quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Prieto

Tenha santa paciência para ler esta postagem, pois é longa e maçante. Caso consiga, irá ganhar um pirulito de morango. Trata-se de mais uma tentativa (frustrada, diga-se de passagem) de escrever um texto nonsense, e me tornar pioneiro no gênero. Mas não desanimem, pois eu ainda vou melhorar. Ah, se vou...


São Paulo, 10 de novembro de 2011


Como já dizia um sábio pensador: “Nós só temos uma chance na vida. Por isso nós devemos aproveitar essa chance como se fosse a única.”

Infelizmente, só fiquei sabendo deste pensamento há pouco tempo, depois de ter falhado na única chance que me foi oferecida para vingar-me. O fato é o seguinte: tive uma infância difícil, eu era um piá pobre e vítima de preconceito. Pra começar, sou o que costumam chamar de filho de coito danado, ou seja, fruto de uma relação sexual proibida. Fui concebido por um mascate e uma noviça, que, além de quebrar os votos, agravou seu pecado por ser meia-irmã do dito vendedor.

Minha mãe me pariu e em seguida sumiu no mundo. Meu genitor eu nunca vi. Fui criado num convento, como garoto órfão. E mesmo dentro da casa de Deus, sempre fui visto como o filho do diabo, fruto do pecado, enviado de Satã, dentre outros termos pejorativos. Não bastasse todos esses predicados, fui castigado com o maior de todos os males: nasci negro. Nada me envergonhava mais do que ser chamado de negro, negrinho, preto, carvão, petróleo, tição, tiziu, piche.

Apesar disso tudo e dos seqüentes estupros que sofri eu dei a volta por cima. Cresci, estudei, me formei em boa faculdade, casei-me com uma bela mulher surda-muda branca (tivemos dois filhos juntos, nos dois primeiros anos de casados), adquiri bens invejáveis e abri meu próprio negócio, em sociedade com meu melhor amigo branco. Jamais imaginara ser possível sentir tamanha felicidade, como aquela que inundava o âmago de meu ser. Mas a vida tem uma dessas rasteiras, e uma delas estava armada contra mim.

Dizem que o preço da felicidade é a ignorância. Ora, se sou confrontado com a verdade, infeliz me torno. E foi quando descobri. Avisei meu sócio que eu iria participar de um Simpósio de grande relevância para nossos negócios. Minha secretária reservou minha passagem aérea para o vôo das 19 horas e eu fui para casa com antecedência, tomar um banho e me arrumar para a viagem. Parti para a rodoviária de táxi. Isto mesmo, para a rodoviária. Só quando cheguei lá me dei conta de meu desligamento. Eu deveria ter ido para o aeroporto! Mas foi este pequeno incidente que me permitiu descobrir toda a verdade (e consequentemente, como já dito, ficar infeliz).

Comi alguma coisa na rodoviária e pedi para o taxista me levar de volta para casa. No trajeto de volta fomos conversando sobre a vida em geral, família, esposa, filhos, reviravoltas, etc. Não perdi a oportunidade de contar vantagem, dizendo o belo salto que minha vida dera. Falei sobre meus negócios, meu belo apartamento e minha bela esposa. E o taxista riu.

- Não confie em mulher alguma, meu chapa! Quando menos esperar, ela lhe passará uma rasteira!

Proféticas palavras daquele sábio senhor. Só não sou mais grato ainda a ele por não ter recebido aquele alerta antes. E também por ele ter me assaltado assim que cheguei ao meu destino. São ossos do ofício, disse o homem.

Já era noite. Uma bela noite estrelada. Esfriara. Passei no estacionamento do meu prédio, para ir até meu carro e pegar uma blusa. No estacionamento, notei o carro de meu sócio. E uma luz de alerta se acendeu dentro de mim. Subi até meu andar. Um instinto dentro de mim obrigou-me a abrir vagarosamente a porta, sem barulhos. Entrei em meu apartamento. Um abajur da sala estava aceso e isso me permitia ver um elegante casaco jogado no sofá da sala. O mesmo casaco que meu sócio usara naquele dia.

Caminhei devagar até o quarto, onde a maior fonte de luz do apartamento era percebida. A porta estava encostada, mas era possível ver o que acontecia dentro do quarto pela fresta da porta. E o que vi me atingiu como um soco no estômago. Entrei no quarto, surpreendendo os dois pombinhos bem no meio de um coito nada convencional. Uma bílis azeda me subiu a garganta, e ali mesmo comecei a vomitar, sobre os corpos despidos dos dois. As duas figuras inertes me olhavam, sem saber o que fazer. Então eu agi. Abri meu criado-mudo e saquei um revólver. E foi aí que, para surpresa minha, de meu sócio e de meus dois filhos, minha esposa gritou:

- Não o mate, Prieto!

Nesse momento, minha esposa confessou tudo. Confessou que me traía desde o período de namoro, confessou que amava Blanco, o meu sócio, e que pretendia separar-se de mim para casar com ele. Mas a parte mais dolorosa de todas foi quando ela confessou que as crianças, aqueles dois garotos que amei como se fossem meus filhos, na verdade não eram meus.

- Olhe para a cara deles, Prieto, será que não percebes? Um deles é filho do Tadao Shiguefuzi, o japonês da padaria da esquina e outro é filho do Fritz, o açougueiro alemão.

Aquilo explicava muitas coisas. Explicava principalmente o que sempre fora um grande mistério para mim: como os filhos de um negro como eu poderiam ser tão clarinhos, um loiro e o outro com o cabelo lisinho e olhos puxados? Para meu deleite, a única coisa que amenizou a dor desta revelação foi a expressão de incredulidade de meu sócio. Pelo visto, ele também acreditava ser o pai das crianças.

Apontei a arma para a cabeça de minha esposa. E dela passei para a cabeça de meu sócio. Em seguida, passei a mira para Tadao Junior, de três anos e para Fritz Junior, de dois. Agora tudo fazia sentido. Até mesmo os nomes de batismo apontavam para a verdade. E eu estava tão cego que não pude ver...

O medo estampado nos rostos dos ali presentes me deu uma satisfação sadista. Mas não tive coragem de atirar. Coloquei a arma na cintura e sai do apartamento. Estava tudo perdido. Fui até o edifício sede de nossa empresa. Entrei em meu escritório, me tranquei por dentro e sentei-me a mesa. Comecei a pensar em como minha vida tinha sido boa nos últimos três anos. Mas tudo passara tão rápido. Em contraste com o restante de minha vida, que tinha sido horrível, esta parte parecera durar uma eternidade. É como já dizia a teoria da relatividade, enunciada pelo grande físico Albert Einstein (também fundador da lei da gravidade e lei seca), as coisas boas parecem passar muito mais rápido do que as coisas ruins.

Peguei um extrator de grampos e passei nos pulsos, na tentativa de corta-los. Tarefa árdua, finalmente consegui. Senti um incômodo na cintura. Lembrei-me da pistola. Droga! Depois de todo o trabalho que tive para cortar os pulsos! O sangue escorria com maior lentidão do que eu esperava. Foi nesse momento que decidi escrever essa carta de despedida. Mostrar que um homem, por mais conquistas que tenha em sua vida, não é nada sem sua mulher. Por isso, aconselho a quem ler esta carta, carpe diem. Aproveite os bons momentos com sua mulher, pois uma hora ela irá te trair e esses momentos serão apenas uma triste lembrança. O pensamento que me ocorreu naquele momento foi: "você deveria tê-los matado, Prieto. Você foi fraco Prieto, por que foi tão fraco? Porque faltou ódio".

Com a proximidade da morte, me sinto mais sábio. Já sinto um leve frio percorrendo todo meu corpo. Uma quantidade assustadora de sangue já se esvaiu de mim. Já está na hora de morrer de uma vez. Por isso, aqui encerro.

P.S. Lembrei-me de uma coisa importante: Blanco, tem dinheiro dentro do pote de açúcar lá em casa. Use ele pra pagar a conta de luz, água e a lavanderia. E não se esqueça de pegar a roupa lavada lá. Faça isso por mim. Você a única pessoa que eu confio para isso. Beijos.

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Prieto encontra-se internado no Hospital Sírio-Libanês e não corre risco de morte.

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Atenção leitores do blog:

Não percam, dia 25 de dezembro de 2011: a melhor de todas as postagens da história do Pra Gente Rir! Aguardem...


Pra gente rir mais um pouco, clique aqui.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Transporte público

Quem nunca utilizou o transporte público? Seja ele de sua cidade ou qualquer outro.

Vamos enumerar aqui agora os diversos tipos de transportes públicos, e as vantagens e desvantagens de cada um deles.

1-Ônibus:

Popularmente chamado de busão pelo povo, dentre as vantagens de usar o busão, podemos dizer que você contribui com o meio ambiente ao utilizar esse método de transporte em massa e blá blá bló, mas como eu sei que ninguém que lê esse blog liga pra essas besteiras de meio ambiente iremos desconsiderar esse assunto.

Vamos as verdadeiras vantagens agora de se usar o busão:
...
...
...

Agora vamos as desvantagens:

-Ele demora pra cacete pra passar no ponto
-Ele para em todos os pontos que algum ser vivo, se existir um cachorro no ponto, e ele abanar o rabo, o busão com certeza irá parar.
-Sempre que você pegar o busão, pode ter certeza de uma coisa, você chegará atrasado.
-Só tem pobre.

Abaixo, um exemplo de ônibus operando abaixo de sua capacidade máxima.



2-Metrô

Transporte público utilizado em grandes cidades, portanto alguns leitores do nosso blog não fazem nem ideia do que seja isso.

Dentre as vantagens de andar de metro temos:

-Você se estiver revoltado com a vida, pode se matar, se jogando na linha do metrô quando o mesmo estiver chegando na plataforma.
-Fica uma voz te falando qual a próxima estação.

Desvantagens:

-Em horários de pico, existe uma espécie de "corrida do ouro" no metrô, onde a educação do povo passa longe.
-Quando você consegue um assento no horário de pico, pode ser considerado uma conquista no status pessoal da pessoa.

Abaixo temos uma imagem, do organizado sistema de espera pelo metrô nas suas plataformas.



3-Trem

Tranporte público utilizado em regiões metropolitanas, o que alguns leitores também não sabem o que é isso.

As vantagens de andar de trem:

-Existem vendedores ambulantes, assim, você não passa fome no trem (se tiver dinheiro)
-Existem vozes sempre te ajudando, e dando dicas e conselhos necessários como é o caso da frase "Cuidado com o vão entre o trem e a plataforma!"

Desvantagens:

-As "viagens" costumam demorar.
-Estou com preguiça de pensar em outra desvantagem.

Abaixo uma imagem de um trem.

Sapatos

dia desses fui para ourinhos, para consultar meu oftalmologista (ou para ele me consultar?), e como teria que ficar o dia inteiro naquela adorável cidade, em determinado momento daquela tarde, quando o próximo exame seria dali mais de uma hora, resolvi sentar num banco da praça da igreja matriz - bela igreja, por sinal - e como não conheço quase ninguém naquela merda de cidade, relaxei um pouco, a ponto de cochilar ali mesmo, em plena praça pública. conto aqui estes detalhes vexatórios pq talvez eles expliquem o fato de eu ter tido, naquela ocasião, o sonho mais cabuloso que consigo me recordar. talvez tenha sido o sol da tarde em zênite com minha testa, ou o ar poluído de cana queimada (não sei se eles realmente queimam cana lá, mas é o que parece) daquela cidade dos infernos. mas o sonho em si não importa, o que importa mesmo é que, assim que despertei, instintivamente olhei ao redor para me certificar de onde me encontrava. com as coordenadas espaciais estabelecidas, foi a vez das coordenadas temporais. fui tomado pelo medo de ter dormido muito, pois era o que parecia ter acontecido (deu até tempo de sonhar), mas na verdade só haviam se passado alguns minutos. a próxima medida de segurança após acordar em um local não familiar foi, discretamente, olhar em volta a procura de algum conhecido que poderia ter me visto dormindo ali. para minha sorte, indo contra todas as probabilidades matemáticas (e até mesmo possibilidades físicas), bem ali se encontrava, no banco da frente, a uns dez metros de distância, um colega de trabalho. ao menos era o que parecia, talvez. de qualquer forma, para fins simplificadores, vou assumir que realmente era tal pessoa. seu nome é diones.

diones estava sentado de frente para mim, mas parecia não ter me notado. parecia aguardar alguém iminente, seu olhar se voltava alternadamente para esquerda e para direita, algumas vezes olhava sobre o ombro esquerdo para verificar se alguém vinha dali. tinha as mãos sobre os joelhos, de uma maneira confortável, de forma que seus dedos repousassem na parte interior de suas pernas, apontando uns para os outros, mais para o chão talvez, e seus polegares indicassem sua virilha, de forma bem natural. mas isso não era o que mais chamava a atenção para sua pessoa, e sim a maneira como movimentava os tornozelos, para cima e para baixo, retirando os calcanhares do chão, para cima e para baixo, mas sempre mantendo a ponta dos pés em contato com o solo. vc pode achar tudo isso sem importância, e eu até diria que era, se não fosse por um curioso detalhe. seus sapatos. havia algo de especial naqueles sapatos, algo que eu não saberia dizer o que era. à primeira vista não passavam de simples sapatos pretos, de bico quadrado, sem qualquer tipo de amarras, exigindo que o encaixe com os pés do dono fosse perfeito. notava-se que ja haviam sido bem usados, porém estavam bem lustrados, eu diria até cuidadosamente lustrados. eles chamavam tanto a atenção para si que se tornava insignificante o fato de diones não calçar meias, e de suas calças serem demasiado curtas também. eu poderia descrever melhor aqueles magníficos sapatos, mas acho melhor apenas contar o que se sucedeu, assim vc poderá entender por si mesmo a importância de tais preciosidades.

o diálogo que reproduzo a seguir é uma versão, quase que integral, do que me recordo de ter ouvido então, entre diones (que falava de forma muito mais polida e agia de forma muito mais decorosa do que de costume) e carl, que havia se aproximado sem que eu percebesse, e se destacado do resto dos transeuntes apenas quando dirigiu a palavra para diones. as características físicas relevantes de carl poderão ser percebidas no diálogo, portanto não farei sua descrição. outras informações interessantes poderão ser percebidas pelo leitor atento, como a relação entre as duas personagens, de intimidade, porém altamente respeitosa. enfim:

carl - e então? como foi lá?
diones - oh, vc não vai acreditar, foi tudo maravilhoso!
c - sério? eles gostaram?
d - se eles gostaram? eles amaram. do começo ao fim, foi tudo perfeito!
c - haha, parabéns diones, eu sabia que vc ia conseguir. conte-me, conte-me como foi, homem.
d - sabe de uma coisa?
c - o que?
d - vc estava certo. eu quase não acreditei, mas... foram Eles carl. o jeito como eles olhavam, quero dizer, eles não paravam de olhar para Eles, e então... foram os sapatos carl, vc estava certo, foram Eles...

continua...

a segunda, e última, parte dessa história já está escrita, e se encontra num bloco de notas no meu desktop, porém só irei publicá-la se houver um número satisfatório de comentários clamando por ela, que, confesso, é a melhor de todas.

lembre-se que comentando nesse post vc concorre ao prêmio que será sorteado após eu publicar a última parte desta história, além de ajudar os cientistas na busca pela cura ao câncer.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Dia do Riso

hoje é segunda dia 7, portanto ontem foi domingo dia 6. dia 6 é um dia muito importante, pois se vc estiver no brasil e no mês de novembro, este será o dia do riso, que coincidentemente também é algo muito importante. se vc está de mau humor creio que esteja discordando disso no momento, mas saiba que o riso é a única coisa que nos distingue dos outros animais, pois somos os únicos capazes de rir, nos tornando assim os únicos seres racionais (juntamente com as hienas) em meio a tanta irracionalidade.

esse post[1] na verdade é uma fusão dos dois últimos, que falavam, em ordem cronológica inversa, sobre um "dia do" e sobre sor"riso". antes de começar a escrever, fui verificar alguns dados na principal fonte de informação mundial, a wikipédia, e ela me esclareceu uma dúvida que eu tinha, e aqui eu a cito:

"O riso é uma parte do comportamento humano e é regulado pelo cérebro."

é por causa de informações desse tipo, construtivas e elucidatórias, que a wikipédia se tornou tão confiável. e eu que achava que o riso fosse controlado pelo pâncreas!

falando mais seriamente, existe uma teoria que afirma que o riso é uma resposta a percepção de incongruidade, ou seja, quando um fenômeno não obedece a um conceito nosso riso tem a função de liberar a energia psíquica que foi mobilizada por expectativas falsas. isso explica pq ironia e sarcasmo são engraçados.

se vc ainda tem alguma dúvida sobre as causas e efeitos do riso, consulte o gelotologista mais próximo. caso não encontre um na sua cidade (ou país), pesquise no ask.com "gelotologia", que é o estudo da água em estado sólido e também dos efeitos psicológicos e fisiológicos do riso. como dizia Einstein, pai da gelotologia, "rir é o melhor remédio". Freud, juntamente comigo, constatou um fenômeno na sociedade, o qual descrevo a seguir: se um indivíduo é econômico com seus risos (mal humorado), assim que este rir diante de duas ou mais pessoas, seguir-se-á o comentário "fulano viu passarinho azul hoje" ou "fulano deve ter dormido muito bem, pra tá feliz desse jeito", obviamente, tais comentários só serão pronunciados assim que o praticante do riso não estiver mais presente. portanto, ria diariamente, com moderação e nunca sozinho, pois caso seja flagrado rindo sozinho, será considerado automaticamente louco.

e vc, é do tipo que ri com zorra total? monty python? filmes do adam sandler? woody allen? se vc riu em algum momento enquanto lia esse post deixe um comentário, pois é de graça e ajuda as crianças na áfrica.




[1] leia-se pósti, igual ao que tem na rua, pois é mais engraçado que pôst.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Dia do Funcionário Púbico

Essa sexta-feira está com cara de sábado. E não é simplesmente porque hoje eu não trabalho. Se fosse porque eu não trabalho, todos os dias teriam cara de sábado. Hoje está com cara de sábado porque eu não trabalho e porque eu não o faço em minha própria casa. Nos demais dias eu não trabalho no meu trabalho.

Pra quem não sabe, hoje é comemorado o Dia do Funcionário Público, profissional responsável por... por... bem, um profissional muito importante em nossa sociedade. O funcionário público é contrato pelo município, estado ou país para trabalhar para o povo, em instituições públicas. E é o único profissional que é pago para não fazer absolutamente nada.

Ser funcionário público implica em não fazer nada, não porque não tem nada para ser feito, mas sim porque os funcionários públicos não sabem exatamente o que têm de fazer. E como fazer tal pergunta soa muito mal, é preferível fingir trabalhar a perguntar isso. O mais curioso é que todos fingem trabalhar, procurando descobrir o que os colegas de trabalho fazem, enquanto que os próprios colegas fazem o mesmo – fingem trabalhar tentando descobrir a função dos demais dentro daquele órgão público. A esperança guardada no íntimo de todo funcionário público é de um dia descobrir que os demais funcionários também não fazem nada e poder confessar que enfrenta há anos a mesma situação, a de não fazer nada. E que juntos possam rir desse atoleimado mal estar gerado pelo engodo, e dali em diante, tornem o ambiente de trabalho um local mais amigável, sem precisar dos fingimentos.

Mas é provável que isto seja uma utopia e nunca aconteça, pois ninguém vai dar o braço a torcer, com medo de descobrir que todo mundo trabalha e que ele é o único vagabundo da repartição. Embora isso também nem seja um problema tão grande, pois é do conhecimento de todo mundo que funcionário público não pode ser mandado embora por motivo algum, mesmo que durma nas oito horas de trabalho e depois elogie a mãe do superior imediato.

Enfim, este post é para homenagear estes profissionais tão importantes na vida de todos nós: os funcionários públicos. E se você, assim como eu, também é funcionário público: meus parabéns!

E só para constar, o "púbico" no título do post foi totalmente proposital porque... bem, não tem um porquê.


Uma típica funcionária pública, organizando
alguns documentos em seu ambiente de trabalho...


... e um trabalhador comum, com jornada de trabalho
superior a 16 horas diárias, otimista num futuro melhor.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Sorria, você está sendo filmado!

Quem nunca viu um adesivo, uma placa, ou até mesmo um banner com essa célebre frase?



Pois é meus amigos,mas a verdade é que essa placa está lá pra dizer outras coisas, ele não está lá pra você ficar sorrindo igual o garoto modelo da propaganda do sorriso-colgate, ela está lá pra dizer que é melhor não tentar roubar, pois você está sendo monitorado pelas camêras de segurança.

O duro é que tem lugares em que você vê a placa, e fica olhando pra cima, procurando, pra ver se realmente tem alguma câmera filmando, e a surpresa é que muitas vezes você não encontra a tal camêra, ai surge o mistério "Será que realmente existe algo filmando, ou essa placa está aqui só pra parecer que este estabelecimento tem um sistema de segurança, quando na verdade não tem nada?" é uma dúvida terrível.

Enfim meus amigos, quando virem que estão sendo filmado, desconfiem, procurem a câmera e jamais, em hipótese alguma sorriam, ou vocês podem ter uma foto divulgada desse jeito:

sábado, 15 de outubro de 2011

Sobre Comentários Clichês

“Nossa, mas como esse ano tá passando rápido! Esses dias mesmo o ano estava só começando e agora já estamos em outubro?!”

A maioria de nós já ouviu esse e outros comentários, pois em toda parte existe uma pessoa intelectualmente capaz de fazer um comentário deste tipo. E foi pensando em comentários assim que decidi fazer uma pequena lista com diversos comentários clichês:


1 - Comentários sobre o tempo cronológico: o já citado clichê sobre a sensação de que de uns tempos pra cá o tempo começou a ficar mais veloz.

Exemplo: “Nossa, outubro já?! O ano começou esses dias e já tá quase acabando?!”


2 - Comentários metereológicos: quando o silêncio não é uma melhor opção, falar sobre o clima é uma boa pedida.

Exemplos:

A - “Nossa, mas como ta quente hoje, viu?”

B - “E esse tempo rapaz? Não sei não, hein... não sei não...”

C - “Chove ou não chove hoje?”.


3 - Comentários sobre o desenvolvimento físico humano: quando crescer torna-se algo surpreendente e inesperado.

Exemplo: Aquela tia-avó – tia materna da mãe - que o adolescente nunca viu e só ouviu falar por nome, chega em casa para visitá-los. O garoto, após cumprimentar com certo constrangimento a frágil senhora, ouve encabulado aos comentários dela, observando-lhe a expressão de surpresa que se estampa em seu rosto, após cada palavra dita:

-.s cada palavra.e se estampa em seu rosto, ap expressa, observando-lhe do aos comento a sitmento daruba e nos pdo.fazer um coment Nossa, mas como que ta grande o seu filho! Olha, como que cresceu esse menino! Gente do céu!


4 - Comentários sobre o cotidiano: quando viver torna-se uma completa rotina.

Exemplo: Duas mulheres de meia-idade encontram-se na rua e trocam um curto diálogo:

- E aí, contente com o feriado de amanhã?

- Ah, isso é bom né. Se bem que pra gente que cuida de casa, com feriado ou sem feriado tem que trabalhar do mesmo jeito!

- Nem me fale. Já to até pensando naquele balde cheio de roupas sujas me esperando. Amanhã tenho que lavar a roupa, e se Deus quiser fizer um sol bom, já seca tudo, amanhã mesmo recolho e já passo, dou uma limpada nos armários, dou uma boa limpada na casa e só depois descanso um pouquinho.

- Mas o mais difícil de tudo amiga, é ter que cozinhar para as crianças e para o marido. O marido nem pra ajudar também. E os filhos nem querem saber se você está cansada ou não, eles querem é comer.


5 - Comentários sobre a insignificância humana: quando nós mesmos não nos achamos dignos.

Exemplo: ”É, a gente não é nada nesta vida, né? Num momento a gente tá bem, e vem qualquer doencinha e já derruba a gente e nos põe de cama. É nessas horas que a gente dá valor a saúde da gente”.


6 - Comentários sobre as dificuldades da vida: quando desabafar torna-se uma válvula de escape.

Exemplos:

A – “É, quem disse que ia ser fácil?”

B – “Rapadura é doce mas não é mole não, hein? Não.. é... mole... não...”

C – “É, me disseram que não ia ser fácil, mas também não disseram que ia ser tão difícil!”

D – “É seu Joaquim, a vida não tá fácil pra ninguém.”

E – “Essa vida não é brinquedo não.”

F – “É meu amigo, o jeito é trabalhar, porque a vida só é dura pra quem é mole.”


7 - Comentários sobre pessoas: quando expressões diferentes são necessárias para definir alguém.

Exemplos:

A – “Esse cara é uma figura! É uma figura! É uma figura! Seu Marlon é uma figura!”

B – “Esse Zezinho quando fizeram jogaram a forminha fora! Zezinho não tem outro igual! É único esse cara!”

C – “Ah, mas tinha que ser o Tonho. Se fosse outro eu nem iria acreditar, mas é a cara do Tonho esse tipo de coisa.”

D – “Seu Chico, seu Chico. Cê que é o Chico Anísio?”


8 – Comentários sobre mais um dia: quando o dia atual é digno de assunto.

Exemplos:

A – “É hoje, hein? É hoje! Sexta-feira!”

B – “Hoje foi o dia! Hoje foi AQUELE dia...”

C – “É, seu João, hoje o dia promete!”


9 - Comentários sobre a vida alheia: quando fofocar parece bom.

Exemplo: Duas senhoras conversam:

- Cumadi, você ficou sabendo que a Lúcia, filha da dona Benedita, amigou?

- Nossa, eu nem fiquei sabendo, cumadi. A Lúcia é aquela branquelinha, magrinha?

- Não cumadi, essa aí é filha da dona Conceição, e chama Sônia.

- Ah, é mesmo...

- A Lúcia que eu to falando é uma menina de cor, gorda, gorda, gorda...

- Ah cumadi, não vai me dizer que ce ta falando da Lucia filha da Benedita do Sebastião eletricista?

- Essa mesma!

- Nossa, mas esses dias mesmo eu tava no guardamento da dona Tereza e ouvi um comentário que ela tava prenhe.

- E ela ta! Ta de quatro meses já, cumadi.

- Nossa, cumadi.


Dizem que 10 é um número mágico, mas seja por preguiça, seja por falta de criatividade, ou seja para fazer oposição ao mundo, esta lista contém apenas 9 tópicos. E este post também não tem imagens. Para ser mais preciso, este post é uma droga. Se não estiver satisfeito, é com um enorme prazer que eu o convido a retirar-se daqui. Não volte nunca mais. Você não é bem-vindo.