diz com sua voz grossa, de vilão de cinema:
- É o seguinte parceiro...
No limite do estado emocional que um ser humano é capaz de suportar, Wagner explode. Começa a arrancar a camiseta, deixando a mostra um peito raquítico e albino, com apenas um pelo teimoso que insiste em crescer. Também arranca o tênis e as calças, revelando as brancas ceroulas com bolinhas vermelhas por baixo, ao mesmo tempo em que diz desesperadamente, com voz de choro:
- Ai bicho, toma! Leva o meu tênis, leva a minha calça novinha, leva a minha camiseta, a minha mochila, leva tudo! Pode levar tudo o que eu tenho, mas pelo amor de deus, só poupa o meu...
- Peraí, peraí! O que que ta pegando aqui? – indaga o homem, surpreso com a cena que se desenrola em sua frente.
- Ué, você não ia me assaltar? Me estuprar? Me matar? Me esquartejar? – diz Wagner, à beira de um colapso nervoso.
- Mas é claro que não! Eu só ia perguntar pra que lado fica Taguatinga.³
¹ Obrigado Wagner, por compartilhar sua história comigo. Graças à você, consegui escrever essa postagem, baseada nos fatos reais que se passaram em sua conturbada vida.

² Fácil é o nome irônico da empresa que confecciona os cartões de ônibus do DF. O nome correto, evidentemente, seria Difícil. Se você quiser fazer seu cartão de ônibus, clique aqui e informe-se sobre os procedimentos.
³ Pra quem chegou até o final da postagem e não entendeu o motivo do título ser "Abacaxi", eu recomendo que assista ao vídeo Estuprofobia, hospedado no Youtube.

domingo, 11 de março de 2012

Brasília versus Resto do Mundo

Nos últimos dias, recebi milhares de e-mails contendo elogios referente a uma foto de minha postagem anterior. Gostaria de aproveitar este espaço para agradecer a todos pelo carinho que sempre me dispensam. Sei que nem todo mundo é fotogênico como eu. Bem, mas pretendo falar sobre isso mais detalhadamente em breve.

Como correspondente do blog Pra Gente Rir em Brasília, fiz uma pesquisa para medir o nível de qualidade de vida desta cidade. Para servir como parâmetro, decidi usar a ilha, que é um conhecido referencial de medição de qualidade de vida, por ser uma das melhores cidades para se viver (e principalmente se morrer) do mundo.

Após pouco mais de um mês vivendo na cidade de Brasília, resolvi exercitar meu lado pesquisador, procurando indícios científicos para dar um parecer sobre a qualidade de vida nesta cidade. Na pesquisa abaixo, tomei como referencial a cidade de Piraju, minha terra natal. O motivo, antes que o leitor mais exacerbado se manifeste, foi o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Ilha, que é considerado um dos mais altos do universo. Para cada pergunta, existe apenas uma resposta correta: SIM ou NÃO. Para cada resposta de diferentes perguntas, foi atribuído um diferente peso. Ao final, pode-se estabelecer um comparativo preciso sobre as duas localidades. Segue abaixo a exposição dos dados coletados e dos resultados de minha trabalhosa pesquisa:

Sem mais delongas, passemos a pesquisa e a seus resultados:

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Álbum de Recordações

... um mês depois

Primeiramente, venho pedir desculpas a todos os meus fiéis leitores pelo meu súbito desaparecimento. O motivo deste desaparecimento foi minha mudança de cidade. Conforme mencionado anteriormente, o Pra Gente Rir tem um projeto ousado para o ano de 2012, por isso pretendemos fazer um intercâmbio por várias cidades, sendo que cada colaborador do blog irá ficar em uma diferente cidade, como correspondente local. E eu, dando o pontapé inicial nesta missão, saí de minha amada e querida ilha, rumo a nossa maravilhosa capital nacional.

Meu sumiço do blog se deu porque eu estava me instalando aqui na cidade, o que dá muito trabalho, quando não se dispõe de muita verba. Como até aqui estive com pouco tempo disponível para exercitar o que eu chamo de "ócio criativo", não fiz nenhuma postagem nesse intervalo. A única coisa que fiz, pensando no blog, foi tirar algumas fotos, para aqui postar e compartilhar com nossos fiéis seguidores. Então, sem mais delongas, vamos as fotos.


Vista frontal de minha atual casa, o lugar que aprendi a amar.

A aconchegante sala de visitas de meu lar doce lar.


Cama de meu quarto, local da casa onde passo a maior parte
do tempo, dormindo, estudando e jogando FreeCell.

Cômoda do meu quarto, que eu adaptei como guarda-roupa e porta tudo. Observe
na imagem que ali temos shampoo, caneca, faca, catchup, bíblia, laranja, tesoura,
mascote do Corinthians, papel higiênico, dentre outros itens indispensáveis.

Varal que adaptei no meu quarto, para estender minhas ceroulas. Esta é a visão
que eu tenho de meu leito, quando estou deitado.

O lixo é corretamente acondicionado dentro de meu próprio quarto, conforme
mostra a imagem acima.

A casa onde moro tem uma política de limpeza muito rígida, conforme mostra
a imagem de nosso fogão. Esta imagem representa como o restante da cozinha
é constantemente limpa. O fogão é conservado assim desde que cheguei.

O varal comunitário da casa, que explica o porquê de eu ter um varal em meu quarto.
Repare que o varal segue a organização do restante da casa. Prendedor de roupas aqui
não existe.


Eu curtindo a vida na varanda de minha casa. A vida foi feita para curtir.


E pra finalizar, acima temos a imagem de um ônibus em Curitiba.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A Ilha

Piraju, ou a ilha, como é comumente chamada, é uma pequena porção de terra rodeada por água por todos os lados. As águas que rodeiam esta porção seca são as águas do Rio Paranapanema, nome de expressão indígena que em tupi-guarani significa Oceano Índico. A ilha é uma terra com propriedades únicas, com características não encontradas em nenhum outro lugar da Terra. Diversos pesquisadores e turistas vêm para a ilha para observar estas características até mesmo místicas, além de poderem apreciar todas as lendas que afamam a ilha em todo planeta.

A história da ilha atravessou as águas que a rodeiam, chegando a terra firme do outro lado, fazendo com que seus inúmeros mitos fossem popularizados. A ilha é conhecida pelo mundo afora, de maneira que possui grande apelo comercial e artístico, sendo retratada nas mais variadas formas de arte, desde a música até os filmes, as películas e também até a mais bela de todas as artes: o cinema.

É sabido que, uma vez nascido na ilha, dificilmente o indivíduo consegue sair (com vida) daqui. E eu sou a prova (viva) disso. Isto acontece, segundo antigos escritos nas cavernas da ilha, devido ao fato de a ilha ainda não ter terminado conosco. Em outras palavras, cada um de nós que nasceu na ilha, nasceu aqui por um propósito muito importante. E a ilha não nos dispensará de nossas obrigações até cumprirmos o grande propósito pelo qual estamos aqui. Ela dita o que devemos ou não fazer. Podemos tentar gritar com todas as nossas forças "NÃO ME DIGA O QUE EU NÃO POSSO FAZER", pois o poder dela é muito maior e, se ela não quer que alguém faça algo, creia-me leitor, este alguém não o fará.

Cabe a cada habitante da ilha buscar conhecer o importante propósito pelo qual está aqui e cumprí-lo da melhor maneira possível. Esta é a única maneira de se libertar do jugo da ilha e de salvar a sua alma.

Eu já descobri o grande propósito pelo qual eu nasci aqui, mas não entrarei em detalhes sobre tal coisa, pois vai que o propósito de alguma outra pessoa que aqui nasceu seja o de impedir que eu cumpra o meu?

Essa postagem é uma homenagem a ilha, que faz aniversário amanhã. Infelizmente, eu não estarei na ilha no dia de seu aniversário, pois terei que ir resolver algumas pendências nos Estados Unidos. Mas não se preocupem, pois eu voltarei a ilha, pois ela ainda não terminou comigo. E a ilha sempre dá um jeito de trazer de volta seus moradores, quando precisa deles...

Lost: uma premiada série americana baseada na história de Piraju.

Robinson Crusoé: um romance biográfico de um morador da ilha.

O Náufrago, filme americano com Tom Hanks, foi gravado na ilha.

A Lagoa Azul foi um filme pornô romântico que também
foi gravado na ilha, este na década de 40.


Um indivíduo idiota fotografado defronte ao principal
monumento da ilha: o Um Peixe Amarelo.


Uma placa localizada na entrada da ilha (com o Um Peixe Amarelo
aparecendo ao fundo): a irônia sempre foi um dos pontos fortes
do prefeito da ilha (no poder há 120 anos).


Por que estamos aqui? Pergunta que é feita pelo ser humano desde
o início dos tempos (especialmente pelos moradores da ilha). A foto
acima responde esta pergunta, mostrando o principal motivo pelo
qual todos nós estamos aqui.