quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Opiniões impopulares

Um texto em homenagem à amiguinha aniversariante do dia.

Uma opinião impopular é aquela expressa por uma parcela minoritária da população. Ao emitir uma opinião impopular, assume-se o risco de despertar surpresa, vergonha alheia, raiva ou até ideações homicidas em seus interlocutores.

Eis alguns exemplos de opiniões impopulares:

  1. A melhor bebida para acompanhar pizza, pastel e cachorro-quente é obviamente o café (0,1%).
  2. Pandeiristas deveriam se esforçar para aprender a tocar um instrumento de verdade (0,03%).
  3. Ao cruzar com um corintiano em uma rua deserta, suas chances de ser assaltado são maiores que 80%, e de ser esfaqueado, maiores que 50% (0,9%). 
  4. Se uma pessoa se autointitula mãe ou pai de pet, ela certamente tem transtornos mentais (0,9%).
  5. Pablo Picasso pintava mal para um cacete (0,0007%).
  6. O filme Bacurau tem o mesmo valor cultural que uma sacola de fezes (0,0000006%).
  7. Se é para colocar uva-passa no arroz, melhor nem fazer ceia de Natal (0,05%).
  8. Quem alimenta uma conta no Blogspot em pleno 2024 é um idiota (1%).
  9. É melhor ser surdo que ouvir uma música do Gusttavo Lima (0,000000000000000004%).
  10.  Astrologia é uma desculpa para botar o seu fracasso em algum fator extrínseco a você mesmo (0,006%).

Entre parênteses, apresento o percentual de pessoas que apoiam essas ideias (baseado em uma pesquisa metodologicamente rigorosa que eu mesmo conduzi). A lista não é exaustiva, apenas ilustrativa. Além disso, os itens da lista não necessariamente expressam a minha opinião pessoal. Eu sou só o mensageiro.

Aqui, observo que a impopularidade de uma opinião nada tem a ver com sua falsidade. Por exemplo, como bem sabemos, metade dos itens da lista anterior representam a realidade (não direi quais deles, pois não quero emitir explicitamente opiniões impopulares). De maneira complementar, a popularidade de uma opinião não implica que ela está correta. Nesse sentido, o ditado "a voz do povo é a voz de Deus" não tem qualquer valor de verdade. Se o que a maioria acredita fosse verdade, então não haveria grandes chances de um certo psicopata ser eleito prefeito da maior cidade do país no próximo domingo.

Dentro dessa discussão, é preciso diferenciar opiniões impopulares de opiniões canceláveis. Uma opinião impopular, por definição, é aquela que é manifestada por poucas pessoas. No entanto, muitas vezes as pessoas não manifestam uma opinião por medo de serem canceladas. Nesse caso, uma opinião cancelável pode ou não ser impopular. Por exemplo, "a Terra é plana" é impopular, pois ela é tão idiota que quase ninguém acredita nisso de verdade. Mas ela não é cancelável, pois ninguém deveria ser cancelado por acreditar em Papai Noel, no Coelhinho da Páscoa, na Fada do Dente ou no terraplanismo. Afinal, todos sabemos que devemos respeitar a ingenuidade das crianças e dos retardados mentais.

Eventualmente, é impossível diferenciar duas razões para uma opinião impopular: ela é impopular porque ninguém tem aquela opinião versus ela é impopular porque ninguém tem coragem de expressá-la em voz alta. Por exemplo, é improvável que você escute com muita frequência que você é feio, independentemente dessa afirmação descrever ou não a realidade sobre sua diagramação facial. Se você raramente ou nunca escuta essa frase, é porque, por definição, essa é uma opinião impopular. Existem duas possibilidades para esse fato:

  1. Você realmente faz os olhos da maioria das pessoas sangrarem. No entanto, as pessoas escondem esse sentimento. Logo, você é feio, mas quase ninguém tem coragem de expressar essa opinião impopular.
  2. Você é uma pessoa bonita para a maioria das pessoas ou, na pior das hipóteses, nem fede nem cheira. Algumas poucas pessoas te acham feio, e é essa a razão das manifestações esparsas sobre sua aparência. As poucas que te acham feio têm medo de serem canceladas por essa opinião.
Mas como decidir qual é a razão para essa opinião impopular? A ideia básica é buscar pistas em outros sinais verbais ou não verbais. Por exemplo, se as pessoas pedem licença para ir ao banheiro e, em seguida, você ouve sons de vômito, é provável que você seja feio. Por outro lado, se você escuta elogios  frequentes sobre a sua aparência vindos de pessoas que não são da sua família, nem que consumiram doses cavalares de entorpecentes, é provável que você seja uma pessoa bonita (e que os que se calam são os poucos que te acham feio). 

De maneira similar, considere a opinião impopular de que "a música do Gusttavo Lima é uma merda". Quase ninguém vai ter coragem de manifestar essa opinião. Agora, passemos aos shows do Mr. Lima. As pessoas precisam consumir Itaipava (atenção, esse post NÃO É patrocinado!) para conseguir suportar os barulhos do "cantor"? Se sim, esse é um forte indício de que todo mundo sabe que a música dele é ruim, mas usam substâncias que alteram a percepção sensorial para tornar suportável frequentar o show. Afinal, como bem sabemos, o objetivo final desses shows é encontrar alguém para praticar a cópula, vulgo acasalamento.

Agora, se existe uma opinião que não é impopular, é a de que esse blog é maravilhoso. Se você também acredita nisso, faça um PIX para mim (chave: lima.piraju@hotmail.com). 

Até o ano que vem!

domingo, 13 de agosto de 2023

Dia dos Paus

 Uma postagem sobre pandeiristas.

Hoje é dia dos pais.¹ Eu não tenho pai. Perdi contato com o meu genitor aos 4 anos de idade. Segundo minha mãe, ele estava estressado comigo e foi comprar cigarros logo depois de ter me dado uma surra com uma régua de madeira. Disse que voltaria após desestressar um pouco. Presumivelmente, por meio do consumo de nicotina. E nunca mais voltou. Talvez ainda esteja procurando os cigarros. Ou ainda não tenha desestressado. Ou, talvez, essa tenha sido apenas uma desculpa para não assumir a paternidade. Sábio homem!

Bom, essa é a história que a minha mãe conta. Eu não tenho memória sobre o ocorrido. O mais perto que eu possuo de lembrança é o hematoma deixado pela reguada que levei no braço. Mas esse texto não é sobre meu pai. É sobre os pais, em geral. Ou, mais especificamente, sobre pandeiristas.

Hoje de manhã, resolvi quebrar o protocolo e sair de casa. Alguma bobagem dita pelo meu psiquiatra sobre eu precisar de vitamina D, tomar sol e essas baboseiras. Coloquei um fone de ouvido, caminhei a esmo, até que acabei passando em frente a um conjunto de bares. Antes que o leitor malicioso desconfie: não, eu não entrei em nenhum deles. Aliás, quase todos estavam fechados. Algo sobre as pessoas se sentirem socialmente obrigadas a demonstrar afeto àqueles que lhes possibilitaram o "dom" da vida por meio de consumo, compras, almoço e demonstrações públicas de afeto via stories do Instagram. Uma tentativa de ajudar que seus genitores não se deparem com a pergunta com a qual meu pai jamais terá que se confrontar: "por que mesmo eu não dei no pé?"

No entanto, um dos bares estava aberto. Com música ao vivo. Digo "música", mas obviamente essa é uma catacrese.² Provavelmente, pagode. Aquele som apreciado por pessoas sorridentes que parecem que não entenderam o que realmente está acontecido aqui. E que não há muitos motivos para sorrir. O fato é de que, não bastasse os elementos tocarem pagode, havia entre eles um pandeirista. Isso mesmo, leitor. Um pandeirista!

Pandeirista, para quem não sabe, é o músico (rsrsrs) que toca pandeiro. Também chamado de pandeiro, pandeireta e pandeirola. Ou, meu sinônimo preferido, perdedor.

Domingo. Dia dos pais. Eu caminhando. Passando diante de um bar. Com música ao vivo e de qualidade questionável. E um ser tocando pandeiro. Um ser que acordou em um domingo de manhã, arrumou-se, vestiu-se e saiu de casa achando legítima e digna a incumbência de se sentar em um bar para requebrar uma de suas mãos em um pandeiro. E, mais importante, um ser que, salvo se eu estiver enganado e ele for fruto de reprodução assexuada, possui um pai. Um pai que certa noite—manhã ou tarde, vai saber!—engajou-se no ato coital sem saber que contribuiria com seu material genético para que um ser, já em fase adulta, achasse digno ser pandeirista. 

Como é de conhecimento popular, o pandeirista, além de tocar um pseudoinstrumento totalmente irrelevante para o arranjo da banda, só está no grupo musical por ser amigo dos demais integrantes. Ele é tipo aquele irmão café-com-leite, que joga videogame com o controle desconectado, pois ainda não tem idade—ou quociente intelectivo—para participar em pé de igualdade das atividades sociais dos irmãos mais velhos e seus amigos. A prova disso é que, se o pandeirista por um acaso perder a hora, os demais membros sequer se darão conta de que falta alguém para que possam iniciar o show (de horrores). 

Voltando ao assunto... terminei minha caminhada, segurando-me para não chorar, ao pensar na enorme quantidade de pais espalhada por esse país³ que cuidaram de seus filhos, foram presentes, passaram talquinho nos bumbuns de seus bebês, para que esses não ficassem assados... para, no fim das contas, terem seus filhos, em plena adultícia, sentados em bares quaisquer, tocando pandeiro, achando-se minimamente relevantes para o mundo.

Por isso, dedico essa postagem a todos os pais desse Brasilzão. E, especialmente aos pais dos pandeiristas, eu deixo um forte abraço e um carinhoso e singelo recado: a culpa não é de vocês!

Feliz dia dos pais! =D

Procurei fotos de pandeiristas no Google, mas todas aparentemente possuíam direitos autorais. Como não estou em condições financeiras de responder a mais um processo por esse motivo, peço encarecidamente ao leitor que imagine no lugar da imagem acima um pandeirista de sua preferência.


¹ O "paus", no título da postagem, não foi um erro de digitação. Meu assessor de marketing, Rodolfo Britto, disse que um pseudoerro seria bom para os negócios. Tenho lá as minhas dúvidas. É claro que minha desconfiança sobre essa sugestão não está relacionada a ele ter se formado no Instituto Universal Brasileiro. Enfim, decidi seguir o conselho dele. Afinal de contas, ele é pago para isso. E, infelizmente, ele é o único profissional do marketing que eu consigo pagar hoje com o que sobra após eu pagar meus aviõezinhos.

² Segundo o Dicio, catacrese é "uma figura de linguagem através da qual uma palavra é empregada com sentido alterado, em relação à sua real significação, por falta de uma palavra própria: embarcar num trem; folha de papel; enterrar uma agulha na pele". Aplicado ao presente texto, "música" é uma catacrese, na falta de uma melhor expressão para se referir ao conjunto assíncrono de sons produzido por pagodeiros amadores. O que eles faziam era um amontoado de sons, com a patética pretensão de que socialmente eles fossem lidos como músicos. Doravante, de modo a melhorar e legibilidade do texto, omitirei as aspas sempre que eu me referir ao termo "música" no texto. O leitor deve entender que as aspas estarão subentendidas na presente narrativa.

³ Aqueles que não foram comprar cigarro. Ou aqueles que foram, mas que fizeram a besteira de regressar.

domingo, 30 de janeiro de 2022

COVID-19 em 2022

Uma postagem em que o autor escreveu ébrio (e em 2022).

O mundo começou a acabar em 2019, com a COVID-19. Dezenove. Nineteen. "Dezenove", de 2019, obviamente. Estamos em 2022. Mais de 2 anos depois de o mundo começar a acabar. No Brasil, o mundo começou a acabar em 2020. Por volta de março de 2020. É claro, depois do Carnaval. Pois o mundo jamais começaria a acabar durante (ou antes) do Carnaval em território tupiniquim. Não somos animais!

Estamos em 2022. Quase 2 anos e 2 meses desde o fim do mundo na China. Perto de completarmos 2 anos do fim do mundo no próprio Brasil.

Estou vivo ainda. É isso. Mais um pequeno, independente (e que não faz a gente rir) upload.

A seguir, um vídeo representando o atual momento do planetinha Terra (plana):



quinta-feira, 26 de agosto de 2021

10 Anos do Pra Gente Rir

O blog Pra Gente Rir surgiu em 2011. Prestes a completar 10 anos de puro sucesso, o blog traz alegria e momentos de descontração a milhões de brasileiros. [...]

O excerto acima foi redigido por mim, tendo como propósito gerar a publicação de uma postagem comemorativa que comecei a esboçar em março deste ano. Isso porque, pouco tempo depois, o blog completaria 10 anos.

Completaria. Futuro do pretérito do indicativo. Completou. Pretérito perfeito. Se bem que eu não sei o que há de perfeito em ter completado 10 anos e não ter recebido os parabéns. Nem sequer um bolinho.

E mesmo fazendo uma década, eu jamais voltei ao texto que comecei. Comecei e não terminei. Eu nem tive a decência de escrever até o fim o meu texto. Eu fui fraco. Sabem por que fui tão fraco? Porque me faltou ódio.

É isso, caros expectadores e expectadoras desse glorioso país. O Pra Gente Rir está com 10 anos, na UTI e respirando com a ajuda de aparelhos. Quem quiser me fazer um PIX, será muito bem-vindo. Não salvará o blog. Mas com certeza me ajudará a comprar umas balas.

Uma postagem melancólica para um blog com um fim melancólico. Aguardemos novos updates.

sábado, 26 de dezembro de 2020

Um pequeno update

Ao que me consta, diferente deste blog, os autores estão todos vivos. Quanto ao escritor Boretti, não o vejo tem uns dois anos, mas trocamos cartinhas de amor diariamente. Já quanto ao camarada R, não o vejo há mais tempo até, mas algo me diz que ele está vivo. E eu sigo sendo eu, segundo fontes confiáveis.  Com déficit de vitamina D e a cada dia mais albino, mas é a vida. Aparentemente, todos sobrevivemos ao primeiro ano de pandemia. Se gostaríamos de ter sobrevivido, esse já é um debate completamente diferente. Ao que me consta, também, o mundo pandêmico fez com que todos retornassem à famigerada ilha. Fica aqui esse pequeno update, apenas para registrar os rumos que esses fracassados autores tomaram em suas vidas. Os historiadores que façam bom uso, no futuro, desse diário de bordo.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Esse ano eu não escrevi nada no blog

É isso, sociedade. Mas antes que alguém desconfie de algo, sigo vivo. Os demais autores, apesar de mais sumidos do que eu, também.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Bosta

Para minha amiga, que foi a inspiração para essa postagem.
P.S.: não estou te chamando de bosta. Embora fique difícil argumentar contra isso, dadas as circunstâncias.

"Ter feito essa postagem foi uma grande cagada"
Eu mesmo sobre a postagem.

Tem dias que são meio bosta.
Já outros, são uma bosta completa.
Hoje o dia se superou.
Não foi nem meio bosta, nem uma bosta completa.
Foi uma bosta e meia.
"Como assim, uma bosta e meia?", você pergunta.
Ué, é tão óbvio: uma bosta e meia. Meia bosta.
O que significa, leigamente, muita bosta.
E matematicamente, uma bosta a mais do que o dia meio bosta.
Se você não entendeu, basta armar a continha, e calcular:













Isso não é um poema.
Isso não é um haiku.
Isso sou eu, pra variar, falando um pouco de merda.
Ou de bosta.